Bell Marques: “Bem, gente, chegou a nossa vez. Folião do Massicas, boa sorte!”

Essas palavras sempre eram ditas por Bell, ainda no Chiclete, quando a banda puxava o nosso bloco nas inesquecíveis micaretas de Conquista, que nos deixou saudades e não apenas nos foliões do Massicas, mas de toda a cidade e de outros lugares que vinham se divertir na melhor e mais charmosa festa de trio elétrico de todo o Brasil, e essa colocação perdurou até o ano de 1999.
Bell e Massicas se confundem, foi uma junção que deu certo, é amor recíproco, todo mundo sabe disso.

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Conquista estava sentindo falta do trio elétrico na rua, a Miconquista saiu do nosso calendário de festas, o Bloco Massicas desmoronou, o chão ruiu sob os pés dos nossos foliões, o mês de abril ficou cinzento sem os abadás coloridos que enfeitavam as ruas e avenidas, e, claro, a praça do Gil.
E a pipoca, aquele mundo de gente que se espalhava ao longo da Siqueira Campos, Otávio Santos, Bartolomeu, chegava no Samur e retornava pela mesma Bartolomeu, subia pela Ascendino Melo, São Geraldo, entrava na Vivaldo Mendes, dava uma parada na praça do Gil e encerrava o desfile quilométrico no então Posto Aline. Que pipoca animada e pacífica. A essa altura, foliões, massa humana, com ou sem abadá, todos se misturavam.

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Nessa hora Bell já tinha ido para o hotel descançar, porque no outro dia começaria tudo outra vez. Bons tempos, hein? Quanta saudade dos tempos em que o Massicas brincava três dias embalado pelo som do Chiclete. Deve estar passando um filme na cabeça de muita gente que está lendo essa matéria.
Pois é, parece que dormimos e acordamos em outro planeta, chegou abril e não vimos os trios. Onde estão os blocos, onde está a pipoca? As gambiarras, onde estão? Está tudo escuro, a cidade vazia, a alegria da juventude já não faz parte do cenário da nossa cidade, o silêncio reina sepulcral, já não temos mais a Miconquista, onde está Bell e o Chiclete Com Banana?

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Não irei me prolongar, a festa acabou, acabaram com a festa, de que adianta ficar chorando, reclamando, procurando culpados, olhar para o retrovisor não adianta. O martelo foi batido em 2005, o que vinha sendo arquitetado há muito tempo, até que naquele ano jogaram a pá de cal.
Relutamos em aceitar, resistimos, tentamos, negociamos, nenhum argumento foi capaz de convencer de que a Miconquista deveria continuar. Fomos para o Indoor e junto com ele o Chiclete. Bell continuou dando o tom, só que no palco. A magia do trio é insubstituível, não tem nada igual, e a todo instante vinha um pedido: “Massinha, volte com a Miconquista”. Não era simplesmente um pedido, era uma súplica, quase um pedido de socorro. Aquilo nos causava um mal estar, uma angústia, e eu impotente, sem poder fazer nada.

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Reunimos a diretoria do bloco e fomos ao então prefeito Guilherme Menezes, acompanhado do secretário de Turismo, Nagib Barrroso. Fomos objetivos: “prefeito, precisamos voltar com a Micareta, não é um desejo nosso, do Massicas, apenas nosso, é da nossa cidade, faz muita falta a todos nós”. O prefeito nos ofereceu a avenida Integração, lógico que aceitamos. A reunião foi no Gabinete, numa sexta-feira, na terça-feira seguinte recebi uma ligação do secretário de Serviços Públicos, Miguel Felício: “o prefeito quer conversar com você”.
Pensei que seria pra revogar a decisão. Ao contrário: “por que você não faz na Olívia Flores?”. Era tudo o que eu queria ouvir.

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Já havia um acordo prévio com a administração, que a prefeitura não assinaria como promotora da festa, isso uma decisão dela. Ela apenas cederia a rua, isso porque não era desejo do governo bancar o evento, o foco da gestão era o Natal da Cidade e o São João, todos na Barão do Rio Branco, e que depois foi para o Glauber Rocha. As duas festas ficaram como marca das gestões petistas. Vale a pena uma lembrança em relação ao retorno da Micareta: convidei todos os blocos, sem exceção, para que fôssemos à prefeitura pedir o retorno da festa, apenas dois aceitaram, Solteirões e Elas e Amigos do Bracim.
As razões foram diversas, como eu sempre acreditei que o evento vingaria, fui a procura de Bell, ainda no Chiclete, ele fazia um show em Ilhéus. Ao término, entrei na van que o levaria para o aeroporto. Ele já sabia do meu desejo, porque já havíamos conversado ao telefone.

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Entrei na van 10 minutos antes de terminar o show, ouvi de Hulk, um cara incrível e que Deus levou tão cedo: “converse com ele, ele gosta de você”, me encorajou o homem que sempre esteve ao lado de Bell, da sua inteira confiança.
Ao entrar na van, ele me viu e, educado e elegante como sempre, se dirigiu a mim: “gostou do show, se divertiu?”. Isso é dele, com todos que ele vê após a apresentação.

“Massinha, não me venha com devaneios. Vá, busque todas as condições favoráveis para realizar o evento: licenças da prefeitura, apoio dos órgãos de segurança, me apresente e a gente faz”.
Até hoje tenho essa mensagem no celular como resposta que ele me deu quando fiz a primeira tentativa de retornar pra rua com o trio.

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Mostrei tudo pra ele e veio a resposta: “pode conversar com Fausto, veja a data com ele e vamos fazer”.
Assim nasceu o Massicas Na Rua, em 08 de novembro de 2012, véspera do aniversário da cidade. A avenida Olívia Flores tomada de gente com o Chiclete Com Banana trazendo de volta o trio pra avenida, pra rua, como se fosse um sábado de micareta. A vida tem dessas coisas, todos os abadás vendidos, bloco e camarote, um mar de gente na avenida, alegria total, nenhuma ocorrência policial.

O que ocorreu após o Massicas Na Rua não vale a pena contar, ainda, deixemos para o livro.
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A nossa história com Bell sempre foi cercada de muitas lutas, de muitos sacrifícios, mas também de muitas vitórias e gratidão. A palavra de Bell é tão forte quanto sua voz.
Tentamos de tudo para trazê-lo para a Miconquista esse ano. Leo Ferreira recebeu minha visita inúmeras vezes, foram diversas reuniões, ligações e mensagens, nunca desisti.

Após a realização da Miconquista esse ano no Boulevard, no dia 04 de maio recebi de Bell Marques essa mensagem, que para mim foi uma senha:
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“Massinha, parabéns!!
Você é um guerreiro!!!
Vitória da Conquista, e a sua paixão por ela, se confundem. Um dia, vamos conseguir entender de que forma o seu coração passeou por essas praças, de que forma, sua energia carregou sorrisos subindo as ladeiras da sua cidade, e de que forma você reconquistou o inconquistável.
MICONQUISTA!! Voltando, apagando a saudade e trazendo muito mais brilho sob o olhar dessa cidade fantástica.
Sorteaê!!!”

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Já estamos com a nossa data marcada para o próximo ano, será nos dias 19 e 20 de abril, no Boulevard Shopping. Esse ano temos a nosso favor o tempo para a preparação, para os apoios, os patrocínios e vendas dos abadás.
Sexta-feira pela manhã Leo Ferreira me ligou, o que conversamos, direi em outra oportunidade. No sábado, Bell estava em Brasília, onde se apresentou, no inicio da noite ele enviou essa mensagem:

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“Hahahahaha vai ser o maior Massicas da história.”















Claro que o conquistense quer a micareta de volta…
A cidade comporta, o comércio, clama…
Parabéns, Massinha!!!
O Massicas está na nossa alma!
Que venha a Micareta 2024!
Nossa Micareta foi para época acontecimento de tal tamanho, que deixou o Brasil apaixonado com as coberturas do radio e televisão, orgulho muito de ter participado desta História, imagino o Massicas na Rua outra vez, vai arrasar o mundo.