“Entramos pela porta dos fundos. Que vergonha para o nosso país”, diz Gilberto Ferreira Luna em novo artigo publicado no Blog do Agito Geral

Mais um artigo do engenheiro Gilberto Ferreira Luna chega ao Blog do Agito Geral trazendo uma reflexão profunda sobre o atual momento político e social vivido pelo Brasil.
Com o título forte e provocativo “Entramos pela porta dos fundos. Que vergonha para o nosso país”, o texto apresenta um olhar crítico sobre os rumos da política nacional, o comportamento das lideranças públicas e o sentimento de frustração de parte significativa da população brasileira diante dos acontecimentos recentes do país.
Gilberto Luna, amigo de longas datas e colaborador frequente do blog, mais uma vez encaminha uma análise carregada de preocupação com o cenário nacional, sobretudo no que se refere à divisão política, ao desgaste institucional e à maneira como os debates públicos vêm sendo conduzidos nos últimos anos.
O artigo também traz reflexões sobre o povo nordestino, sua história de luta, migração e resistência, destacando o vínculo afetivo que muitos brasileiros mantêm com suas origens, mesmo quando deixam suas cidades em busca de melhores oportunidades em outras regiões do país.
Ao longo do texto, o autor demonstra preocupação com o clima de radicalização política e com o impacto que determinados comportamentos públicos acabam provocando sobre a sociedade, especialmente entre os jovens que acompanham o cenário político nacional.
A crítica apresentada por Gilberto Luna não se restringe a partidos ou grupos específicos, mas se amplia para uma análise mais abrangente sobre o ambiente político brasileiro e sobre a necessidade de retomada do diálogo, do equilíbrio e do respeito institucional.
O artigo convida o leitor à reflexão, defendendo uma leitura mais cuidadosa e menos apressada dos acontecimentos políticos e sociais do país.
Fica o registro e o agradecimento ao engenheiro Gilberto Ferreira Luna pela deferência em compartilhar mais uma vez suas reflexões com os leitores do Blog do Agito Geral.
Leia na íntegra:
“QUANDO O MÍNIMO VAI SE TORNAR O MÁXIMO ?
É impossível aceitar o paradoxo em que o Brasil está enfiado. Somos uma potência brutal da terra, do agronegócio e da mineração, com safras que alimentam o planeta e uma matriz energética de dar inveja a qualquer superpotência. Mas de que adianta tudo isso se a riqueza gerada aqui dentro nunca chega na mão do povo? O nosso sistema foi desenhado sob medida para funcionar como um funil invertido: ele suga o trabalho da massa e escoa todo o dinheiro para o topo, alimentando os privilégios e o luxo de uma minoria intocável. Mesmo quando o país teve governos progressistas, as conquistas reais foram mínimas — meras migalhas que serviram como anestesia, mas que nunca arranharam o núcleo duro do poder econômico e da desigualdade.
A destruição da nossa imagem no exterior é o reflexo exato dessa ruína que acontece aqui dentro. Hoje, o Brasil caminha para trás na geopolítica mundial. O ápice desse rebaixamento aconteceu na cena vergonhosa em que o atual presidente brasileiro foi recebido na Casa Branca pelas portas dos fundos. Essa entrada lateral, sem a pompa e o respeito que um chefe de Estado merece, foi um tapa na cara da nossa soberania. Um vexame internacional claro, que só não enxerga quem prefere fechar os olhos por pura cegueira ideológica.
Essa humilhação lá fora acontece porque o Brasil trilhou o caminho inverso de nações que souberam se levantar. Enquanto a China pós-Mao Tse-tung reorganizou sua economia focando na dignidade material do seu povo e virou essa potência global que assusta o mundo, o Brasil ficou preso aos fantasmas de 1964. Aquela ditadura militar não deixou nenhum legado positivo para as instituições; pelo contrário, os retrocessos daquela época pavimentaram o modelo espantoso que nos consome até hoje. O nosso atraso não é um acidente de percurso. Ele é o resultado de um Estado inteiramente sequestrado pela aliança podre entre o poder financeiro privado e as cúpulas dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.
A prova de que a engrenagem é criminosa está escancarada na história recente através de três grandes escândalos. Tudo começou com o Mensalão, que institucionalizou a compra de deputados e senadores com dinheiro público, transformando o Congresso Nacional em um balcão de negócios privados. Pouco depois, a Operação Lava Jato arrancou a tampa do bueiro ao revelar que um cartel de grandes empreiteiras tinha sequestrado a Petrobras, distribuindo propinas bilionárias para partidos de todos os lados políticos — um assalto monumental que acabou em impunidade, anulado pelas próprias brechas e filigranas de um Judiciário complacente.
Para coroar esse ciclo de impunidade, o país assiste agora ao Caso Banco Master, um rombo estimado em R$ 52 bilhões que já é o maior crime financeiro da nossa história recente. Sob o comando do banqueiro Daniel Vorcaro, a instituição fraudou balanços, quebrou o mercado e limpou os fundos de previdência que garantiam a aposentadoria de milhares de trabalhadores. As ramificações desse esquema em Brasília mostram o tamanho do buraco: o banco comprou proteção contratando escritórios de advocacia de parentes de ministros do Judiciário, pagou propinas milionárias para caciques do Legislativo aprovarem leis sob medida e chegou ao absurdo de financiar projetos privados de clãs políticos, usando agentes policiais corrompidos para espionar investigadores e abafar a verdade.
Diante dessa terra arrasada, este manifesto é um grito contra o conformismo. A limpeza desse sistema corrupto não vai nascer de falsas promessas ou de um salvador da pátria, mas sim quando o mínimo se tornar o máximo. A virada histórica vai acontecer na força de um núcleo mínimo de políticos sérios, de juízes que não se vendem e de cidadãos que cobram de cabeça erguida. Só a partir desse bloco ético intransigente vamos conseguir arrancar o Estado das mãos do capital podre, fazendo com que as riquezas desta terra voltem para o seu verdadeiro dono: o povo brasileiro.
Gilberto Ferreira Luna”















