O professor Durval Menezes é um dos mais renomados intelectuais de Vitória da Conquista. Memorialista, escritor, historiador, é um conquistense que ama profundamente a sua cidade. Sempre é consultado quando o assunto envolve a história do nosso município, a literatura e as artes, que são, sem dúvida, a essência da sua vida.

Foi ele quem destacou a importância da posse de Xangai, nome artístico de Eugênico Avelino, ocorrida recentemente na Academia Bahiana de Letras. Xangai, secretário de Cultura, cantador, violeiro e poeta, é um dos maiores representantes da música nordestina raiz, sendo reconhecido nacionalmente como defensor e divulgador dessa expressão cultural tão autêntica.

Durval Menezes afirmou, com propriedade, que Xangai enobrece ainda mais a Academia, espaço onde a intelectualidade baiana se reúne para discutir cultura, literatura e arte. E ele tem razão.

Ao lado de Elomar Figueira de Mello, Xangai representa uma vertente da música que toca profundamente a alma do sertanejo, do homem do campo, do nosso povo. São artistas que traduzem, em versos e melodias, a essência do interior, da caatinga, das nossas raízes.

Quando um nome como Xangai alcança esse nível de reconhecimento, todos nós, seus conterrâneos, sentimos orgulho. É o reconhecimento de uma trajetória construída com talento, autenticidade e compromisso com a cultura.

Vivemos tempos em que a música segue por diversos caminhos, todos legítimos, todos merecedores de respeito. Mas é inegável que artistas como Xangai e Elomar fazem falta, pela profundidade, pela poesia e pela identidade que carregam.

Parabéns, Xangai. Você é merecedor. Não lhe fizeram favor algum. Como bem disse o professor Durval Menezes, você abrilhanta ainda mais aquele ambiente de intelectualidade.

Cantador, violeiro, poeta e contador de causos, você é, sem dúvida, um patrimônio vivo da nossa cultura.