O que poderia parecer improvável para alguns começa a ganhar contornos de realidade. Como já dissemos tantas vezes, a política é como nuvem, muda de lugar a qualquer instante.

A notícia mais recente é que o governador Jerônimo Rodrigues, candidato à reeleição, admite que está em diálogo com Elmar Nascimento, do União Brasil, para a possibilidade de compor sua chapa como candidato a vice nas eleições de 2026.

As conversas, segundo informações, tiveram início no último dia 27 e seguem avançando. Em declaração à imprensa, Jerônimo reconheceu que há, sim, a possibilidade de construção de um acordo político nesse sentido.

E é exatamente por isso que destacamos: existem dois lados, mas não necessariamente duas ideologias.

O cenário político nacional, sobretudo nos níveis mais elevados, como em Brasília e nas capitais, tem demonstrado um forte pragmatismo. As composições são feitas com base em estratégias eleitorais, na busca por uma chapa mais competitiva, capaz de vencer a disputa nas urnas.

A polarização existe, é real, mas nem sempre está ancorada exclusivamente em divergências ideológicas. Muitas vezes, o que prevalece é a articulação, o diálogo e a construção de alianças.

Claro que a militância mais ideológica observa tudo isso com inquietação. E é compreensível. A base, muitas vezes, deseja coerência absoluta, fidelidade às bandeiras históricas. Mas a política, na prática, se move por outros caminhos.

Em um país com as dimensões e a complexidade do Brasil, as alianças se tornam instrumentos de viabilidade política. O diálogo com diferentes campos passa a ser quase inevitável.

Com essa sinalização de Jerônimo Rodrigues, fica evidente que as conversas vão continuar, devem se intensificar e poderão resultar em uma composição que, até pouco tempo, parecia improvável. O que prevalece, mais uma vez, é o pragmatismo político.

E, como sempre, vamos aguardar os próximos movimentos.