“Que galera é essa, meu irmão?” Essa frase é de Durval Lelys. Podemos perguntar: que Supremo é esse…?

Eu confesso que uma das coisas que mais me deixaram triste na política brasileira foi assistir aos debates presidenciais da eleição em que Lula e Bolsonaro foram protagonistas, através da televisão brasileira, naquela disputa eleitoral da qual saiu vencedor o atual presidente da República. Foi triste. Me fez vergonha.
Sinceramente, peço desculpas àqueles que são adeptos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ex-presidente Jair Bolsonaro, mas assistir aos dois andando de um lado para o outro, fazendo perguntas, trocando acusações e utilizando uma verbalização muitas vezes desrespeitosa foi algo que nunca me saiu da cabeça.
As expressões eram duras: “você roubou”, “você é ladrão”, “você é isso”, “você é aquilo”.
Ali, o chão ruiu aos meus pés. Foi como se um meteoro caísse dentro de Vitória da Conquista, próximo à minha residência, onde eu assistia pela TV àqueles debates.
E é aí que a gente começa a desacreditar não necessariamente na política, porque a política é fundamental para qualquer sociedade democrática, mas nos homens que fazem a política. E a coisa foi ficando comum, foi ficando normal.
E, lamentavelmente, a gente assiste ao ceticismo de parte da juventude, que prefere manter distância da política. E o problema hoje não está apenas no político. Está também no eleitor que, muitas vezes, se acostumou a não querer participar, a não valorizar o seu voto. Evidentemente que não são todos.
E agora nós nos deparamos com outro episódio que, na minha avaliação, merece uma profunda reflexão.
Parece que estamos no fundo do poço e sem conseguir fugir desse lamaçal, dessa areia movediça. É o que vimos protagonizado, diante das câmeras de televisão, por ministros do Supremo Tribunal Federal. Que pena. Que lástima.
Quando assisto à mais alta Corte do país envolvida em discussões daquela natureza, com ministros trocando acusações e elevando o tom em uma sessão transmitida para todo o Brasil, eu me pergunto: que Supremo é esse?
E aí nós corremos o risco de perder algo extremamente importante para qualquer democracia: a confiança nas instituições.
O Supremo Tribunal Federal ocupa o topo do Poder Judiciário brasileiro e exerce uma responsabilidade gigantesca na defesa da Constituição. Exatamente por isso, tudo aquilo que acontece dentro daquela Corte ganha uma dimensão enorme perante a sociedade.
E é justamente por reconhecer a importância do Supremo que considero lamentável assistir a cenas que, na minha avaliação, não contribuem para fortalecer a confiança do cidadão na Justiça.
O Brasil precisa de equilíbrio, segurança jurídica, respeito às instituições e, acima de tudo, serenidade daqueles que ocupam funções tão importantes para a República.
É lamentável.













