A morte: por que a morte? Eu sempre pensei que ela seria uma coisa serena, ao lado da família, uma despedida em uma colina cheia de flores.

A morte é uma grande incógnita para todos nós, humanos. Eu nunca esqueço, na minha ingenuidade de criança, ainda na minha terra, Condeúba, criado naquele ambiente católico, das memórias do padre Valdemar, da nossa Igreja de Santo Antônio, da Semana Santa da minha terra natal e das minhas orações antes de dormir.
Eu nunca esqueço que pedia a Deus: “Meu Deus, quando eu partir na minha viagem para o céu, que seja uma coisa tranquila, que seja, digamos assim, uma partida sem incidentes.” A minha crença era de que todos nós partiríamos e iríamos direto para o céu, para viver ao lado do Pai.
Claro que, com o tempo, você vai entendendo melhor as coisas, mas a fé a gente nunca perde. Aquele primeiro instante da vida, aquela ingenuidade, aquela infantilidade passam. A gente cresce e percebe que talvez não fosse exatamente assim. Mas também não abandona aquilo que aprendeu dentro de casa, na igreja, nas conversas com Deus.
Eu também nunca esqueço que, ao chegar a Vitória da Conquista, assisti a um filme, que não lembro o nome, e aquela ideia de morte ficou presente e marcante na minha cabeça, na minha alma. A imagem que ficou era a de que a morte aconteceria em um ambiente tranquilo, sereno, em uma colina cheia de flores, onde aquele que partia (lembro que era uma pessoa oriental) estava ladeado pelos familiares, se despedindo, partindo em paz. Aquilo me marcou para o resto da vida.
Talvez por isso eu tenha guardado dentro de mim essa ideia de que a morte seria uma despedida simples. Mas não é.
Por mais que queiramos, católicos, evangélicos, espíritas ou qualquer pessoa de fé, a gente não consegue se separar do sofrimento. A gente não consegue manter a calma e entender naturalmente que a finitude é presente na nossa vida, que um dia a gente parte e que ficam as lágrimas, a saudade e as lembranças.
Eu confesso que não consigo conviver com isso com naturalidade. Apesar de tudo, continuo fazendo aquilo que sempre fiz: ao dormir, ao deitar, converso com Deus. Tento compreender esse acontecimento que tanto marca todos nós e que, mesmo sendo inevitável, nunca deixa de nos surpreender.
Eu queria tanto que fosse diferente. Gostaria que houvesse menos dor. Gostaria que a despedida fosse mais parecida com aquela imagem que ficou guardada dentro de mim desde menino.
E pediria até que alguém me explicasse: por que sofremos tanto quando alguém parte? Por que a ausência dói tanto, se sabemos que a vida é finita?
Talvez porque o amor seja maior do que a nossa capacidade de aceitar a despedida. E talvez seja justamente por isso que a morte continua sendo, para todos nós, um dos maiores mistérios da existência.













