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O primeiro cachê que paguei a Cláudia Leite foi R$1.000,00, o valor do transporte de Salvador para Itapetinga, onde ela se apresentaria na Exposição daquela cidade. Estava surgindo para o Brasil uma das grandes estrelas da música baiana, cuja banda vinha com o sugestivo nome de Babado Novo! O empresário era Manoel, da produtora Carreira Solo, onde eu contratava também Jammil, Araketu, Rapazolla e Negra Cor à época.

O show seria numa sexta-feira, só que o prefeito de Souza, na Paraíba, queria a artista no mesmo dia, o que levou Manoel Castro a me fazer uma ligação para o fixo, 77 3421 4007 e me fez um apelo: “preciso que você me quebre um galho: troque de data comigo, fique com o sábado e deixe a sexta-feira para um evento na Paraíba. É muito importante pra gente”, de imediato aceitei, e o que veio a ser bom para todo mundo: para Souza, a cidade, e para o prefeito, claro, além de ser ótimo para todos nós envolvidos na transação.
A partir dali a Bahia e o nordeste abriram os olhos quando ouviram a voz juvenil da lourinha cantando “feche os olhos para não ver passar o tempo, sinto falta de você”, foi seu primeiro sucesso, e logo em seguida vieram outros tantos que a tornaram famosa e capaz de voar sozinha, ou pelo menos com a ajuda de um guindaste, como fez ontem no circuito Barra/Ondina, na sua primeira aparição puxando um dos seus blocos. Fez isso consciente de quem tem cacife para homenagear Madonna, de quem tem fé em Deus, no imenso guindaste que a segurava através de um um cabo e também pela sua equipe capitaneada pelo seu marido Márcio, e composta de profissionais da sua inteira confiança.
Foi um espetáculo à parte a presença de Claudinha, a sua performance foi digna da Bahia inventiva e criativa que ressurge a cada ano com o carnaval. Um fã poderia dizer: “sim, Claudinha, eu quero é ir atrás do trio, eu quero é ver levantar poeira, com músicas carnavalescas, e aí?”. A resposta veio de imediato nas cinco primeiras músicas tocadas a partir da saída do bloco. A novíssima Perigosinha, seguida de sucessos que a fez uma das principais cantoras de trio elétrico.
Foi um Deus nos acuda, dentro do bloco e na pipoca, foi um frenesi, todo mundo se divertindo lá embaixo, enquanto que de cima do “caminhão da alegria” Claudinha pensava no coletivo e saudava suas colegas Ivete e Daniela, cantando os recentes sucessos das duas.
Enquanto isso, Márcio Pedreira e Sandro Melo esboçavam sorrisos de satisfação após convencerem a organização do carnaval de que “será muito importante para todos nós, tudo foi planejado com muito carinho e cuidado. Imaginem não podermos realizar isso em nossa cidade?”
Foi lindo, Bahia! Axé!