O mestre Marcos Ferreira comenta sobre o Famus
“Nos dias 15, 16 e 17 de outubro (2021) participei como jurado no II Festival Arte e Música da Unimed Sudoeste (FAMUS), em Vitória da Conquista/BA.
O Festival contou com duas categorias: Autoral e Intérprete. A primeira envolve também interpretação, porque os autores cantaram suas próprias músicas. E ai deles se não interpretassem bonito…
Pois bem, foram três premiações em cada categoria: 1o, 2o e 3o lugar.
A escolha dos premiados passou pelo crivo do júri, composto de quatro membros: Del Feliz, Pierre Onassis, Sarajane e Marcos Ferreira (euzinho); e do voto popular online. Os votos do júri tinham peso 4 e os votos do público tinham peso 6.
Foram três dias de muita música e alegria. Mas também de decepção para aqueles(as) que fizeram uma boa apresentação, mas não foram premiados(as). Não vou listar os(as) premiados(as), porque essa é uma informação simples de conseguir nas redes sociais e no site do festival: famus.unimedsudoeste.com.br
No meu entendimento, mais importante do que os prêmios, foram as vitórias conquistadas a partir do festival, ou seja, quero refletir um pouco sobre quem são realmente vencedores do FAMUS 2021:
- Venceram aqueles(as) que conseguiram dedicar parte do seu tempo para gravarem uma canção e concorrerem no Festival. Os 196 músicos que fizeram isto venceram o medo e conquistaram a autoestima. A arte já tem um lugar importante na vida dessas pessoas.
- Foram vencedores os 16 participantes das provas semifinais, 8 em cada categoria. Venceram porque foram selecionados em uma eliminatória composta por gente também apaixonada pelo fazer artístico, gente que vive da e pela arte.
- Uma outra grande vencedora foi a cena musical conquistense. Para a maioria dos artistas envolvidos o palco do FAMUS foi a primeira oportunidade de apresentação pública desde que começou a pandemia.
- A Unimed Sudoeste foi vencedora por colocar o FAMUS como uma de suas atividades.
- Venceram a paz e harmonia. Não vivenciei e não fui informado sobre qualquer desavença e desrespeito. Havia uma atmosfera muito boa no ar. Ressalto que trabalhar ao lado de artistas como Sarajane, Pierre Onassis e Del Feliz foi um privilégio. Aprendi bastante com eles. Gente do bem e bonita!
- A coragem foi a menina dos olhos desse festival. No meu caso venceu a coragem de sair de casa à noite, a coragem de encontrar pessoas, a coragem de apertar a mão de alguém (mesmo correndo para usar álcool em seguida de cada toque). Durante a pandemia desenvolvi o medo de gente, mas, durante o FAMUS atestei que meu problema tem cura.
- Venceu a autoestima dos músicos e de outros profissionais, com a possibilidade de ganhar dinheiro com arte. A Unimed informou que aproximadamente 100 profissionais trabalharam para que o festival acontecesse.
- Venceu o olhar sensível da Unimed Sudoeste com a doação de 3.600 pacotes de absorventes feminino. Um recado bem dado de que este é um item de necessidade básica e indispensável às mulheres.
- Vencedoras foram as mulheres! Representadas pela beleza da mulher baiana, pela força do movimento feminista, pela leveza e sensualidade da dança, pela sabedoria na escolha de temas com emblemas da mulher indígena e da mulher negra!
- Por fim, considerando o ecletismo, a multiplicidade, a heterogeneidade e a pluralidade de gêneros musicais e artistas apresentados no festival, ouso afirmar que a mais importante vencedora do FAMUS 2021 foi a DIVERSIDADE. Apresentaram-se no palco da Arena Miraflores nos dois dias de semifinais um quantitativo equilibrado de mulheres e homens. Nos dois grupos havia homossexuais, negros e pessoa com deficiência. Uma das bandas trouxe como vocalista uma mulher trans. Foi lindo perceber que todes circulavam livres e em segurança, como deve ser.
Que chegue o tempo no qual a convivência com as diferenças seja comum entre todos os seres sociais.
Abraços afetuosos, Marcos Ferreira.”
















