É com tristeza que lemos esta matéria da Folha de São Paulo encaminhada pelo amigo José Maria Caires, do movimento Duplica Sudoeste. O sentimento é de frustração diante de uma realidade que se arrasta há muitos anos. A BR-116 não atende apenas ao Sudoeste da Bahia. Ela é uma das mais importantes rodovias do país, ligando regiões estratégicas e desempenhando papel fundamental para o transporte de pessoas e de riquezas em todo o Brasil.

É difícil compreender que uma rodovia com tamanha importância continue convivendo com tantos problemas e com a falta de soluções definitivas. O transporte rodoviário é um dos pilares da economia nacional, e essa situação afeta diretamente o desenvolvimento da nossa região.

Mas existe um ponto específico que precisa ser debatido. Há muito tempo ouvimos a afirmação de que Vitória da Conquista carece de representatividade política. Não queremos ser injustos com os deputados que receberam votos dos conquistenses e que têm serviços prestados ao município e ao Sudoeste baiano. Muitos deles trabalham e destinam recursos importantes para a região.

Entretanto, quando o assunto é a BR-116, especialmente os viadutos e as intervenções necessárias para garantir mais segurança, a sensação é de que falta uma mobilização conjunta. E, quando falamos em representatividade, não nos referimos à esquerda, à direita ou ao centro. Estamos falando da união de todos os parlamentares, independentemente das suas posições políticas, em defesa de uma causa que interessa à população.

Se todas as bancadas se unissem em torno dessa pauta, já seria um grande avanço. A construção dos viadutos, por exemplo, representaria um passo importante para reduzir acidentes e preservar vidas. Infelizmente, o que a população vê são promessas que se repetem ao longo dos anos, enquanto as soluções continuam distantes.

A história mostra que grandes conquistas nasceram justamente da capacidade de mobilização das lideranças políticas. Os saudosos deputados Elquisson Soares e Coriolano Salles são frequentemente lembrados por esse espírito de articulação. Elquisson liderou o movimento que resultou na construção da Barragem de Anagé, obra que contou, naturalmente, com o apoio de outras representações políticas estaduais e federais.

Da mesma forma, Coriolano Salles esteve à frente das articulações que reuniram parlamentares em defesa do Anel Rodoviário de Vitória da Conquista, uma obra de enorme importância para o município, embora hoje já se mostre insuficiente diante do crescimento da cidade e do aumento do fluxo de veículos.

Agora, depois de tantas promessas, a região acompanha com preocupação as mudanças nas concessões rodoviárias e a possibilidade de ficar fora de investimentos considerados fundamentais para a modernização da BR-116 no trecho que atende Vitória da Conquista e o Sudoeste baiano.

É preciso que a sociedade continue mobilizada e que as lideranças políticas, independentemente de partido ou ideologia, coloquem essa pauta acima das divergências. Obras dessa natureza pertencem à população e representam segurança, desenvolvimento e qualidade de vida.

Caso contrário, corremos o risco de continuar apenas assistindo ao tempo passar, enquanto uma demanda tão importante permanece sem a solução que a região espera há tantos anos.