Reflexão do nosso Leitor Oculto: “Normalidade ou Crise?”
É o terceiro artigo escrito e enviado ao nosso blog pelo nosso “leitor oculto”, que desta feita precisou selar o cavalo e montá-lo até o vilarejo mais próximo para conseguir sinal de internet e nos enviar um texto interessante para a degustação de quem acompanha o nosso blog diariamente.
Em falando de degustação, o invisível escritor deixou um almoço suculento e saboroso que devorava ao lado de três cabeças pensantes, segundo ele mesmo, todos focados no futuro da nossa cidade, querendo uma alternativa ou mesmo saber como acompanhar os passos da capital do sudoeste da Bahia após passar a pandemia que assustou todos nós. Veja o que ele teclou e nos enviou:
“Boa tarde, Massinha!
Ontem desloquei-me da Roça até o Arraial mais próximo, mesmo enfrentando muita chuva, montado em um cavalo para mim interagir com o mundo virtual do qual me encontro ausente pela falta de sinal telefônico e de internet no local do meu refúgio.
Li muitas matérias do seu blog. Percebo o enriquecimento do mesmo ante os textos por você publicado. Chamou-me demais atenção a sua movimentação para a criação do projeto social Abraça Conquista, pelo qual lhe parabenizo. Entretanto, ressalto os brilhantes artigos que li de Rodrigues Vieira e de Valéria Figueira , que passei a conhecer no seu blog.
Nestes tempo de isolamento procuro ler alguns livros que fazem parte da biblioteca da minha esposa, querendo entender as razões para o momento. Passei a vista em algumas obras dos filósofos: Platão, Sartre , Hannah Arendt, Aristoteles e Boaventura.
Mando-lhe em anexo um texto para sua apreciação!
Um abraço do seu amigo leitor e ouvinte oculto.
A PANDEMIA DO CORONAVÍRUS É UMA NORMALIDADE OU UMA CRISE?!
O Neoliberalismo começou a se prevalecer junto ao Capitalismo Dominante, deste meados do século passado, nos tornando mais e mais dependente do Sistema Financeiro, impondo-nos sempre as regras perversas do mesmo, não restando outra alternativa de sobrevivência no mundo democrático, fora das regras impostas pelo sistema.
Paradoxalmente, o mundo tem vivido em permanente estado de crise que pela etimologia da palavra deveria ser uma coisa passageira,superando as dificuldades e se tornando uma oportunidade para extrairmos lições para evitarmos crises futuras.
Entretanto a crise permanente tem um objetivo, que é não ser resolvida, permitindo assim cada vez mais a concentração de renda de determinados setores da nossa sociedade e ao mesmo a diminuição dos serviços sociais como saúde, educação e previdência social. Por isto, a atual Pandemia está apenas agravando uma situação que vem se arrastando a anos pelo Planeta.
Observamos também que no decorrer deste longo período de prevalência do Capitalismo, que os hábitos de viver dominantes são relativamente rígidos, como se estivéssemos acorrentados uns aos outros,igual os personagens do Mito da caverna, Metáfora escrita pelo filósofo Platão. É certo que paulatinamente ocorreram algumas mudanças que de tão diminutas e morosas passaram até despercebidas, alterando em quase nada o modo de viver dos cidadãos ao longo de todo este período.
Entretanto o surgimento de uma Epidemia como a que estamos vivendo, que aparece subitamente nas nossas vidas e de forma impiedosa, não se liga diretamente com a morosidade dos nossos costumes. Mudanças drásticas são exigidas. De repente nos damos conta que é possível vivermos fora das regras impostas pelo Neoliberalismo vigente, possibilitando ficarmos mais em casa, dedicando-nos mais à família, à leituras e livrando-nos da compulsão das compras que nos arrasta para um endividamento incontrolável e permanente.
Uma observação importante que tiramos do atual momento, é que as melhores alternativas de combate à Epidemia, foram alcançadas com aplicações de medidas repressivas. Os melhores resultados foram obtidos impondo-se o isolamento social obrigatório, uma prática incomum nas maiores democracias do mundo.
E o Brasil, de que maneira se encontra neste contexto do Coronavírus?!
Depois de vivermos 16 anos em regime sem regime, que nos alimentou de uma ilusão que a partir do primeiro ano de governo da mudança, iríamos acabar de uma vez por toda com as desigualdades sociais impostas pelo Neoliberalismo, porém, não passamos do assistencialismo para as classe mais desassistida, com medidas essencialmente eleitoreiras visando assegurar apenas votos para o projeto de perpetuação que se tornou o maior programa de corrupção já visto no mundo contemporâneo. Pequenas mudanças além do assistencialismo, se fizeram também nos primeiros anos de governo da esquerda corrupta, o ingresso de algumas camadas na sociedade de consumo, a abertura do ensino para pessoas de camadas financeiramente inferior, mas tudo isto ampliando a participação do Capitalismo na economia, que além de se beneficiarem, promoveram também os ilícitos que todos passamos a conhecer com o que se descortinou para a população sobre a relação público privada que desviou dos cofres públicos bilhões e bilhões de reais.
Vencida esta fase de governos socialmente corrupto, veio a eleição de Bolsonaro, que explicitamente foi eleito para iniciar um processo de depuração no sistema político e na administração pública brasileira, intensamente propagado na campanha fazendo-nos acreditar que mudanças viriam e realmente vieram. O governo desde o início, na arriar das malas, começou mostrar austeridade para enfrentar o rígido sistema corrupto que ainda prevalece no congresso nacional.
Fechou questão com o “toma lá dá cá”. Resistiu ao máximo na luta travada com a ala corrupta do congresso que encontrou no presidente da câmara, o empoderado Maia um forte aliado para enfrentar o governo Bolsonaro. Subliminarmente, o presidente da câmara, passou a agir para defender os interesses de grupos nefastos do congresso, principalmente o Centrão, grupo político demais conhecido no cenário político brasileiro, tamanho o fisiologismo do mesmo.
O envolvimento da família Bolsonaro, principalmente dos filhos, em escândalos anteriores a eleição, um dos quais conhecido como “RASPADINHA” revelados e exposto à nação brasileira graças a liberdade de investigação da imprensa brasileira somado com a incapacidade governo de enfrentar a ala podre do congresso que vem criando muitas dificuldades para Bolsonaro, deu início a derrocada do governo que também foi eleito para promover mudanças.
Com o surgimento da epidemia do Coronavírus, que se abateu sobre o mundo , aqui no Brasil, a reação do poder público embora lentamente, se mostrou eficaz. O ministério da saúde teve tempo de desenhar soluções para o combate ao Vírus. O empenho de Mandetta e de seus colaboradores ,passou para população segurança e credibilidade na equipe responsável pelos trabalhos desenvolvidos ao ponto da popularidade de Mandetta se tornar superior ao do Presidente.
Bolsonaro passou então a se desviar da preocupação que deveria ter com a crise da Pandemia e começou atacar as alternativas recomendadas pela equipe do ministério de saúde do seu governo, principalmente o isolamento social, tudo isto com receio do crescimento da popularidade de Mandetta. Desprezando totalmente o trabalho do ministério, passou então a banalizar a epidemia, a ponto de exonerar o ministro Mandetta, como é de conhecimento de todos. Na esteira desta atrocidade, começou comporta-se como um ditador. De olho em 2022, começou a por em prática sua intenção de salvar a todo custo seus filhos do imbróglio em que estão envolvidos: participação em milícia, caso Queiroz e por aí a fora.
A fragilidade do governo é tamanha que com certeza teremos momentos difíceis na nossa economia originados pela crise epidêmica e pela instabilidade gerada pelo comportamento de Bolsonaro à frente da nação brasileira.
Na obra literária da filósofa e cientista política, Hannah Arendt “Banalidade do Mal”,ela mostrou ao mundo um conceito que se tornou por demais conhecida tanto na sociologia como na psicóloga e no mundo dos intelectuais, ao reconhecer após assistir por completo o julgamento de EICHMANN, preso pelos judeus em 1960 em Buenos Aires onde vivia refugiado após a segunda guerra mundial, o conceito de “mal banal” e “mal enraizado.“
Apesar de ser judia, Arendt afirmou que EICHMANN cometeu apenas crimes banais pois era apenas responsável pelo trabalho de logística para encaminhar os judeus para os campos de concentração e posterior execução, quis assim dizer que ele apenas recebia ordens dos líderes do Terceiro Reich.Arendt só enxergou que EICHMANN era apenas um ser medíocre, cabendo-lhe apenas o conceito de mal banal pela função que desempenhou no movimento nazista e de mal enraizado para os líderes do nazismo pois suas ordens eram motivadas pelo ódio que tinham pelos judeus. Mesmo concordando com a condenação imposta a EICHMANN, Arendt atribuiu para ele apenas o conceito de “mal banal” pelos os atos por ele praticado. Isto rendeu a ela ,a indagação de toda comunidade judia!
Em analogia com o atual momento político brasileiro, cabe ao nosso presidente o conceitos de Hannah Arendt, intitulado de “mal enraizado”.Ele praticou um “mal enraizado ao desprezar os males da atual epidemia que ora devasta o Brasil e pelo ódio que tem de todos que podem interromper o seu projeto de poder.
Vamos aguardar o próximo julgamento a que se submeterá Bolsonaro, para sabermos que penalidade a ele será aplicada,pelos males que fez à nação brasileira!
A pergunta que não quer calar:
Para onde caminharemos?! tendo em vista que fomos vítimas, tanto do Socialismo Corruptos do PT como do Totalitarismo do Governo Bolsonaro!”















