Meus amigos, minhas amigas, eu não posso deixar de compartilhar com os nossos leitores esse pedido que minha filha caçula, Mel, me fez na manhã de ontem.

Tenho três filhas. A mais velha, Satyananda, tem 39 anos e é advogada. A do meio, Júlia, tem 24 anos e cursa Ciências Biológicas. E, por fim, Mel, de 16 anos, faz o ensino médio.

As três acompanham, dentro de casa ou nos lugares onde estou, minhas conversas sobre política, essa ciência, essa arte que tanto admiro e da qual tanto gosto. Elas conhecem minha postura como comunicador, e sempre digo a elas que procuro me conduzir com isenção total e absoluta. Talvez alguns identifiquem, em alguma matéria ou editorial nosso, uma preferência por um lado ou por outro. Mas, se isso acontece, é de forma inadvertida.

É lamentável que, no nosso país, as pessoas ainda tenham dificuldade de compreender que, no regime democrático, você tem o direito de se manifestar, mesmo que aquilo que diga seja completamente diferente do que o outro pensa ou pratica. Isso vale para as posições ideológicas, partidárias e para as diferenças de credo. Mas o debate tem se transformado numa guerra. A polarização nos colocou numa situação ainda mais perigosa: alguém se manifesta e corre o risco de ser hostilizado em um restaurante, numa igreja, numa reunião pública ou nas redes sociais.

Mas ontem eu fiquei feliz quando a minha filha Mel me disse: “Pai, quero participar desse momento político”. E eu fiquei orgulhoso e disse a ela: “Mel, você conhece como seu pai se conduz, não só como comunicador, mas também como cidadão”.

Sou uma pessoa definida politicamente. Quem me conhece sabe disso, e não é de agora. Nunca mudei minhas convicções, embora mudar de opinião não seja demérito algum. Você pode ouvir, refletir e ser convencido a pensar de outra forma. Mas, na política, continuo o mesmo de sempre e não tenho problema algum com minhas posições.

Ver uma garota de apenas 15 anos querendo participar nos chama a atenção, sobretudo num país em que a juventude tantas vezes é desvalorizada. Olha eu me colocando ainda na condição daquele jovem lá de trás! Sempre ouvimos: “O jovem é o futuro”. Mas o jovem é também o presente, e esse gesto da minha filha mostra isso.

Podem ter certeza de que existem milhares de outros jovens na cidade que, como ela, querem participar ativamente da nossa vida social e política. Precisamos ouvi-los e reconhecer essa disposição.

Minha filha, vá fundo, escolha seu caminho. Eu te oriento, converso sobre o que é a política e sobre como você deve proceder, mas a decisão é sua. Você é minha filha e tem apenas 15 anos, mas, quando chegar a hora de votar, quem decidirá seu voto será você.