Como é mesmo essa história de Lula ser escolhido entre Jerônimo e Neto? É o eleitor “entre a cruz e a espada”?

Há aproximadamente um mês ouvimos uma declaração do candidato da oposição ao Governo da Bahia, ACM Neto, a respeito de cartazes que começaram a aparecer associando a sua imagem à do presidente Lula.
Na ocasião, ACM Neto afirmou que não poderia interferir na vontade do eleitor e que cada cidadão tem liberdade para escolher em quem votar. Agora, em uma nova gravação, volta ao assunto e reafirma esse pensamento. Segundo ele, existem eleitores que votam no presidente Lula para a Presidência da República e, ao mesmo tempo, escolhem o seu nome para o Governo da Bahia.
E essa possibilidade provoca reações dos dois lados da disputa. Entre apoiadores de Jerônimo Rodrigues, há quem considere essa combinação incoerente e defenda que o eleitor de Lula naturalmente deveria votar também no atual governador. ACM Neto, por sua vez, sustenta que a essência da democracia está justamente na liberdade de cada cidadão fazer suas escolhas.
Ou seja, a estratégia adotada por ACM parece ser a de não confrontar esse eleitor. Ele reconhece que existem pessoas que se identificam com Lula e com a maneira como o presidente conduz o Governo Federal, mas que, na eleição estadual, podem preferir outro candidato.
É aí que surge aquela velha expressão que os mais antigos conhecem muito bem: ficar “entre a cruz e a espada”. Será que uma parcela do eleitorado baiano viverá esse dilema na hora de votar? Será que o chamado voto cruzado terá peso na eleição para o Governo da Bahia?
Uma coisa é certa: a vontade do eleitor é soberana. O nosso sistema eleitoral permite que uma pessoa vote em candidatos de partidos e grupos políticos diferentes para cada um dos cargos em disputa. O eleitor pode escolher um nome para presidente, outro para governador e seguir a mesma lógica nas eleições proporcionais.
Pode haver quem enxergue nisso uma questão de coerência política e prefira votar em candidatos pertencentes ao mesmo campo partidário. Outros, porém, fazem suas escolhas individualmente, avaliando cada candidatura e cada cargo separadamente. Essa liberdade também faz parte do processo democrático.
Eis aí um aspecto interessante desta eleição. Política não se resume apenas a discursos, propostas e projetos. Existe também estratégia eleitoral, leitura do comportamento do eleitor e tentativa de ampliar apoios para além das fronteiras partidárias.
Resta saber se essa estratégia terá força até o dia da eleição e qual será o tamanho desse eleitorado que poderá escolher Lula para presidente e ACM Neto para governador, ou optar pela combinação Lula e Jerônimo Rodrigues.
Vamos aguardar. No final, como sempre acontece numa democracia, serão as urnas que mostrarão qual caminho o eleitor baiano decidiu seguir.















