Jerônimo Rodrigues tenta segurar Ângelo Coronel na base do governo, embora o senador do PSD já tenha decidido ir para o União Brasil. Ou seja: o leite já derramou.

A política é, sem dúvida alguma, algo apaixonante. As movimentações acontecem o tempo todo e, a cada dia, a cada semana e a cada mês, surge uma novidade. E a gente não pode dar como definitiva uma coisa que se fala ontem, hoje ou amanhã. Tudo é imprevisível, porque os movimentos são muitos, ainda mais quando se trata de segurar a base de um governo que, há vinte anos, está à frente da administração de um estado tão importante quanto a Bahia.
Jaques Wagner e Rui Costa têm suas razões em querer deixar tudo resolvido. Eles sabem que a situação envolvendo o afastamento de Coronel já vinha se desenhando há algum tempo, seja por ter sido preterido, seja por não ter conseguido se entender com o PT e os demais partidos da base.
Aceitar uma suplência, ficar na espera de uma vaga eventual, depender de cenários futuros… isso não combina com o perfil de quem quer disputar voto, andar nas ruas, pedir confiança ao eleitor. E Coronel pensa assim. Ele acredita no próprio capital político e quer ir para a urna. É um direito legítimo.
Só que política não é como a gente quer, nem como imagina que deva ser. Política é surpresa.
Ao mesmo tempo, há quem precise agir. E Jerônimo cumpre o papel dele. Como governador e líder do projeto, tenta conter a saída. Sabe que perder Coronel agora significa muito mais do que perder um nome. É perder musculatura política, perder tempo de televisão, perder capilaridade no interior.
E não se trata nem de ideologia. Vamos ser francos. Não é debate ideológico. É projeto de poder.
De um lado, Jerônimo quer a reeleição. Do outro, ACM Neto tenta voltar ao protagonismo e conquistar o governo do estado, repetindo a história da própria família na política baiana.
Nesse tabuleiro, cada peça conta. E Coronel é peça grande.
Mas, sinceramente, creio que, neste momento, já seja tarde demais. Como dissemos na manchete: o leite já derramou.
Jerônimo faz o que precisa ser feito, conversa, articula, tenta recompor. Só que, quando a decisão já foi tomada do outro lado, a margem de retorno é mínima.
Porque, se perder a reeleição, não é só um mandato que se vai. Pode se desfazer todo um grupo político que governa a Bahia há duas décadas. E aí, meu amigo, ninguém sabe como ficará o dia seguinte.
Agora é aguardar os próximos capítulos dessa novela bem baiana, cheia de reviravoltas, chamada política.
















