Os caminhos estão cada vez mais abertos para a prefeita Sheila Lemos. Zé Ronaldo, prefeito de Feira, desiste de ser vice de ACM Neto. Zé Cocá, prefeito de Jequié, continua na espreita

Queridos leitores, eu aprendi desde cedo a confiar nas pessoas. Dizem que isso é coisa de quem vem do interior, e eu acredito que seja verdade. No interior, a palavra dada sempre teve um valor enorme. Muitas vezes, valia mais do que qualquer assinatura em papel.
Eu lembro bem quando ia às vendas, que eram os pequenos mercadinhos de antigamente, lá na minha querida Condeúba. Às vezes ia comprar mantimentos para os meus pais ou passava na padaria de seu Anito para buscar o pão. A gente pegava os produtos e dizia apenas uma frase simples: “anote aí, por favor”. E o dono do estabelecimento respondia com um gesto de confiança, um “tá certo” ou um simples aceno de cabeça.
Era a confiança de um lado e de outro. Eles confiavam em quem levava as compras, e nós confiávamos no que seria anotado na caderneta para pagar no final do mês.
Esse valor da palavra eu carreguei para a minha vida profissional. Durante muito tempo, quando trazia artistas para eventos em Vitória da Conquista, quase tudo era resolvido na base da confiança. Contratos formais vieram depois. Antes disso, muitas vezes bastava a palavra empenhada entre as partes.
Até hoje confesso que me sinto constrangido quando alguém que considero amigo precisa provar aquilo que disse, seja assinando documentos ou gravando mensagens para confirmar compromissos. Talvez seja uma visão antiga, mas continuo acreditando na força da palavra.
E é justamente com base nessa reflexão que entro no tema político do momento.
Desde o início das conversas sobre a composição da chapa de ACM Neto para disputar o governo da Bahia, a prefeita de Vitória da Conquista, Sheila Lemos, foi direta. Disse publicamente que, se fosse chamada, aceitaria o desafio de ser candidata a vice-governadora.
Ou seja, colocou o seu nome à disposição do grupo político.
Já o prefeito de Feira de Santana, Zé Ronaldo, uma das figuras mais experientes da política baiana, acabou recuando dessa possibilidade. Zé Ronaldo tem uma trajetória consolidada e está no seu quinto mandato como prefeito. Naturalmente, tem o direito de disputar novamente o cargo e dificilmente abriria mão dessa possibilidade para entrar em uma disputa como vice.
Outro nome citado nesse tabuleiro político é o do prefeito de Jequié, Zé Cocá. Ele, no entanto, continua numa posição de observação. Não fez um movimento definitivo nem para um lado nem para o outro. Permanece acompanhando os acontecimentos, aguardando o desenrolar das articulações.
Nesse cenário, muitos podem interpretar essa postura como prudência política. Outros podem entender como uma decisão que ainda não foi tomada.
Com a saída de Zé Ronaldo da disputa pela vice, os caminhos parecem cada vez mais abertos para Sheila Lemos. Caso o seu nome seja confirmado para compor a chapa de ACM Neto, ela deixaria o comando da prefeitura e o vice-prefeito Alan assumiria a administração municipal.
Alan já demonstrou estar preparado para essa possibilidade. Ele tem uma relação política sólida com a prefeita, faz parte do grupo e goza da confiança da gestora.
Portanto, amigos, neste momento tudo depende da decisão final de ACM Neto e das articulações políticas que estão acontecendo nos bastidores.
Pode ser que a escolha já esteja definida há algum tempo e ainda não tenha sido anunciada oficialmente. Na política, muitas vezes as decisões são tomadas antes, mas aguardam o momento certo para serem reveladas de forma solene.
O fato é que Sheila Lemos surge hoje como um nome cada vez mais forte nesse cenário.
Vamos aguardar os próximos capítulos dessa movimentação política que certamente marcará as eleições de 2026 na Bahia.















