E agora, Brasil?
Pois é, ainda bem que o futebol não é nosso único projeto de vida. É, talvez, a minha principal diversão. Gosto de assistir e de praticá-lo.
Tem muito “pseudo socialista” que diz que é contra o futebol, porque ele despolitiza, aliena. Ir a praia, tomar banho de rio, dançar forró, brincar carnaval e a própria religião são motivadores da inércia e da ignorância do nosso povo. Deus? “ELE é um forte ingrediente do nosso espírito de dormência”, imaginavam. Mas nunca me trouxeram ou apresentaram algo que substituísse a beleza das flores, da natureza, a nossa própria existência e também jamais falaram de algo tão motivador quanto torcer e jogar futebol. No fundo, no fundo, eles gostavam do futebol, torciam por algum time e até tentaram jogar, ficavam só na vontade, pois a cintura não acompanhava o desejo.
Quem não sabe que vários governos fizeram do futebol um “ópio”, usou e abusou da sua magia para alimentar a ignorância dos brasileiros? Desde 1970 quando o presidente Medici exigiu a escalação de Dario, centroavante do Atlético Mineiro, exímio cabeceador, mas só isso. Limitadíssimo como jogador, embora gente boa, ingênuo como Garrincha e o nosso Piolho, que não possuía condições técnicas de estar ao lado de Pelé, Jairzinho, Rivelino, Gerson e Tostão. A propósito deste último, um cracaço, inteligente, consciente e um dos artífices da conquista do Tri no México. Tostão era do Cruzeiro de Belo Horizonte, grande e eterno rival do Atlético de Dario.
Pois bem, e a Copa de 2014 no Brasil, usaram-na também para vantagens políticas eleitorais? E as arenas foram construídas dentro de um processo normal? Fizeram um bom uso do dinheiro público? Estão todas funcionando? Se não fosse o futebol, aí é que nós assistiríamos um país depressivo, um povo revoltado mais ainda, sem alegria e apenas uns poucos jogando golfe e tênis. “Vai, sacana, tira o dominó e os babas da galera pra você ver! Tira, nada”. A turma não está nem aí, ela não é besta não, ela vota em quem quiser, não quer nem saber se você é de direita ou de esquerda. Só precisávamos de mais cabeças pensantes dentro do futebol, dentro do campo, como foram Sócrates do Corinthians, Afonsinho do Botafogo, Reinaldo do Atlético Mineiro e Tostão do Cruzeiro, e aqui na Bahia podemos citar dois: Naldo do Conquista e Bobô do Bahia.
Estou triste, muito triste. Gosto de futebol demais para ficar fora da Copa. E o nosso time está tão bem, tão consciente, um grupo focado e unido, com um grande condutor a frente: Tite! Perdemos sem fazer vergonha. Poderíamos ter ganho, mas a Bélgica fez dois gols e nós apenas um. Poderíamos ter feito quatro ou cinco.
O problema agora é saber como resolver o problema da fome, da educação, da saúde e da violência no Brasil. Cuidem disso aí que do futebol cuidamos nós que gostamos e entendemos. Mas melhorou, pior era quando você ouvia dentro de casa: “vá trabalhar, moleque, bola não enche a barriga de ninguém” ou então ouvia na rua e nos colégios: “deixe de ser pequeno burguês, vá ler Marx, esquece o futebol”. Queriam que você vivesse diariamente com o espírito revolucionário, se possível com um fuzil na mão.
“Bem, amigos, até 2022, não foi desta vez, mas fica o sonho do Hexa”, diria Galvão Bueno que muitos criticam, mas só assistem o cara.















Artigo impecável em todos os sentidos..
Parabéns, Massinha!!!