Prefeitos reclamam dos altos cachês cobrados pelos artistas durante festas juninas. Infelizmente, desfiguraram a nossa principal cultura.

Não é de agora que nós falamos sobre a invasão absurda, insana, a violência que cometem contra a principal cultura do povo nordestino. Vocês podem pensar que seja o carnaval. Não é. Muito embora seja uma das principais ações do baiano, com sua criatividade, com sua invenção do trio elétrico, que consegue transformar o Brasil na principal praça festiva do planeta.
Salvador é, portanto, a maior festa aberta da Terra. Não é a nossa MPB de Caetano, de Gil, de Gal, de Bethânia. Não é. Não é nada disso. O nosso samba, raiz ou do Recôncavo, absolutamente não é. O nosso pagode também não, embora tudo seja muito forte, tudo seja muito firme. Mas a principal cultura do nordestino, e diríamos até do Brasil, se nos permitirem, é o forró.
É a zabumba, é a sanfona, é o triângulo. São os trios nordestinos, os trios de forró. É a nossa bela música que fala da nossa gente, do nosso verde, dos animais, da alegria e do sofrimento do povo sertanejo. A maior cultura do povo nordestino é o São João. São as festas juninas. É tudo aquilo que você vê pipocar no céu nas noites juninas.
Os fogos. A fumaça da fogueira. As pessoas simples dançando forró, seja numa praça estruturada para grandes eventos ou nos terreiros de chão batido. É o forró.
Mas, infelizmente, o capitalismo selvagem, é bom que se diga, tem tirado tudo isso de nós. Ainda bem que agora volta à tona, depois de erros e contratações absurdas, a reclamação dos prefeitos, principalmente de cidades pequenas, que não têm condições de pagar esses valores.
Assim, só é possível, como no caso de algumas cidades ao redor de Conquista, e da própria cidade, que empresas de fora assumam as contratações e busquem, em contrapartida, patrocínios para fechar as contas.
Os prefeitos estão reclamando dos preços exorbitantes dos cachês, e assim não têm condições de realizar suas festas. Ontem vi um vídeo do nosso querido Del Feliz, que reclama e afirma: violentaram a nossa cultura. Hoje pela manhã recebi mensagem do sanfoneiro Osmando Silva, que eu trouxe da Paraíba, de Monteiro, junto com Flávio José, em 1997, também queixoso, lamentando.
E tantas outras vezes, Rony Barbosa e Edgard Mão Branca também reclamam desse absurdo. Tiraram a nossa cultura, mas nós vamos retomá-la. Tenham certeza disso.
















