Fábio Sena reverencia Edna Nolasco
“Quem conheceu Edna Nolasco (@ednanolascoestudion) sabe que fotografar foi, para ela, sempre muito mais que um exercício profissional. Era uma missão de vida. Uma missão à qual ela se entregou de corpo e alma. Missão que cumpriu com a mais absoluta dignidade. Se havia alguém a quem se pode chamar de “amor de pessoa”, esta certamente era Edna Nolasco. Dona de uma singular sensibilidade para as causas sociais, estava sempre a postos na defesa dos menos favorecidos. Era uma mulher sem medo. Entregava-se às causas de peito aberto, mostrando-se, transparentemente proclamando seus objetivos.
Quando adquiri minha primeira câmera profissional, uma Zenit, daquelas analógicas, em meados da década de 1990, encontrei-me por acaso com Edna numa das alamedas centrais de Vitória da Conquista e ela, já uma fotógrafa consagrada e bastante requisitada, deu-me o privilégio de algumas boas de horas de ensinamento. Mostrou-me, pacientemente, como funcionava aquele precioso instrumento que eu portava e que – graças àquela sua singular sensibilidade – serviu-me para eternizar tantos momentos.
Edna partiu hoje, mais uma vítima fatal da Covid. A notícia encheu-me de imensa tristeza. Saber que jamais a encontrarei e que perdemos, todos nós, o convívio com a dona daquele sorriso fácil, daqueles olhos curiosos, sempre indagadores, mas sempre, sempre gentis, permanentemente amorosos, é algo verdadeiramente doloroso. E dói também saber o quanto de vida havia naquela mulher, o quanto ela tinha a produzir para tornar esse mundo melhor.”













