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A deformação acrônica

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Por Oscar Barreto*

Diante do axioma do êmulo no entrecho da leiva talada, sobeja aceder a sujeição nos arrabaldes descabidos.

Assistir povos da terra cantando lamentos, dançando suas dores, suplicando migalhas, medicando ao seu algoz restos de um mundo que é seu, é muito deprimente!

Invadimos terras que tinham ocupantes, mas nunca proprietários (essa é uma visão macabra do mundo do invasor).

Ao mesmo tempo, que enquanto houver um indígena vivo, essa profanação perdurará, mas por outro lado, enquanto houver um índio na mata haverá esperança para a natureza.

Mas, está tudo muito errado: Como pode o indígena pedir favor a um intruso para viver em sua própria casa?

O principio da obviedade deveria ser outro

Primeiro:

São os indígenas que devem dizer, se essas reservas a serem demarcadas atendem ao que eles desejam não nós invasores decidirmos!

Segundo:

São os indígenas devem avaliar se permitem que depois de um raio a ser determinado após os supostos limites das reservas, que nós homens brancos podemos habitar tais áreas circunvizinhas.

Se a questão não for tratada dessa maneira, teremos uma decisão ao nosso modo, quer dizer ao modo de nós invasores.

Os indígenas não podem jamais, ficar vinculados a uma constituição que não diz respeito ao modo de vida deles.

Não se trata, nem se a constituição favorece ou não os Direitos dos povos indígenas, mas sim, que estamos nos referindo a dois mundos diferentes.

Como se sentiria um Brasileiro, estando seus deveres, escritos na constituição Boliviana?

E pela condição história geográfica, não somos nós que devemos dizer como eles devem se comportar, mas os indígenas expressarem o que eles permitem ou não que nós possamos no comportar diante deles.

É muito triste, deveras humilhante, para não dizer vergonhoso, dizer que não há o que fazer e que só resta aos indígenas irem esmolar sobras tóxicas de uma sociedade fracassada e desunida, herdeira dos colonizadores, o que seria por direito deles.

É ainda mais triste quando a nossa mentalidade está vencida, ao ponto de não termos dentro de nós essa noção do genocídio diário que impomos aos povos autóctones e o pior aceitamos leva-los a um congresso, ou STF, se não são instituições repletas de bandidos (será que podemos negar isso?) ou se não são representantes do poder imposto pelo mercado econômico de uma visão de crescimento em números e não em vidas (será que também negamos isso?), que no fundo tais instituições pertencem ao poderio do inimigo, pois para o verdadeiro entendimento de toda conjuntura histórica, geográfica e política, estamos eternamente em litigio com os povos indígenas e é dessa forma que o indígena consciente da sua situação encara ou deve encarar a sua condição de prisioneiro de guerra no seu devido lar.

Então fazer leis para os indígenas é nada mais ou nada menos que fazer tratados de condicionantes de dívida dos derrotados de guerra.

Só que os indígenas não foram ainda vencidos!

Eles estão vivos, apesar de mais de 500 anos de genocídio.

Bolsonaro é o maior nome desse extermínio da nova republica e o mais autentico líder na relação das suas ações belicosas, que traz consigo um séquito de comparsas convenientemente criminosos entre ministros, parlamentares, magistrados, empresários do agronegócio, pecuaristas, madeireiros, mineradoras, garimpeiros, grileiros, etc.

Contudo o nosso problema, quer dizer problema de quem consegue sentir o ardor da injustiça, não se chama apenas Bolsonaro, mas é saber que o extermínio que advém dos assaltantes Europeus que geraram 70 milhões de mortos de Indígenas em mais de 500 anos de história da América, está também na história da republica Brasileira, tão danosa como o império brasileiro, herdeiros das pilhagens portuguesas sobre as riquezas brasileiras.

Pois esses danos estão também em Rondon, que é lamentavelmente é tratado com herói, mostrando o grau de ignorância em relação causa indígena e suas violações, quando esse Marechal devasta florestas virgens e vai à busca de etnias até então intocadas no desejo posterior de fazer dos nativos servos do mercado de trabalho. O dano está em Juscelino e sua grande e monstruosa obra chamada Brasília, onde agora indígenas reivindicam esmolas, pisando sobre os corpos dos povos Carajás, Xavantes, Terenas, Fulniôs, Kiriris-Xocós, Tuxás e Guajajaras ocupantes um dia daquela parte do Cerrado. A agressão aos povos da floresta está na transamazônica, em Tucuruí, Belo Monte, Mariana e Barreirinha e não podemos esquecer que presidentes mais recentes e seus cumplices, como os dos governos militares, como também os civis que sucederam, como José Sarney, Fernando Collor, Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso, Luís Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff, e Michel Temer, são todos sem nenhuma exceção aos olhos dos indígenas verdadeiros criminosos de guerra e toda ação futura de reparos de chacinas, não se apagarão jamais, as centenas de milhares de mortes derivadas das suas criminosas administrações, tão nocivas como toda a história do homem branco por onde pisou fora da Europa.

Todavia, não se preocupem que tiver do lado contrario dos povos indígenas, pois nenhum colonizador europeu ou nenhum presidente será levado para julgamento no tribunal de Haia, pois a verdadeira audiência deve ocorrer na consciência de quem lê. Mas será que o dualismo permite? Ou melhor, não, pois pode nos induzir a deixar bem claro que somos cumplices desse extermínio.

Saber avaliar quem são os criminosos é entender que caso haja conquistas nas reivindicações dos povos indígenas, serão apenas concessões, dadas como favores, restos dos pratos sujos que não couberam nos estômagos já tão dilatados de tantas barbaridades. Ainda assim se ocorrer no mundo do adversário, deverá ser precedido de uma lista de condições e que não alterem o conforto da economia do mercado ou não vá incomodar a estabilidade na ordem civil.

Diante da premissa do inimigo do desfecho da terra arrasada, resta aceitar a submissão no mundo que não lhe pertence, há uma “deformação acrônica.”

* Oscar Barreto é Arquiteto, Urbanista e Paisagísta e trabalha com povos Autóctones.

7 respostas para “A deformação acrônica”

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alessandro tibo


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