Recebi, na última sexta-feira, uma mensagem que realmente tocou fundo. Um jovem de apenas 18 anos me procurou com um apelo simples, direto e carregado de esperança. Ele quer trabalhar. Ele precisa trabalhar.

Acorda cedo, como tantos outros jovens, disposto a lutar, a buscar o seu espaço, a construir o próprio caminho com dignidade. Mas, na maioria das vezes, o que encontra são portas fechadas. Não de forma agressiva, não de forma desrespeitosa, mas com negativas que se repetem. “Não estamos recebendo currículos.” “Não há vagas no momento.” “Não podemos ajudar agora.”

E assim segue uma geração inteira, tentando dar o primeiro passo e encontrando obstáculos logo na largada.

Essa realidade não é exclusiva de Vitória da Conquista. É um retrato do Brasil. Jovens que querem estudar, ajudar em casa, conquistar sua independência, ter o mínimo para viver com dignidade. Trabalhar para comprar suas coisas, sair com os amigos, viver a juventude sem depender, o tempo todo, dos pais, que muitas vezes também enfrentam dificuldades.

O trabalho não é apenas uma fonte de renda. É identidade, é pertencimento, é autoestima. É o que faz o jovem se sentir útil, valorizado, respeitado.

Essa mensagem me fez refletir profundamente. Eu comecei a trabalhar cedo, ainda menino, não por obrigação, mas por formação, por entender dentro de casa que o trabalho dignifica, constrói, forma caráter. Foi assim comigo, foi assim com meus irmãos.

E hoje, ao ver jovens pedindo apenas uma oportunidade, fica o questionamento. Que país estamos construindo quando não conseguimos absorver essa força de vontade, essa disposição, esse desejo legítimo de trabalhar?

Fica a esperança de que possamos, em um futuro próximo, oferecer mais oportunidades. Um país mais justo, mais humano, mais sensível à sua juventude. Porque não há investimento mais importante do que acreditar e apostar em quem está começando.