O que é ser humano
Por Dr. Afranio Leite Garcez*
Foi com lágrimas nos olhos que o diretor da Organização Mundial de Saúde, Tedros Adhanom, nascido em 3 de março de 1965 na cidade de Asmara, na Eritreia – que até 1993 era parte da Etiópia -, Adhanom tem doutorado em Saúde Comunitária pela Universidade de Nottingham e um mestrado em Imunologia de Doenças Infecciosas pela Universidade de Londres, ambas no Reino Unido, e eleito diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2017, mas só, recentemente, ficou mais conhecido entre o público em geral, por causa dos discursos quase diários para relatar a situação da pandemia do novo coronavírus no mundo. Tedros Adhanom Ghebreyesus, de 55 anos, se tornou o rosto da luta global contra a doença, fez uma pegunta numa reunião da entidade que aos seres humanos como eu por exemplo causou impacto ao questionar: “Porque é tão difícil seu humano”.
A resposta, com base na etimologia da palavra é o termo utilizado nas ciências para caracterizar a espécie viva evolutiva que se difere das demais por possuir inteligência e razão, oriundo da evolução, e que dá origem ao “homo sapiens”. Um ser humano pertence à espécie conhecida como Homo sapiens, que segundo a Teoria da Evolução é o resultado do processo evolutivo dos primatas conhecidos como hominídeos. A espécie humana representa o mais alto nível de complexidade da escala evolutiva. O cérebro desenvolve-se de maneira que seja capaz de realizar diversas atividades que exigem raciocínio, além de elaborar pensamentos criativos, abstratos, teorias e de outros tipos. Este desenvolvimento cerebral, associado à estrutura corporal composta por tronco ereto, cabeça, membros superiores e membros inferiores, possibilitou aos seres humanos a utilização dos braços para a manipulação de ferramentas e objetos para sua sobrevivência. Os seres humanos também constam entre os animais com características celulares que os permitem ser uma das espécies com maior tempo de vida. Não é raro um ser humano chegar a viver até além dos 100 anos em alguns casos, ainda que seja a única espécie que tem consciência da sua morte.
Em outra vertente, teologia se interessa por tudo o que diz respeito ao ser humano e ao modo como ele se manifesta no mundo. Por isso, toda teologia está relacionada a uma antropologia e isso não é algo do qual possamos abrir mão. Precisamente, o Deus que se manifesta e se revela na plenitude dos tempos, assim o faz na pessoa de Jesus, nos seus condicionamentos históricos e temporais. Nesse sentido, a teologia precisa ser lida na chave da humanidade de Deus, à luz da qual deixa transparecer o destino para o qual o ser humano foi criado. O salmo 8 é um canto de admiração a Deus pela beleza da criação. No centro desse salmo, no versículo 5, está uma pergunta crucial para o ser humano: “O que é Senhor o ser humano?”. Essa pergunta manifesta o espanto humano diante da percepção de si mesmo em face do seu enigma e mistério. No fundo, trata-se de uma provocação à própria existência. É sabido que a dimensão religiosa constitutiva da humanidade fez com que ao longo das épocas as pessoas procurassem as religiões no intuito de obterem respostas mais consistentes sobre a vida. No entanto, esse movimento é bastante interessante porque revela a compreensão que o ser humano possui da transcendência. No fundo, o mundo imediato e material não é e nunca foi suficiente para dar conta da sede de sentido que todos possuímos. Por isso, a pergunta feita no salmo não somente quer pensar o gesto criador de Deus, mas o lugar que o ser humano ocupa na criação.
O filósofo cristão Santo Tomás de Aquino (1225-1274), ressaltou, sobretudo, a singularidade da pessoa humana, distinguindo-a de todos os demais seres pela sua completude, incomunicabilidade, especialidade e racionalidade. Noutra linha, a definição de pessoa proposta por John Locke que, até hoje, permeia as discussões no campo da filosofia: “um ser pensante, inteligente, dotado de razão e reflexão, e que pode considerar-se a si mesmo como um eu, ou seja, como o mesmo ser pensante, em diferentes tempos e lugares”, põe em destaque as características da autoconsciência e da capacidade de “reconhecer-se a si mesmo, agora, como o mesmo eu que era antes; e que essa ação passada foi executada pelo mesmo eu que reflete, agora, sobre ela, no presente”. Na expressão ser humano, pode ocorrer, também, a junção do verbo ser com a palavra humano: Ser humano é ser capaz de raciocinar. É importante ser humano e bom para todas as pessoas e criaturas.
Você pretende ser humano? Ou continuará sendo desumano com tudo e todos. Não sei se me faço compreender com minha inquietude nos tempos atuais de pandemia, de medo, de egoísmo, desmandos, corrupção, fome, miséria de toda sorte, o fato é que as palavras do Dr. Tedros Andhanon me tocaram profundamente, e me fez e faz ainda maior e melhor. Enfim eu posso me auto denominar Dr. Tedros, SOU HUMANO, SOU HUMANISTA!
*Dr. Afranio Leite Garcez é Advogado, pós graduado em Direito, ex-professor, escritor, cronista, membro efetivo da Academia Conquistense de Letras.
















Bom dia leitores!
Bom dia Dr. Afrânio!
Nos dias atuais, torna-se difícil definir o que seja Ser Humano, ante a diversidade de comportamento, um misto de desespero e indiferença, a que apontam como culpado o Corona vírus. O que na verdade sabemos ser o próprio ser humano, que , movido, muito mais pelo orgulho e vaidade que por amor, limita a própria compreensão do que seja Ser Humano, na verdadeira essência da palavra.
O autor que o caro amigo busca como ponto de partida da sua crônica, com certeza, tem muitos mais para trazer à luz do conhecimento daqueles que, como o querido e sábio confrade, tem sede do saber.
Será que somos verdadeiramente humanos? O caro cronista, no seu excelente texto, define-se como tal, porque assim se sente e assim se mostra. E à nossa volta, diante de tantas atrocidades, estarão sendo todos humanos no campo dos sentimentos?
Parabéns pelo excelente texto. Com certeza, outros virão.
A Academia Conquistense de Letras agradece pelo seu cumprimento do dever em semear o conhecimento e a sabedoria enquanto membro acadêmico e amigo daquela Entidade.