Nós acompanhamos a política brasileira há muito tempo. E sabemos que é quase impossível os municípios trabalharem sem o apoio do Estado e também sem o apoio do Governo Federal, até porque a Constituição assim determina: os dois entes, o federal e o estadual, devem estar pactuados com os municípios. Isso está na Constituição.

Isso é uma regra, é mais do que natural. Existe, evidentemente, a lógica de que os parceiros, os partidos que elegem os seus prefeitos, contem com eles para as eleições seguintes. Mas é sabido também que motivações políticas e rompimentos são naturais dentro do quadro partidário nacional.

Não há, realmente, uma lógica rígida para que um prefeito, só porque defendeu o seu partido naquele instante — estiveram em palanques juntos, trabalharam para vencer as eleições — permaneça atrelado a esse grupo indefinidamente. A maioria dos municípios não tem condições de sobrevivência sem o apoio que já mencionamos: o dos governos federal e estadual.

Daí ser natural que vejamos uma “debandada” pós-eleição de prefeitos que vão em busca de apoio dos governos. E principalmente aqui na Bahia, temos assistido agora a um número incontável de prefeitos que estão rompendo com suas bases — mesmo tendo vencido as eleições — e estão sentando com o governador Jerônimo Rodrigues para dar seguimento aos seus projetos. Eles sabem que as arrecadações municipais não lhes permitem atender, sozinhos, as demandas da população. E é isso que estamos vendo.

Na verdade, estamos vendo prefeitos sentando com o governador Jerônimo, que, aliás, é de uma habilidade fora do comum. Ele tem feito um trabalho de aproximação com seus adversários nas eleições passadas e tenta, naturalmente, atraí-los para sua base. Isso é natural. Todos fazem isso.

E é bom que se diga: a prefeita Sheila Lemos não está fazendo diferente. Assim que assumiu a Prefeitura de Conquista, ela trocou ideias, bateu papo, apertou a mão de Fabrício, principalmente, e também dos deputados Waldenor e Zé Raimundo — além do próprio ex governador Rui Costa — para tentar mostrar que a política é feita de momentos e que o republicanismo é fundamental para que as coisas frutifiquem.

Portanto, no caso da prefeita Sheila Lemos, não se trata de uma adesão: ela está, na verdade, procurando manter uma relação respeitosa e institucional com todos os entes.