Marília Mendonça começou muito cedo e partiu muito cedo também
Alguém falou pra mim, não lembro quem foi: “Massinha, tem uma menina bombando na internet. É uma branquinha de óculos, parece uma CDF (aluno inteligente, super-estudioso), canta demais”.
Eu sempre gostei do artista que está despontando, ainda a ser descoberto. Comecei a pesquisar, buscava a todo instante um contato com alguém da família, mandava recados, mensagens, mas nada… Aquela voz rouca e os dedos dedilhando um violão, não tive dúvidas, logo, logo estaria estourada no país inteiro.
Não logrei êxito. Quando a vi já foi no palco aqui em Conquista.
Marília começou a compor muito cedo, ainda guria, creio que bem antes dos 15 anos. Já compunha para grandes artistas e depois percebeu que o seu sentimento poderia ser passado para as pessoas através de si mesma, através da sua voz, linda, forte, capaz de romper com qualquer preconceito, despertar interesse naqueles que só criam nos timbres suaves, delicados de Gal Costa, Ana Barroso, Luiza Aldaz e Ana Carolina, as três últimas talentos conquistenses.
Aos 26 anos Marília Mendonça parte, deixa uma história belíssima no cenário nacional da música, e é isso que deve ficar na memória de todos nós.
Marília rompeu com imposições do mercado estético de querer nos impor um modelo único de cantora: branca, magra e bela. Ela foi vanguardista e disse pro mercado que pra cantar e fazer sucesso basta ter talento.
Marília deixou um legado incrível, sucessos e mais sucessos emplacados a todo instante, deixou também um lindo filho, de apenas dois anos, e que daqui a alguns poderá estar concedendo uma entrevista e dizendo: “Pois é, tenho muito orgulho da história da minha mãe, pena que não aproveitei tudo isso ao lado. Era apenas uma criança de dois anos, mas devemos ter brincado muito!”.















