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Crônicas de uma década: “Urbis VI ou Pé Inchado”

Afrânio Garcez

Por Afranio Garcez*

Ao meu querido amigo e irmão/espiritual

Ubirajara Sampaio Mota (Bira Mota, ex-vereador de Conquista ).

Os anos 80, do século passado foram realmente para todos nós – que já somos sessentões, setentões etc –, anos verdadeiramente incríveis, em todos as sentidos. Anos do chamado “desbunde baiano”, ”: Caetano Veloso ia à praia usando uma sunga de crochê, Gilberto Gil emplacava um sucesso atrás do outro, a poesia e a música de WalySalomão, e do Jards Macalé, etc.

Havia no ar que respirávamos a certeza da liberdade que aconteceria formalmente no dia 05 de Maio de 1988 com a promulgação da chamada Carta Cidadã, hoje tão deploravelmente desrespeitada.

A geração vitoriosa do cinema novo, das lutas sociais, estava mais encantadas do que antes, e todos àqueles aqueles que viveram a minha geração sabem muito bem do que falo.

Os casais de namorados andavam com cabelos longos, lisos ou encaracolados, ou, ainda, “black power” pelas nossas ruas, praças e avenidas numa celebração magnifica magnífica e verdadeira da palavra LIBERDADE. 

Também e aqui em Conquista, ainda tínhamos os carnavais frenéticos, sem violência e com muita alegria. Os blocos se rivalizam entreMassicas”, “Magnatas”, Esecutivos” etc, era tudo uma verdadeira beleza, uma verdadeira festa. Os demais festejos tradicionais como o São João, e o Natal nem se fala, absolutamenteirretocáveis.

A cidade vivia em plena ebulição cultural, jovens podiam ficar nas praças traçando planos para um Brasil rico, de primeiro mundo, e até se pensava que a famosa dívida com o FMI já estava prestes a ser paga. Nós, então estudantes universitários ou já formados que morávamos no CEUSC – Casa do Estudante Universitário e Secundarista de Conquista -, fazíamos encontros intermináveis onde nos quais, na conversa boa e prolongada, não podia faltar o tema política, as possibilidades deste ou daquele partido vir a ser legalizado ou não. A maior efervescência ocorria na saudosa Praça do Jardim das Borboletas, em especial em dois pontos, : ou na “curvinha do amor”, ou sentados ao chão sob a égide da Estátua Vênus, a deusa do amor que lá havia.

Eram momentos mágicos, deslumbrantes, e igualmente fascinantes. Volta e meia, quem possuía ao menos um parente proprietário de um velho fusca, logo arranjava um programa noturno para àqueles aqueles que “não tinham namorada séria” (era necessário pedir o  consentimento dos pais da moça para namorar), e o local escolhido para encontros não tão furtivos aconteciam  no famoso “Bosque da Paquera”, o maior motel a céu aberto da América do Sul, sem quaisquer exageros.

A bela Praça do Jardim das Borboletas foi inaugurada em 1956, ano em que eu nasci, por iniciativa do Prefeito Edvaldo Flores. Além do Jardim, observava-se na Praça elementos que ainda hoje povoam a memória dos cidadãos da cidade, como a Biblioteca Infantil Monteiro Lobato, construída em frente à Catedral Nossa Senhora das Vitórias, um parque infantil localizado atrás da Biblioteca, a famosa fonte luminosa, no zoológico a cidade dos pássaros –, um viveiro  na qual eram criadas dezenas de aves para observação da população que visitava a Praça.

Na década de 80, a Praça foi demolida e reformulada pelo Prefeito José Pedral, que construiu em seu lugar a atual Praça Tancredo Neves, inaugurada em 1985 e conhecida por suas opções de entretenimento, como o música na Praça e o Natal da Cidade.

Os famosos elementos que existiam na Praça da República não mais existem, aliás, das grandes cidades que eu conheço, Vitória da Conquista é a única que não possui uma praça, uma rua ou uma avenida como o nome em homenagem a à República fato raro, mas que demonstra a falta de sensibilidade dos políticos para com nossa história.

No dia da inauguração, lá se faziam presentes várias autoridades do município, os vereadores, e, dentre eles, cito, o Massinha, O Bira Mota, Ilza Matos, o Prof.Everardo Públio de Castro, e, inclusive, o único que votou contra a mudança de nome da praça que foi o Robério Dias de Ramalho Sampaio ( O Robério do INPS, já falecido).

Também aquela foi a época em que tínhamos que arranjar empregos, e aí existiam possibilidades de nos tornarmos, temporariamente, um professor, enquanto se arranjava uma boa clientela para pagar o aluguel de uma sala de escritório ou de um consultório médico. Neste contexto eu, na condição de amigo do radialista Edmundo Macedo, e aconvite dele, que tinha sido recém-contratado pela então Rádio Bandeirantes AM, fui fazer um quadro sobre direito com o título “O Advogado Em Sua Casa”, onde no qual respondia as às perguntas e consultas que chegavam ou por cartas ou por telefone, e o programa era um sucesso mesmo.

Foi num destes programas em que um ouvinte, que residia no Conjunto URBIS VI, questionou-me o que fazer, pois não havia linha de ônibus regular para o centro da cidade e ele só chegava atrasado., Perguntou-me se o caso era para se queixar na justiça do trabalho ou junto ao prefeito Pedral Sampaio.

Ao respondera pergunta, e inadvertidamente, acrescentei à consulta a seguinte resposta, à título de sugestão: “Ora, eu já fui na até a Urbis VI de carro, e da 1ª Igreja Batista até lá, dá mais de 6,5 quilômetros, aí é pedir para que os moradores e trabalhadores ao chegarem ao centro da cidade, o façam de pés inchados”.

E não é que, a partir daquele dia e até hoje, o Conjunto Urbis VI , tornou-se mais conhecido por “Pé Inchado”, local onde gosto de ir e ainda tenho muito amigos.

*Afranio Garcez é ex-professor, advogado, com diversas pós- graduações e especializações, escritor e membro efetivo da Academia Conquistense de Letras de Vitória da Conquista – Bahia.

8 respostas para “Crônicas de uma década: “Urbis VI ou Pé Inchado””

  • Caro Massinha, minhas congratulações por Afranio Garcez ter escolhido o blogdomassinha.com.br para publicar essa histórica crônica sobre o bairro que recebeu o pitoresco apelido de “Pé Inchado”, pela simples razão de seus moradores serem obrigados a caminhar, diariamente, 13 km para trabalharem no centro de Conquista e retornar à sua moradia.

    Até chegar ao desfecho da crônica, Afranio nos brinda com um saboroso passeio por um pedaço da história conquistense, exatamente um período do qual você e eu tivemos participação como vereadores e colaboradores na organização de entidades da sociedade civil de Vitória da Conquista e na discussão dos temas mais caros vividos pela sociedade de Conquista naquele momento, entre os quais destaco a Assembleia Nacional Constituinte de 1987, que nos deu como legado a Constituição Cidadã (como bem lembrou Afranio), promulgada em 05 de outubro de 1988.

    A Crônica de uma década: “Urbis VI ou Pé Inchado” me fez relembrar de alguns momentos especiais na nossa atuação na Câmara de Vereadores de Vitória da Conquista: 1)A derrubada da cobrança de IPTU em loteamentos fora do perímetro urbano (desobediência ao Plano Diretor Urbano); 2) O rompimento da Barragem Água Fria II quando do seu primeiro enchimento pela EMBASA; 3) O fechamento da Rio-Bahia para exigir a construção de quebra-molas da Serra do Peri-Peri até a Rodoviária Intermunicipal.

    Lembrar dos colegas vereadores também foi especial, especialmente daqueles com os quais eu tinha uma atuação parlamentar e política mais próxima: você, Ilza Matos, Prof. Everardo Públio de Castro.

    Parabéns a Afranio e a você, Massinha, na torcida para que venham outras crônicas tão apetitosas quanto “Crônica de uma década: ‘Urbis VI ou Pé Inchado’”.

  • Ronaldo Soares says:

    Belíssima digressão pela cultura, lugares e tipos de Conquista, como nós carinhosamente a chamamos. Os anos 80, de fato, foram recheados de histórias e estórias. Afrânio Garcez, dileto amigo e colega, um entusiasta da contagiante beleza conquistense, obrigado por esse presente, nesse momento tão desassossegado.

  • Elvarlinda da Rocha Jardim says:

    Muito prazerosa a leitura dessa crônica, o que não é surpresa para mim, ja que seu autor, Dr. Afrânio Garcez tem uma habilidade muito grande, quando se trata do uso da palavra, seja ela falada ou escrita.Apesar de tratar de fatos e ambientes de tempos idos de Vitória da Conquista, assim como lembranças de comportamentos de muitos dos habitantes da Cidade, a forma como o autor discorre nos faz dentir parte da própria história. Uma escrita leve, agradável e compromissada com a verdade. Fatos citados estavam guardados na minha memória, e de repente, vieram à tona. Parabéns, Dr. Afrânio. Continue firme na sua trajetória literária

  • Bruno Gabriel says:

    Como é bom ler estas hitórias sobre Conquista, que meu pai me conta. Como seria bom se eu tivesse vivido nesta época, mas o melhor mesmo é ser filho de um homem culto, leal, generoso e que sabe o que é e como se deve viver e lut

  • Bruno Gabriel says:

    Esta história e utras tantas, sempre escuto meu pai contar, cm fi a geração dele, as lutas, a história de Conquista. Tenho orgulho de ser filho de um grande homem, que se preocupa com tantas coisa que aconteceram e com o futuro da minha geração

  • Ronaldo Novais says:

    Os meus cumprimentos ao Excelentíssimo Senhor Dr.Afrânio Garcez pelo seu belíssimo texto e, ao torná-lo público, presenteia-nos com a arte. inicialmente, apresento minha admiração e respeito pela sua militância aos valores humanitários, por sua brilhante carreira profissional e, mais ainda, pela amizade construída. Três pontos me chamaram à atenção: 1. O valor histórico deste registro, rico em detalhes, que bem descreve a nossa cultura Conquistense, permitindo-nos reviver em dias pretéritos, como se estivéssemos extrapolando as leis da natureza e, literalmente, trilhando por caminhos de um saudoso passado. Revelo com muita satisfação que encontram-se vivas em minhas memórias muitas das informações contidas neste escrito, não obstante, não me encontro ainda na faixa etária dós sessentões; 2. A clara e evidente presença de um fenômeno tão necessário para a vida humana a “AMIZADE”. Não podendo omitir sua elegância ao utilizar palavras afetuosas destinadas a pessoa de Ubirajara Sampaio Mota; 3. Ele nos mostra o quanto é possível construir uma robusta biografia através de atitudes simples e, bem vivida, do cotidiano de qualquer cidadão. Nos faz entender que podemos superar diversidades, como a distância apresentada pela falta do transporte público da época e, ainda, que podemos sorrir dos próprios conflitos vivenciados quando os bem resolvemos. E, por fim, exalto a palavra LIBERDADE, que também por ele foi escrita em letras maiúsculas, acredito que objetivando enfatizar uma necessidade tão emergente na contemporaneidade Brasileira.
    Parabéns Dr. Afrânio, os moradores do Pé inchado, bem como, o nosso povo lembrará sempre da importância deste grande homem que se tornou imortal, também, pela nossa academia de letras Conquistense.

  • Ronaldo Novais says:

    Os meus cumprimentos ao Excelentíssimo Senhor Dr.Afrânio Garcez pelo seu belíssimo texto e, ao torná-lo público, presenteia-nos com a arte. inicialmente, apresento minha admiração e respeito pela sua militância aos valores humanitários, por sua brilhante carreira profissional e, mais ainda, pela amizade construída. Três pontos me chamaram à atenção: 1. O valor histórico deste registro, rico em detalhes, que bem descreve a nossa cultura Conquistense, permitindo-nos reviver em dias pretéritos, como se estivéssemos extrapolando as leis da natureza e, literalmente, trilhando por caminhos de um saudoso passado. Assim, revelo com muita satisfação que encontram-se vivas em minhas memórias muitas das informações contidas neste escrito, não obstante, não me encontro ainda na faixa etária dós sessentões; 2. Observa-se clara e evidente presença de um fenômeno tão necessário para a vida humana a “AMIZADE”, e não poderei omitir sua elegância ao utilizar palavras afetuosas destinadas a pessoa de Ubirajara Sampaio Mota; 3. Ele nos mostra o quanto é possível construir uma robusta biografia através de atitudes simples e, bem vivida, do cotidiano de qualquer cidadão. Nos faz entender que podemos superar diversidades, como a distância apresentada pela falta do transporte público da época e, ainda, que podemos sorrir dos próprios conflitos vivenciados quando os bem resolvemos. E, por fim, exalto a palavra LIBERDADE, que também por ele foi escrita em letras maiúsculas, acredito que objetivando enfatizar uma necessidade tão emergente na contemporaneidade Brasileira.
    Parabéns Dr. Afrânio, os moradores do Pé inchado, bem como, o nosso povo lembrará sempre da importância deste grande homem que se tornou imortal, também, pela nossa academia de letras Conquistense.

  • Robson says:

    Grande orgulho tenho de ser amigo do Dr Garcêz, figura ilustre que bem representa a cidade de Vitória da Conquista.

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alessandro tibo


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