O tabuleiro político da Bahia ganha contornos surpreendentes e pode pegar muita gente de surpresa. Parece grandes clubes se preparando para o Campeonato Brasileiro.

Eu me lembro muito bem da preparação dos times amadores de Vitória da Conquista para a disputa do campeonato municipal, jogado no campinho de terra, com um pouco de grama, do Estádio Edvaldo Flores. Era uma movimentação incrível dos clubes, procurando jogadores para fichar, ou seja, para inscrever suas equipes junto à Liga Conquistense de Desportos Terrestres.
Quando se encerrava o período de inscrição, lá na sede da liga, as surpresas apareciam. Você imaginava determinado jogador no Santos, no Aliança, no Massicas, no Grêmio, no Comercial, no Bahia de Guimarães, enfim… e, de repente, surgiam as surpresas.
Agora, imaginem o Campeonato Brasileiro. Os grandes clubes, como Vasco, Flamengo, São Paulo, Corinthians, Botafogo, Atlético Mineiro e tantos outros, buscando jogadores no mercado nacional e até internacional para fortalecer seus elencos e disputar o campeonato em condições reais de levantar a taça e, evidentemente, fazer a alegria das suas torcidas.
É exatamente assim que está o cenário da disputa eleitoral para a sucessão do governo do estado da Bahia. Cada hora, cada minuto, cada segundo, surge uma mudança, um burburinho, às vezes até um devaneio. Mas não se iludam.
Nos bastidores, longe dos holofotes, discutem-se formações de chapas. Por mais inesperadas que possam parecer aos olhos do eleitor, do cidadão comum, essas articulações fazem parte do jogo político. Partidos, deputados, senadores e governadores conversam, negociam e ajustam posições, porque isso é inerente à vida política.
E aquela ilusão da militância de que existe fidelidade absoluta dos representantes às diretrizes partidárias e aos princípios ideológicos precisa ser revista. Isso já não é mais uma realidade presente na política brasileira.
Existe, sim, uma militância que permanece fiel às suas origens e que gostaria que tudo fosse assim, linear, previsível. Mas prestem atenção: pode surgir uma chapa totalmente inesperada na sucessão governamental da Bahia, com mudanças que hoje parecem absurdas, mas que são plenamente possíveis, especialmente diante da insistência do Partido dos Trabalhadores em formar uma chapa puro-sangue, algo que, por sinal, é um direito legítimo do partido.
A política, como o futebol, é dinâmica, imprevisível e, muitas vezes, surpreendente.
















