Wagner Moura levanta a estatueta e enche o Brasil de orgulho. O feito representa a nossa arte e a nossa cultura.

Ontem, o Brasil viveu um momento altamente significativo para a sua cultura e para a sua arte. É evidente que alguns podem até discordar, mas não podemos negar a grandiosidade do feito desse grande e extraordinário ator que é Wagner Moura. Foram duas categorias vencidas, e o cineasta Kleber Mendonça Filho também viveu uma noite emblemática.
Vivemos em um país onde a política vem dividindo o nosso povo em dois lados que, com visões muitas vezes obtusas, conseguem distanciar cada vez mais o Brasil de um mundo globalizado, onde a cultura deveria estar à margem dessa polarização irracional. O artista, seja ator, compositor ou criador em qualquer segmento, é inquieto por natureza. São pessoas que pensam, refletem e expressam sentimentos coletivos.
A arte vive dentro deles. O artista fala pelo povo. E, lamentavelmente, sem citar nomes, assistimos a um cenário em que grandes nomes da nossa arte são desmerecidos, acuados e, em alguns casos, privados até do direito de se apresentar. Há artistas que se posicionam de forma mais conservadora, outros que seguem uma linha mais vanguardista, e isso sempre fez parte da história da cultura. O problema surge quando essa diversidade vira perseguição.
Por isso, é impossível não sentir alegria ao ver Wagner Moura levantar a estatueta de melhor ator e dividir esse momento histórico com Kleber Mendonça Filho, vencedor na categoria de melhor filme de drama. É um reconhecimento que ultrapassa o indivíduo e alcança o país inteiro.
Parabéns. Confesso que estou radiante. É muito bom lembrar que o Brasil não é apenas o país do futebol ou do carnaval. Não somos apenas a terra do sol, da alegria, das praias e da Garota de Ipanema. Somos também uma nação respeitada pela sua arte, pelo talento dos seus artistas e pela força cultural que levamos ao mundo.

















