Vivi Mendes: 90 anos e 7 mandatos como vereador
Quando Pedral recuperou os direitos políticos foi naturalmente escolhido pelos seus principais seguidores a candidatar-se à prefeito de Vitória da Conquista e trazer de volta, através do sufrágio popular, a condição de governar a sua terra, ele que chegou ao poder em mandato anterior, só que teve a gestão interrompida após ser cassado pelo Regime Militar em 1964.
Governava a cidade Jadiel Vieira Matos, cria do engenheiro que pensou Conquista, que imaginou o oásis da Bahia muito além do que o cidadão comum poderia imaginá-la. Ao lado de Jadiel, tinha Elquisson Soares, Sebastião Castro, Ilza Matos, nomes que formavam uma seleção de politicos probos, respeitados, honrados e que poderiam continuar à frente dos destinos da cidade sem nenhum prejuízo para ela.
O retorno de Pedral era esperado pelo povo que o queria de volta, queria devolver-lhe o mandato que lhe fora arrebatado à força. O pensamento político progressista do conquistense era tão forte, tão enraizado, que para enfrentar as forças comandadas pela família Magalhães no estado teve que escolher entre Pedral e Sebastião Castro (Tião). Quer dizer, para qualquer lado que você fosse, estaria bem representado.
A estratégia de Pedral seria buscar nomes na zona rural, onde Jadiel desenvolveu um governo revolucionário e mantinha uma relação estreita com o homem do campo. Na região da Limeira e Capinal, e também no povoado do Iguá, o nome de Vivi Mendes aparecia como imbatível, respeitado e querido por essa gente, ele entregou a sua vida e por isso mesmo foi alvo de disputa entre os dois nomes do MDB. José Fernandes Pedral Sampaio saiu vencedor, Vivi resolveu acompanhar o líder político que venceu as eleições em 1982.
Na Câmara Municipal tinha uma cadeira que já tinha um nome certo para sentar: Vivi Mendes. O homem do campo, o campeão de votos, ele destinou o exercício dos seus setes mandatos a servir a sua “gente sofrida da zona rural”, como ele se referia aos seus eleitores que a cada disputa o retornavam ao Legislativo.
Apesar da sua pouca leitura, Vivi expunha sua inteligência no plenário com sabedoria, os seus princípios eram inegociáveis, não abria mão das suas reivindicações, eram 100% atendidas, até porque sempre eram justas, consistentes.
No mandato de 82 a 88, a representação de vereadores da zona rural foi muito forte, compunha a Câmara José Williams, Zinho do Prado, Gesser Chagas, Antônio Aragão, Lanteney Nunes e o próprio Vivi, que se garantiram com os votos chamados de “redutos fechados”, que alguns intitulavam como “votos de cabresto”, mas não, esses votos são votos de gratidão, de agradecimento, votos leais, imutáveis, e os de Vivi Mendes sempre foram assim: votos conscientes, porque o ano inteiro ele mantinha-se disponível para resolver um problema de saúde, recuperar uma estrada, construir uma escola ou providenciar a água que estava faltando.
O pai de Vivi, o Vivaldo Mendes, que dá nome a uma das principais avenidas de Conquista, foi vereador e deixou com o filho o bastão que ele carregou tão bem e soube honrar, sendo um exemplo de homem público, um orgulho para a família numerosa que hoje estará reunida comemorando os noventa anos de vida daquele que muito fez pela zona rural de Vitória da Conquista.
Convivi com muita honra ao lado deste grande vereador, como seu colega, durante o mandato de 1982 a 1988.

















Demos muitas risadas juntos.Vivi folclorivo mas combativo vereador em defesa da zona rural Meu abraço ,amigo velho. Isnard
Meu abraço a este homem exemplo de dedicação á resolver os problemas concretos do dia a dia das pessoas. Com ele, sempre conversamos sobre o verdadeiro sentido do Socialismo. É isto. Viver com o povo simples e superar, com eles as adversidades. Meu pai, nosso chefe, também te abraça neste momento!