João Usura, da Livraria João Pel, partiu

O seu nome de batismo é João Torres, figura querida do Sertão da Ressaca, com raízes fincadas na nossa Condeúba. Sem dúvida alguma, uma das pessoas mais distintas que Vitória da Conquista teve o privilégio de conviver. João, com seu jeito próprio, agregador, simples e espirituoso, tinha como hobby organizar os santinhos de todos os políticos da cidade, em época de eleição.
Nas prateleiras e paredes da sua livraria, a famosa João Pel, situada na emblemática Alameda Lima Guerra, também conhecida como Beco da Tesoura, João fazia questão de expor cartazes dos candidatos. Era uma galeria improvisada que lotava a fachada da loja. Os transeuntes paravam, observavam, comentavam e, quem sabe, até escolhiam ali mesmo o seu candidato a vereador.
A frente da livraria era, na prática, um verdadeiro senado, uma academia de letras ao ar livre. Por ali passavam e se reuniam os mais renomados políticos de Vitória da Conquista, empresários, historiadores, professores, cientistas, compositores e homens do povo, todos prontos para uma boa prosa. João era o anfitrião perfeito. Bastava um banquinho, um café e a sua presença para que o ambiente se transformasse em um ponto cultural da cidade.

Lamentavelmente, o vereador Carlos Dudé trouxe a notícia de que João nos deixou. Ele estava hospitalizado no HCC e partiu a chamado do Pai. Sua ausência deixa uma lacuna irreparável. O Beco da Tesoura, a Alameda Lima Guerra, já não será mais o mesmo sem ele.
O banquinho que sempre o acompanhou já parecia vazio nos últimos tempos. Mesmo com alguns frequentadores ainda passando por lá, era impossível não notar a falta de João, até porque ele era a alma daquele pequeno território conquistense. Pai zeloso, marido exemplar, avô cuidadoso e amigo leal, João Uzura deixa saudade, história e um legado afetivo que permanecerá na memória da cidade.
Vá com Deus, João Torres. Vá com Deus, João Usura.















