Meus amigos, minhas amigas, é preciso separar o joio do trigo. Existem homens e mulheres que enxergam a política como uma ciência, como uma arte, como ela verdadeiramente deve ser. A política é apaixonante. É um dos instrumentos que a sociedade possui para resolver problemas, administrar conflitos, promover justiça e buscar soluções para melhorar a vida das pessoas.

Existem homens e mulheres que se entregam a essa causa, a essa missão, e não permitem que o passar do tempo os afaste dela. Continuam participando, opinando, discutindo e contribuindo, mesmo quando já não ocupam cargos ou estão na linha de frente de uma disputa eleitoral.

É claro que vivemos tempos em que a política, infelizmente, também tem servido de encosto para alguns. Mas é justamente por isso que precisamos separar as coisas. Ainda existem muitas pessoas boas na política. Homens e mulheres de diferentes partidos, pensamentos e ideologias que continuam exercendo essa atividade por convicção.

Aqui em Vitória da Conquista temos exemplos notáveis. São figuras que atuam, inclusive, em campos políticos distintos, porque a ideologia de cada um precisa ser respeitada. São pessoas que fazem política há muito tempo e que podem andar de cabeça erguida pelas ruas, frequentar qualquer espaço público e olhar nos olhos da sociedade.

Quantos já partiram e acabaram esquecidos? E quantos ainda estão entre nós e precisam ser reconhecidos em vida para que as novas gerações saibam quem são esses homens e essas mulheres e conheçam aquilo que fizeram pela nossa cidade?

É nesse contexto que quero falar de dois nomes: Edivaldo Alves e Clóvis Flores.

Edivaldo Alves, sociólogo e homem historicamente ligado ao Partido dos Trabalhadores, construiu sua trajetória política em Vitória da Conquista, conquistando o respeito dos seus pares e tornando-se uma referência dentro do seu campo político. É um homem de esquerda, socialista por convicção e defensor das ideias nas quais sempre acreditou.

Do outro lado está Clóvis Flores, com uma trajetória construída em outro campo político e partidário. Uma figura humana extraordinária, respeitada por quem convive com ele e que, apesar das diferenças ideológicas em relação a Edivaldo, possui algo fundamental em comum com ele: a preocupação com o ser humano.

Os dois compreendem, cada um a partir da sua visão de mundo, que as pessoas precisam de acolhimento, assistência, solidariedade e justiça.

Clóvis Flores e Edivaldo Alves são, na minha avaliação, duas reservas morais da política de Vitória da Conquista.

E isso não significa que pensem igual. Muito pelo contrário. A beleza está justamente aí. Estão em campos diferentes, defendem ideias diferentes e possuem trajetórias políticas distintas. Mas tenho certeza absoluta de que podem sentar juntos em um banco de praça, dividir uma mesa para tomar um café, participar de uma reunião na Câmara ou de qualquer outro espaço de discussão pública.

Vão conversar, discordar quando for necessário, apertar as mãos e desejar um ao outro um ótimo dia ou uma ótima noite. Porque política não precisa transformar adversários em inimigos.

Talvez essa seja uma das maiores lições que homens como Clóvis Flores e Edivaldo Alves podem deixar para as novas gerações: é possível defender com firmeza aquilo em que se acredita sem perder o respeito, a civilidade e, principalmente, a humanidade.