“PCdoB não perderá a identidade”, afirma Elias Dourado
É muito comum a mudança de nomenclatura das siglas partidárias no Brasil. O DEM já foi PDS, ARENA, o MDB chamava-se PMDB, que na origem era o mesmo MDB de hoje. Um fraco desempenho eleitoral em determinada eleição, ou ainda a perda de identidade junto à sua militância faz com que os dirigentes recorram a outras “letrinhas” e criem uma nova agremiação para tentar reaglutinar os filiados e seguidores, mas quase sempre não dá em nada.
São inúmeros os partidos políticos, talvez só perdemos para o número de clubes de futebol. São partidos demais, desde os grandes, passando pelos menores, pequenos, os nanicos, que quase sempre se colocam à disposição para um bom negócio, não são todos, claro.
A propósito, não se constrói mais partidos como antigamente, no qual os diretórios eram definidos em convenções com chapas inscritas e debates filosóficos de altíssimo nível. Hoje não, com raríssimas exceções, as “comissões provisórias” são formadas por telefone e o diálogo é mais ou menos assim: “Zeca, cê tá onde? Mande seu nome completo e sua RG, vou colocar seu nome na direção do partido aqui, viu?” E por aí vai.
Sobre ações que os partidos enxergam para melhorar a sua relação com a população e também garantir uma melhor performance nas eleições, o PCdoB, sigla quase centenária, teve o seu nome envolvido em uma situação que vem recebendo críticas, principalmente dos eleitores adversários: “vai enganar quem?” Assim muitos se pronunciaram quando leram que o PCdoB, que tem o deputado Fabrício Falcão como pré-candidato à prefeito de Vitória da Conquista, “vai retirar do nome as palavras comunista e partido, além de deixar de fora os dois símbolos, a foice e o martelo. Em substituição virá Movimento 65”.
Para tirar dúvidas e saber mesmo o que está acontecendo, procurei o professor Elias Dourado, presidente municipal da sigla em Conquista. Ele me respondeu com as seguintes palavras a minha indagação:
“Sim. Claro. Nada disso é verdadeiro. Não mudamos nome, nem programa, nem estatuto. O que é verdadeiro é que criamos o Movimento 65 para dar mais visibilidade ao NÚMERO 65. Apenas uma estratégia de marketing muito válida e significativa, principalmente neste contexto de afirmação das legendas partidárias com o fim das coligações para vereadores e deputados. O PCdoB continua firme e forte, com a mesma amplitude de ação e aberto a filiar a todos e todas que se identificam com suas propostas e com o Movimento 65.”
Elias também sugere a leitura de uma resposta da deputada Jandira Fegali, vice líder do partido na Câmara, quando também foi questionada sobre o assunto:
“Tenho orgulho de ser comunista, assumo essa posição há 40 anos. O PCdoB não vai mudar de nome, nem de cor, apenas criamos o Movimento 65 com o objetivo de comunicar melhor com a população nas eleições municipais do próximo ano. É apenas uma estratégia de campanha para fortalecer o nosso número, o 65”.
Ao finalizar, Elias destacou: “em 2022 estaremos comemorando 100 anos de fundação, faremos uma grande festa nos quatro cantos do país!”
















