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A madrugada de 31 de março de 1964 é, sem dúvida, um dos fatos mais marcantes da vida brasileira no século XX. Apoiada pelos Estados Unidos que, após a inesperada Revolução Cubana, passou a temer qualquer possibilidade de expansão do socialismo na América Latina, parte das forças armadas uniu-se a setores civis conservadores e realizou um golpe que derrubou da presidência João Goulart. Jango, como era conhecido o presidente deposto, estava iniciando um processo de reformas estruturais, como a educacional, a política, a fiscal e a agrária, coisa que à época poderiam insinuar uma aproximação aos regimes de esquerda. De fato, sentindo-se cada vez mais pressionado pela direita, Jango passa a realizar comícios com uma linguagem cada vez mais popular e agressiva, atraindo sindicatos, agremiações estudantis, artistas e setores que defendiam uma maior independência relação à influência norte-americana. Com sua deposição, o Brasil vivenciou um regime de exceção, principalmente com a decretação do AI-5 em dezembro de 1968 (sendo aplicado de fato a partir de 1969). Caracterizado pela censura, perseguição política, tortura e prisões arbitrárias, o AI- 5 endureceu o regime. A esquerda reagiu com assaltos a bancos e sequestros, tendo como um dos sequestros mas icônicos, o do embaixador norte-americano Charlhes Elbrick, objetivando trocá-lo por presos políticos.  Não há nada o que se comemorar desse período, exceto a arte que se produziu nele (apesar dos olhos e garras da censura)  e a maravilhosa atuação da seleção canarinho na copa de 70. Nem mesmo “O milagre brasileiro” que deu a classe média num curto intervalo de tempo uma sensação de bem estar, através do consumo de novos produtos importados que surgiam esfuziantes pela inovadora Televisão. Enquanto comemorávamos o Tri, nos encantávamos com as novelas e consumíamos os novos eletrodomésticos pagos em suaves e duradouras prestações, crianças, mulheres, estudantes e homens, em nome do Estado, eram sumariamente mortos ou cruelmente torturados. Cabe a nós conhecermos mais sobre o período, principalmente para bloquearmos, desde a raiz, qualquer delírio que o defenda. Não há melhor regime do que o democrático.

Deixo aqui uma canção do Projeto História Cantada – Não se podia falar… (Gerson Guimarães) – canta: Gerson Guimarães

Também vou deixar algumas dicas para se conhecer melhor o período:

Vídeo disponível no YouTube:

O dia que que durou 21 anos

https://youtu.be/ltawI64zBEo

Filme disponível no YouTube:

O que é isso companheiro?

https://youtu.be/-VZIxXjg6pM

Livro – O Grande Irmão (Carlos Fico)

Livro – Memórias de uma Guerra Suja (Cláudio Guerra)