A batalha pela duplicação da BR-116, a conhecida Rio-Bahia, travada há décadas pela sociedade conquistense, tem atingido novos horizontes e ganhado mais força nos últimos tempos. Trata-se de uma luta que não é apenas local ou regional, mas de interesse nacional. A duplicação da Rio-Bahia é vital não só para Vitória da Conquista e o sudoeste baiano, mas para o desenvolvimento econômico do Brasil.

A BR-116 é uma das principais artérias rodoviárias do país. Por ela escoa a riqueza do Brasil. Nosso transporte de carga ainda é majoritariamente rodoviário — e isso, por si só, já a torna cara e perigosa. Mais do que um apelo por segurança, essa luta é por logística eficiente, por desenvolvimento, por competitividade.

Vitória da Conquista viu seu trecho urbano da Rio-Bahia se transformar em uma armadilha. Ali já não se fala mais apenas em congestionamentos ou acidentes. Estamos falando de tragédias repetidas, de mortes evitáveis, de um colapso anunciado. A duplicação da rodovia, que data dos anos 1960, há muito não atende mais à demanda da região. Perdemos tempo, e estamos pagando um preço alto por isso.

O que é inadmissível — e insustentável — é o silêncio das autoridades federais e estaduais. Não se trata de culpar os vereadores, a prefeita Sheila Lemos ou a sociedade civil organizada, que têm se mobilizado intensamente. O que se cobra é uma ação decisiva daqueles que têm o poder da caneta: o governo federal, o governo estadual, os ministros, os deputados com mandato e responsabilidade.

O ex-governador e atual ministro da Casa Civil, Rui Costa, conhece de perto a realidade da Bahia. O governador Jerônimo Rodrigues, alinhado politicamente ao governo Lula, também. Não faltam lideranças com poder de decisão e histórico de atuação no estado.

É hora de parar com promessas e partir para ações concretas. E é com esse espírito de inquietação que destacamos a voz do empresário e engenheiro Gilberto Luna, um dos que, assim como tantos outros cidadãos, se recusa a aceitar passivamente a inércia. Sua reflexão, publicada a seguir, é mais um grito vindo do coração de uma cidade que pede socorro — e que merece ser ouvida.

“Estamos assistindo, pela imprensa, a anúncios de membros dos governos estadual e federal comemorando a saída da Via Bahia da concessão das BRs 116 e 324. Ao mesmo tempo, também foi anunciado um investimento da ordem de R$ 500 milhões para a recuperação dessas rodovias.

Na realidade, o que se comemorou hoje foi uma vitória de Pirro, pois os usuários dessas rodovias ainda vão esperar — e muito — para ver os benefícios desses investimentos anunciados. Com essa medida, o governo relega a segundo plano o projeto de duplicação, optando por obras que não resolverão os problemas causados pelo excesso de tráfego nas vias, cuja tendência é aumentar ainda mais.

O modelo de concessão proposto nas últimas audiências públicas é totalmente incompatível com a atual situação das rodovias, que se encontram superadas e sem capacidade de atender à demanda do tráfego em toda a sua extensão.

Não podemos mais esperar cinco ou mais anos para iniciar a duplicação da BR-116. Os reflexos do caos provocado pela falta de ações objetivas para solucionar o impasse atual serão sentidos muito em breve, com o aumento crescente de acidentes fatais.

O modelo de Parceria Público-Privada (PPP) talvez seja o mais adequado para este momento. Esses investimentos anunciados pelo governo seriam direcionados diretamente às obras de duplicação, somados aos recursos do parceiro privado, alavancando a obra na velocidade necessária e suficiente para a execução mais adequada para nossa situação.

A ver,

Gilberto Ferreira Luna