Clube Social Conquista: o que será do nosso patrimônio histórico? Prefeito acompanha demolição do muro
João Dandrea, que Deus já levou, foi o último presidente do Clube Social Conquista que me procurou pedindo para fazer uma mobilização junto aos sócios afim de evitar que o nosso grandioso clube fosse levado a leilão. Nas reuniões que participamos não houve interesse dos associados, a maioria não quis colocar a mão no bolso com medo de ser picado por escorpião. E olhe que não era muito dinheiro não, bastava pagar algumas mensalidades atrasadas e estaria tudo resolvido. Só que ninguém queria resolver, esperavam um milagre.
O Clube Social Conquista, que já funcionou no antigo Hotel Albatroz, ou melhor, ao lado, em frente à sede central do Bradesco, realizou as mais sofisticadas festas do interior da Bahia, foi o grande marco da sociedade grã-fina conquistense.
Ao longo do tempo foi perdendo o charme, o encanto, assim como perderam os grandes e sofisticados clubes pelo Brasil inteiro. Em Salvador já não se fala mais em Associação Atlética da Bahia e o Baiano de Tênis e Fantoches, resiste ao tempo, talvez pela localização, o Iate Clube da Bahia. Já se foram, perdidos no tempo, o Feira Tênis, o Cajueiro, o Jequié Tênis Clube, o Clube Social de Ilhéus, o Itapetinga Tênis Clube e assim, sucessivamente, os clubes deixaram de ser o objeto de desejo da Juventude Dourada. Surgiram coisas novas e mais envolventes.
O título patrimonial do Clube Social Conquista valia ouro, e não bastava ter o dinheiro para consegui-lo, teria que ser apresentado por cinco sócios e depois passar pelo crivo da diretoria e do conselho. Não bastava ser rico ou o “novo rico”, o emergente, tinha que ser da “fina flor” da sociedade. E para quem chegava de Condeúba, de família simples, cabeludo e usando tamanco, como frequentar o clube da Praça Sá Barreto sem ser sócio, mesmo sendo apresentado pelo saudoso casal Dona Maria e Dr. Altamirando da Costa Lima?
Ademar Galvão e Dona Márcia olharam para mim com ar de reprovação e já deixaram clara a decisão. Em outra oportunidade contarei com detalhes. Mais à frente tenho que contar as histórias com os outros presidentes: Agenor Liberal Batista e Hamilton Nogueira.
Pois bem, na manhã de hoje o prefeito Herzem Gusmão acompanhou a demolição do muro do Clube e anuncia para o local uma área de convivência, uma praça. O que o prefeito fará ali?
Circulou um vídeo entre poucas pessoas, parece, de um projeto que nos leva a uma “cidade dos sonhos“, “coisa de cinema”, dentro dessa visão do gestor de oferecer aos munícipes uma ideia de urbanismo humanizado.
O Clube Social Conquista se mistura com a vida da nossa cidade dos anos 50 até 2000, 2010. Deixou marcas em todos nós, é um universo de ótimas lembranças, mas não era um equipamento público e sim privado, portanto poderia fazer dele o que quiser. Por uma construtora da cidade conseguiu trazer para si através do pagamento de uma oferta no leilão que facultaria a qualquer um participar.
O valor não sei qual foi, afirmam que chegou próximo a quatro milhões. O prefeito permutou o bem com um terreno público e agora anuncia uma obra para o futuro. O futuro pode ser bem ali ou mais distante, por isso recorri a Secretaria de Comunicação da prefeitura para que alguém possa ir ao nosso programa Agito Geral nos dizer qual o projeto para o nosso querido Clube Social Conquista, de muitas festas, carnavais, encontros e jornadas esportivas.





















