{"id":9847,"date":"2017-10-09T09:46:33","date_gmt":"2017-10-09T12:46:33","guid":{"rendered":"http:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/?p=9847"},"modified":"2017-10-09T09:46:33","modified_gmt":"2017-10-09T12:46:33","slug":"a-cruz-e-a-espada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/2017\/10\/09\/a-cruz-e-a-espada\/","title":{"rendered":"A Cruz e a Espada"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/nando-da-costa-lima.jpg\" class=\"gallery_colorbox\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-2596\" src=\"http:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/nando-da-costa-lima.jpg\"  alt=\"nando da costa lima\" width=\"400\" height=\"338\" srcset=\"https:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/nando-da-costa-lima.jpg 540w, https:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/nando-da-costa-lima-300x253.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Por\u00a0Nando da Costa Lima<br \/>\n<\/b><br \/>\n\u200bNa primeira metade do s\u00e9culo passado (pelo que eu leio e escuto) os homens eram mais espirituosos, devia ser a maneira de passar o tempo, sem a tecnologia de hoje&#8230;<br \/>\nA catedral tava um brinco, as senhoras da cidade fizeram quest\u00e3o de caprichar. Todo ano um grupo de festeiras ficava respons\u00e1vel pela limpeza e decora\u00e7\u00e3o da igreja matriz nos festejos de sua santa padroeira. Tinha uma missa na sa\u00edda da prociss\u00e3o e outra na chegada. Aconteceu que na v\u00e9spera do dia da padroeira da cidade, um burro de carro\u00e7a morreu ao lado da catedral. Aquilo causou um inc\u00f4modo geral, o animal logo come\u00e7aria a entrar em decomposi\u00e7\u00e3o e isso causaria grandes transtornos. Se fosse um animal menor, o pr\u00f3prio padre teria resolvido com a ajuda de alguns fi\u00e9is. Mas era um burro enorme, ali s\u00f3 um caminh\u00e3o da prefeitura pra dar um jeito, era s\u00f3 jogar o animal na carroceria e dispensar em algum lugar. Nesses tempos a gente ainda usava o termo \u201cvou jogar no mato\u201d. Tudo que tinha pra ser descartado, em vez de ir pro lixo, ia pro mato. E esse seria o fim do bicho, jogariam o burro no mato e os urubus se encarregariam do resto.<br \/>\n\u200bQuando o padre ficou sabendo que o burro j\u00e1 estava fedendo, mandou logo o sacrist\u00e3o ir ao encontro do prefeito, que apesar de ser seu advers\u00e1rio pol\u00edtico, era o \u00fanico que poderia dar uma solu\u00e7\u00e3o para o problema (O sargento iria se sentir ofendido se o padre lhe pedisse aux\u00edlio, um revolucion\u00e1rio prendedor de integralista n\u00e3o ia enterrar burro para padre). A festa da padroeira era motivo de orgulho para toda a cidade, principalmente para o prefeito. S\u00f3 que ele, famoso pelo senso de humor, recebeu o sacrist\u00e3o, ouviu o recado do padre e enviou um bilhete como resposta, sem perder a piada. O padre quase morre de raiva ao abrir o bilhete: <!--more-->\u201cCaro reverendo, \u00e9 dever dos religiosos dar assist\u00eancia aos mortos\u201d. Mas pra n\u00e3o sair perdendo, o padre, que tamb\u00e9m era muito espirituoso, escreveu uma tr\u00e9plica ao prefeito que tentou desmoraliz\u00e1-lo, e mandou ele dar assist\u00eancia a um animal pag\u00e3o: \u201cPrezado Sr. Prefeito, quando eu pedi pro senhor mandar pegar o burro que morreu aqui do lado da Catedral, o senhor respondeu que era eu, como religioso, quem deveria encomendar o corpo do defunto (o burro). Por isso estou respondendo que n\u00f3s, sacrist\u00e3os, antes de fazermos qualquer procedimento com o corpo, temos de avisar \u00e0 fam\u00edlia do morto\u201d.<br \/>\n\u200bE na festa da padroeira, s\u00f3 se falava na rusga do padre com o prefeito.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por\u00a0Nando da Costa Lima \u200bNa primeira metade do s\u00e9culo passado (pelo que eu leio e escuto) os homens eram mais espirituosos, devia ser a maneira de passar o tempo, sem a tecnologia de hoje&#8230; A catedral tava um brinco, as senhoras da cidade fizeram quest\u00e3o de caprichar. 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