Essa frase eu ouvi há mais de dez anos. Foi dita por um homem de excepcional sabedoria, inteligência e conhecimento acadêmico, muito viajado e dotado de uma sensibilidade incrível. Quando ele pronunciou essas palavras, conversávamos, já no final da tarde, sobre a situação que o país atravessava, dificuldades na área política, conturbações, processos, corrupção, fatos que, na verdade, nos deixavam profundamente tristes.

Seguimos conversando, aprofundando o debate, trazendo à tona uma série de acontecimentos que nos chocavam. E ele completou: “Já não se tem mais homens como antigamente. É uma pena lamentável. Parece que estão em extinção os homens que agem com prudência, com cuidado, com reserva. Ao contrário, eles, de forma irracional, enfrentam a natureza, enfrentam as instituições, enfrentam as organizações, as religiões, e chegam até a enfrentar Deus, subestimando a importância que o Senhor do Universo tem para todos nós.”

Quando ele afirmou: “Massa, o homem é um projeto que Deus criou e não deu certo”, eu fiquei cético ao ouvir aquilo e não quis assumir aquela ideia, embora compreendesse toda a sua chateação, toda a sua preocupação. Afinal, era muita coisa absurda acontecendo.

Mas eu não posso admitir que a obra-prima, a principal criação do Senhor do Universo, o homem, criado à sua imagem e semelhança, seja algo que não deu certo. Ao contrário: é o próprio homem quem deveria, dentre todos os seres, dentre tudo o que habita o planeta Terra e o universo, fazer com que tudo dê certo, inclusive a sua própria existência.

Então, nesse final de tarde do dia 24 de dezembro, quando celebramos o nascimento de Jesus Cristo, contrariando o que meu amigo dissera há dez anos, eu quero acreditar, e peço a Deus, que em 2026 tenhamos um homem mais sóbrio, mais tranquilo, mais suave, mais solidário, mais fraterno, e que a humanidade volte a ser motivo de alegria para o nosso Criador.

Vale a pena, sim, o projeto que Deus criou: o homem.