“Roca, vamos inscrever o Massicas na Federação Bahiana de Vôlei? Vai acontecer um torneio de vôlei de praia, e só podem participar equipes federadas.”

Já se passaram 42 anos desde que recebi essa ligação de Salvador, feita pelo meu querido amigo, irmão e compadre Betão, o Betão Travolta. Uma pessoa por quem tenho um carinho enorme, por tudo o que vivemos juntos aqui em Vitória da Conquista: no Clube Social, nos babas do campinho de areia, nas festas do Carrascão e no bloco Massicas.
Betão é desses irmãos que Deus coloca em nossa vida sem laços de sangue, mas que aprendemos a amar como se fossem. Na época, o Massicas já era inscrito na Federação Bahiana de Futebol, participando do Campeonato de Amadores organizado pela Liga Conquistense de Desportos Terrestres.
Para disputar o torneio de vôlei de praia, não eram permitidas seleções municipais, apenas equipes federadas. Como já tínhamos inscrição, isso facilitou. Betão me ligou de madrugada. A reunião na federação, presidida por Farias, seria às nove da manhã, e ele pediu autorização.
Respondi de imediato: “Rapaz, faça o que você achar melhor.” E nos inscrevemos.
O que aconteceu depois ficou marcado na história. Foram 166 equipes inscritas, e a única representante do interior foi a nossa. De forma inédita, conquistamos o título do primeiro torneio de vôlei de praia da Bahia, realizado no Farol da Barra, com transmissão ao vivo da TV Itapoan e narração de Raimundo Varela, que hoje já não está entre nós.
No último sábado, estive na casa de Quio, irmão de Betão. Encontrei seu Otávio, minha comadre Ceres, os filhos, Rita e toda a família. Fiquei profundamente emocionado ao ver meu amigo se recuperando, com firmeza e fé, de um AVC. Está ativo, forte, e isso só reforça o quanto ele é querido por todos nós. A cidade reconhece o seu valor.

A foto que acompanha a matéria registra aquele momento histórico. Eu em uma extremidade, Betão na outra, e ao centro o time feminino. Foi o torneio de campeões de vôlei de praia, em que nos tornamos campeões do primeiro torneio da Bahia. A competição era mista, com quatro homens e duas mulheres na quadra de areia.
A conquista foi comemorada com entusiasmo em Vitória da Conquista. Lembro perfeitamente da recepção feita pelo então prefeito Pedral Sampaio, na Pousada da Conquista, quando ele entregou medalhas a todos, simbolizando aquele feito que marcou época.
Depois disso, Betão criou uma sigla tão significativa que me levou a alugar uma quadra no Colégio Dois de Julho, em Salvador, para que a equipe, formada por estudantes conquistenses que moravam na capital, pudesse treinar e competir. Estavam lá Huguinho, Betão, Atanásio, Sandra Teles, Fabiana Tanajura, Sunguinha, Gilmara, Ivone, filha de Zé Novais, os irmãos advogados Guto e Fábio Macedo, Vanusa Ferra e tantos outros.
Quanta coisa boa construímos juntos nessa Vitória da Conquista querida.
É isso. Sem excesso de saudosismo, mas com a memória afetiva viva, presente e pulsando em nós.














