A entrevista concedida ontem à Rádio UP! pelo ilustre conquistense e professor Samuel Santos Oliveira foi bastante esclarecedora. Mestre em Administração Pública e Governo pela Fundação Getulio Vargas, ele esteve na Universidade de Viena, na Áustria, onde apresentou um trabalho científico sobre a construção da política urbana no município de Vitória da Conquista.

Foi um momento enriquecedor para o nosso programa Agito Geral, na noite de ontem, dia 31 de julho. Samuel é uma pessoa altamente preparada, apaixonada pelo que faz, estudiosa e, ao mesmo tempo, simples na maneira de se comunicar. Suas explicações didáticas e convincentes prenderam a atenção do entrevistador e, certamente, também dos nossos ouvintes.

Durante a entrevista, ele chamou a atenção para uma questão fundamental. Muitas vezes, a população cobra dos gestores públicos, nas esferas federal, estadual e municipal, soluções para demandas reprimidas e problemas que realmente precisam ser enfrentados. Essas cobranças são legítimas e, em muitos casos, realizadas com toda a razão.

Entretanto, quando são promovidos encontros, audiências e discussões coletivas para tratar dessas questões, justamente aqueles que reclamam e reivindicam melhorias acabam não participando. Quando chega o momento da reunião, muitos se ausentam e deixam de ocupar um espaço importante para a defesa dos próprios interesses.

Com isso, propostas são discutidas e aprovadas sem a participação efetiva de sindicatos, associações, conselhos de segurança, educação e saúde, além de organizações não partidárias interessadas no desenvolvimento sustentável de uma cidade como Vitória da Conquista. A ausência desses segmentos pode comprometer a representatividade das decisões tomadas.

O Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano, o PDDU, por exemplo, é fundamental para uma cidade que vem crescendo e se transformando ao longo das últimas décadas. Ele precisa apontar novos caminhos e estabelecer uma visão de futuro para o desenvolvimento urbano do município.

É necessário que os gestores atuais e aqueles que ainda virão estejam envolvidos nesse debate, com um olhar voltado para o horizonte. Não se pode decidir hoje pela abertura de uma avenida ou pela execução de uma grande obra sem pensar no que acontecerá daqui a vinte anos. Caso contrário, aquela estrutura poderá ficar comprometida, como ocorreu com o nosso anel rodoviário.

O trabalho apresentado por Samuel nos dias 22 e 23 de julho, na Universidade de Viena, foi desenvolvido a partir de sua dissertação de mestrado, defendida com distinção na FGV EAESP. A pesquisa analisou o processo de elaboração do novo Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano de Vitória da Conquista.

O objetivo foi compreender como os diferentes grupos da sociedade participaram das discussões e em que medida conseguiram influenciar o conteúdo final da política urbana municipal. A pesquisa mostrou que a realização de audiências públicas, oficinas e reuniões é indispensável para a democracia, mas não garante, por si só, que todos os segmentos tenham o mesmo poder de influência.

Alguns setores possuem mais recursos financeiros, organização, conhecimento técnico e acesso permanente aos espaços de decisão. Enquanto isso, grupos comunitários encontram maiores dificuldades para transformar suas necessidades em propostas consideradas técnica, jurídica e administrativamente viáveis.

O professor Samuel chegou a uma conclusão importante: criar espaços participativos é necessário, mas não suficiente. A democratização da política urbana também depende de quem consegue se organizar, permanecer presente, traduzir suas reivindicações e influenciar o documento final que orientará o futuro da cidade.

Essa reflexão é fundamental para que os diversos segmentos da sociedade sejam verdadeiramente contemplados. Todos desejam uma cidade melhor para viver, onde possam usufruir de condições mais justas ou, pelo menos, aproximar-se daqueles que possuem mais recursos e maior domínio técnico.

As associações de bairro, por exemplo, são organizadas e conhecem de perto os problemas das comunidades. O que muitas vezes lhes falta não é capacidade de mobilização, mas recursos e suporte técnico para apresentar suas demandas de maneira compatível com as exigências administrativas. Alguns sindicatos e outras entidades também enfrentam dificuldades semelhantes.

Queremos, portanto, parabenizar o professor Samuel Santos Oliveira e registrar o quanto foi positiva a entrevista que ele nos concedeu. Ele continua em Vitória da Conquista, onde atua como professor universitário e desenvolve um trabalho de grande relevância acadêmica e social.

Um detalhe que chamou a nossa atenção foi a escolha do urbanismo como tema de uma pesquisa apresentada internacionalmente, embora Samuel seja formado em Administração de Empresas. Isso demonstra a amplitude de seus interesses e a capacidade de relacionar diferentes áreas do conhecimento na busca pela compreensão dos desafios enfrentados pela nossa cidade.

A pesquisa foi realizada por meio da análise de documentos oficiais do poder público e de entrevistas com agentes políticos, servidores públicos, historiadores, lideranças e cidadãos comuns. Foi, sem dúvida, um trabalho de altíssimo nível, apresentado fora do país por um querido conterrâneo que levou o nome de Vitória da Conquista para muito longe.

É mais um filho desta terra que brilha e nos enche de orgulho. Parabéns, professor Samuel Santos Oliveira, por representar tão bem a nossa amada Vitória da Conquista.