JOSÉ MARIA ALVES CAIRES

Foto: Ascom Câmara

Zé Maria Caires é uma das grandes personalidades de Vitória da Conquista, ex-prefeito de Dom Basílio, corre no seu sangue a veia política e também o seu perfil empreendedor.

BM: Por que você escolheu Vitória da Conquista

ZM: Era um projeto chegar à Vitória da Conquista e fiz um caminho longo para vir até aqui. Primeiro fui prefeito de Dom Basílio, minha terra natal, só que antes de me tornar prefeito era funcionário do Banco do Estado da Bahia (BANEB) e quando sai da prefeitura voltei à função de bancário, e fui para cidade de Ibicoara que era bem mais próximo da cidade de Conquista do que Dom Basílio.  Nisso, o banco me promoveu para cidade de Livramento de Nossa Senhora, onde eu fui gerente por um período, dois anos depois, sendo chamado para ser gerente na cidade de Brumado com uma agência maior, e posteriormente Guanambi. Foi então que em 1994 para minha felicidade que o banco me promoveu para uma das unidades aqui em Vitória da Conquista, onde permaneci no banco até o ano de 2000, seis anos, portanto. Tenho 21 anos que resido aqui no município, fui homenageado com um título de cidadão conquistense, e hoje a cidade é para mim a minha segunda casa depois do local onde nasci. Aqui tive grandes oportunidades de poder crescer.

BM: Qual foi o seu primeiro negócio implantado aqui na cidade?

ZM: A motivação de ter saído do banco foi justamente a agência de viagens. O Banco do Estado da Bahia (BANEB), do qual tive a felicidade de fazer parte por 20 anos foi vendido para o Bradesco, e a nova empresa que incorporou as agências tinha uma filosofia que a dedicação teria que ser exclusiva. Mas, já na época tinha a agência de viagens e o banco me pressionou para que encerrasse as atividades paralelas, cheguei a relutar, mas, o banco fez com que escolhesse e nessa decisão optei pela minha empresa Maxtour.   A atividade principal da gente foi a empresa Maxtour, logo em seguida, a livraria Nobel e a locadora de veículos. Fomos ampliando e com a gestão cuidadosa e segura estamos estabelecidos na cidade completando 15 anos de existência e temos uma credibilidade no mercado e município.

BM: Você adquire a empresa da Dona Gerusa, figura ilustre da sociedade conquistense que prestou inúmeros serviços à cidade de Vitória da Conquista. O estabelecimento é passado  das mãos dela para você que mantém o nome original do empreendimento talvez até por homenagem e depois você renomeou para Maxtour. Como foi esse momento?

ZM: A Gerusa foi uma pessoa importante na nossa vida como figura humana, muito querida aqui em Conquista e estava passando por uma dificuldade na época, tendo que se desfazer da Gerusa Turismo. Nós permanecemos sob o nome original da agência e inclusive com ela trabalhando lá no atendimento aos clientes, foi uma aquisição importante para gente, pois, era uma empresa com 25 anos de mercado e uma credibilidade ímpar. A própria figura da Gerusa tinha um grande respaldo perante a sociedade, como profissional, empresária, foi também membro da Academia Conquistense de Letras, fez parte da CDL, foi uma pessoa muito influente na cidade e que nos deu um voto de confiança que foi talvez o nosso ponto de crescimento com a junção e fusão dessas duas empresas.

BM: A Livraria Nobel foi também um espaço que contribuiu e muito para o despertar desse segmento e com um conceito de trazer os pensadores, os professores para esta realidade, vocês propiciaram um espaço importante para difusão dessa prática, juntamente com outras livrarias que aqui já existiam.

ZM: A livraria nossa é diferente das outras do ramo por isso até que não conflitamos com os outros empreendimentos do mesmo segmento no mercado. A gente não mexe com a parte de papelaria e materiais escolares, somos voltados para literatura e isso nos diferencia dos outros estabelecimentos. A gente abre espaço também para eventos temáticos, como a “Noite do vinho”, nessa ocasião vendemos livros que falem dessa temática, ou o vinho que se consome em Portugal e lançamentos de livros regionais.  Temos vendido bastante livros, a cidade se destaca pelo consumo de obras literárias e isso tem sido muito positivo, existe um espaço principalmente pela existência  de faculdades e instituições de ensinos que fazem da nossa cidade um polo educacional e precisa de estabelecimentos especializados para atender esse mercado.

BM: Esses dois empreendimentos lhe propiciaram com certeza vários relacionamentos e você pela inquietude e ter uma veia política passou a discutir a realidade da cidade, inclusive encampando o Movimento Conquista Pode Voar Mais Alto que é a defesa da construção de um novo aeroporto.

ZM: Acho que isso foi um fato marcante porque hoje se é cobrado das empresas de que se tenha responsabilidade social. A gente imagina e por entender que a cidade tem um grande potencial turístico inexplorado, ainda pela falta da logística, e temos sofrido muito em determinados períodos do ano com cancelamento de voos, falta de estabilidade na venda de passagens ou propiciar a vinda de alguém que venha para aqui montar seu negócio. É um movimento que não é nem nosso, a sociedade acabou comprando a ideia e vários segmentos da sociedade tem defendido a causa. O aeroporto trará para Vitória da Conquista uma forma diferente de ver a cidade, atraindo negócios. A Revista Exame, por exemplo, traz as cem melhores cidades para investir e pode ser verificar que onde não se tem aeroporto, o município não aparece na lista. Com o movimento buscamos parcerias público privadas que aqui em nosso município não vemos de forma tão clara como em outras cidades, atualmente começaram a mudar, mas, ainda com pouco de dificuldade. Desta forma poderia se mudar o modelo até mesmo de gestão tanto municipal quanto estadual trazendo recursos e incentivos fiscais para empresas que aqui quisessem se estabelecer.

BM: O aeroporto construído qual o avanço? O que o conquistense pode vislumbrar para nossa cidade?

ZM: Você vai ver uma mudança no comportamento da cidade e que ela precisa estar preparada para isso. Com o novo aeroporto se terá mais hotéis, táxis, ônibus e restaurantes, o turismo cresce e Vitória da Conquista poderá ser o portal para outras cidades da região facilitando o acesso a cidades, por exemplo, como Lençóis, na Chapada Diamantina. E isso é uma economia de cadeia que acaba puxando outros serviços.

BM: Com essa abertura propiciada pelo aeroporto o empresariado local passará ter uma presença mais evidente de empresários e outros empreendimentos de fora da cidade. Como se preparar para esta nova realidade de mercado?

ZM: Eu acho que alguns setores irão sofrer, por exemplo, creio que o meu setor seja um dos que mais sofram. Eu tenho uma locadora de veículos e com a vinda do aeroporto chegou uma empresa nacional do mesmo segmento e que vem em função deste empreendimento, outra perda deverá ser na vinda de novas agências dispostas a abocanhar a fatia de mercado existente. Mas, a preocupação de verdade deve ser a qualificação dos serviços para que você possa ser competitivo. Não há essa preocupação de novas empresas que devem vir, pelo contrário, isso servirá para ensinar a gente a ser mais competitivo.

BM: A partir do que você representa hoje na sociedade conquistense e por essa ebulição e liderança deste movimento, a cidade começou a enxergar em você um possível quadro para a sucessão do prefeito Guilherme Menezes. Isso já passou pela sua cabeça?

ZM: Eu acho que a gente pode contribuir, vejo a participação do empresariado tanto na situação quanto na oposição muito tímida e é preciso uma maior participação. Quanto à questão política sou eleitor de Dom Basílio, cidade de onde sou natural, e fui prefeito lá. Aqui quero dá minha contribuição, não política e partidária, mas a cidade precisa ser revista na forma de governar e para crescer precisamos de alguns exemplos a serem seguidos de descentralização do poder, informatização do próprio governo e talvez uma nova forma de pensar pode colaborar. Penso na política dessa forma, não como postulante a qualquer cargo eletivo, não tenho a menor intenção ou desejo. Percebo que Vitória da Conquista é um município grande e que ninguém pode governar sozinho. É preciso que se tenham um choque de gestão, no momento que falo isso não me refiro a partido político, essa situação pode acontecer até mesmo no governo que está aí instalado. Mas, a sociedade cobra por uma coisa diferente, moderna e dentro dessa linha me coloco pra ajudar, colaborar, sem nenhuma citação a nomes de quaisquer candidatos ou partidos preferindo me relacionar bem com todo mundo e em determinados momentos sou muito mal compreendido tanto pela situação quanto pela oposição. Temos outras tantas demandas dentro do governo e sabemos que é difícil realmente você combater tudo, mas, uma forma de amenizar esse problema é a participação da sociedade e empresários e das pessoas que produzem.

BM: O que você tem cobrado na verdade após todo esse processo da construção da pista é a licitação da verba para se construir o terminal de passageiros. Você acredita até pelo seu conhecimento na política que um governo que constrói uma obra dessa natureza e agora se aproximando a eleição, que talvez ele pudesse não honrar com esse compromisso se tornando até uma promessa de campanha? Não seria muito risco para o governo?

ZM: Tenho certeza que o aeroporto será concluído. Acho que em Vitória da Conquista falta uma representatividade política mais atuante, isso a própria sociedade tem falado. Percebemos isso, pois, o governador recentemente esteve no sul da Bahia fazendo obras e hospitais. Nós já estamos encaminhando para o segundo ano de governo dele e ele não veio para Conquista e não prometeu nada. Temos o presídio que está parado, as UPAs que não funcionam e o Hospital. Falta um pouco de cobrança de nossos políticos, talvez exista certo comodismo de nossos representantes. Mas, o aeroporto vai sair e poderá ser no ano de 2016, tenho esperança defendo isso, talvez seja eu, o único a acreditar nisso. A situação da nossa obra aeroportuária é interessante, pois, saímos do papel para uma obra inacabada, mas, com 80% da obra pronta. Seria uma insanidade de qualquer político não concluir esse projeto. A questão nossa é só uma capacidade de administrar. O único aeroporto construído no governo Wagner e agora com Rui Costa foi o nosso, essa é uma vitória da sociedade e dos segmentos de toda a população de Conquista. É uma sacada do governo a parceria público privada e que poderia perfeitamente se fazer no terminal de passageiros daqui de Conquista.  O problema de nosso aeroporto é que ele não é lembrado e não chega a quem decide. Fica muito articulado em termos de Vitória da Conquista, mas, de nada adianta a gente fazer todo esse movimento se os governantes não tiverem o vencimento ou não foram sensíveis aos pleitos da cidade.