{"id":9604,"date":"2017-09-21T07:00:46","date_gmt":"2017-09-21T10:00:46","guid":{"rendered":"http:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/?p=9604"},"modified":"2017-09-20T23:35:46","modified_gmt":"2017-09-21T02:35:46","slug":"a-fita-amarela","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/2017\/09\/21\/a-fita-amarela\/","title":{"rendered":"A fita amarela"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/411655D6-28CE-4C13-A4DB-3E8BEF2A2702L0001-IMG_5014.PNG.jpg\" class=\"gallery_colorbox\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-8619\" src=\"http:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/411655D6-28CE-4C13-A4DB-3E8BEF2A2702L0001-IMG_5014.PNG.jpg\"  alt=\"Edvaldo\" width=\"400\" height=\"293\" srcset=\"https:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/411655D6-28CE-4C13-A4DB-3E8BEF2A2702L0001-IMG_5014.PNG.jpg 750w, https:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/411655D6-28CE-4C13-A4DB-3E8BEF2A2702L0001-IMG_5014.PNG-300x220.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Por Edvaldo Paulo de Ara\u00fajo<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ano 1960, morava em Potenza, It\u00e1lia. Em nossa cidade, os jovens, ambiciosos, partiam cedo em busca de melhores dias para eles e suas fam\u00edlias. H\u00e1 muito, sonhava com essa possibilidade, s\u00f3 n\u00e3o o fazendo por amor a uma ragazza amada, minha primeira namorada e primeiro amore, Nina Chiarelli, al\u00e9m de deixar minha querida e amada m\u00e3e. J\u00e1 n\u00e3o tinha o meu papa, que se fora cedo para o outro lado da vida, deixando-me ainda pequeno, fui criado pela minha mama. Minha madre sempre me apoiava e dizia, \u201cv\u00e1, filho mio, n\u00e3o se preocupe comigo, em busca de dias melhores para tu e tua fam\u00edlia que vir\u00e1, sabes que aqui n\u00e3o ter\u00e1s muita chance e dizem que, no Brasil, tem muita fartura e todos que para l\u00e1 partem se enriquecem\u201d. Tinha alguns patr\u00edcios nos Estados Unidos e tamb\u00e9m no Brasil, sendo este o pa\u00eds que mais me atra\u00eda.<br \/>\nA ideia de partir e deixar Nina n\u00e3o me cabia, meu cora\u00e7\u00e3o n\u00e3o aceitava, meus olhos marejam de l\u00e1grimas quando pensava na falta que sentiria dela, mas o assunto muito me atra\u00eda. N\u00e3o procurava falar muito, pois era motivo de nossas brigas e por n\u00e3o querer isso, procurava me silenciar. Quando falava do assunto, procurava embalar junto com nossos sonhos de um dia podermo-nos casar, ter uma bela casa, sermos respeitados em Potenza e ver os \u201cbambinos\u201d crescerem sem as necessidades que nos acometiam. Dizia da minha prefer\u00eancia pelo Brasil, especificamente S\u00e3o Paulo, onde tinha primos, filhos do tio Ant\u00f4nio. E as not\u00edcias que chegavam eram que estavam muito bem.<!--more--><br \/>\nEra natal. Estava com Nina na casa de sua fam\u00edlia e, durante a ora\u00e7\u00e3o, o meu pensamento voou com meus sonhos e, naquele momento, tornou mais forte que o meu amor por Nina. Tomei a decis\u00e3o de partir assim que conclu\u00edsse todos os preparativos. Partiria para o Brasil em busca de trabalho, riqueza e a realiza\u00e7\u00e3o de sonhos dos meus 20 anos. Partiria em segredo, sem nenhum aviso \u00e0 minha amada. Viveria aqueles dias que antecederiam a minha partida com intensidade e amor, apreciaria cada minuto, cada momento, cada afago, cada carinho como sendo o \u00faltimo pois, no meu cora\u00e7\u00e3o, seria a nossa despedida, o nosso adeus.<br \/>\nAs dificuldades da longa viagem de navio, a terra desconhecida e suas dificuldades eram tidas como as grandes barreiras a serem transpostas. Muitos n\u00e3o sobreviveram, n\u00e3o voltaram mais, deixando muitas vezes suas fam\u00edlias sem not\u00edcias do que aconteceu e eternamente com a esperan\u00e7a de um dia v\u00ea-los baterem \u00e0 porta e entrar. Tinha certeza de que isso n\u00e3o aconteceria comigo, voltaria, sim, para minha mama e para o meu amor, mas a d\u00favida cruel de que Nina n\u00e3o me esperaria tantos anos me consumia e, muitas vezes, a ang\u00fastia era t\u00e3o grande, que n\u00e3o deixava viver com alegria os nossos \u00faltimos momentos antes da minha partida, al\u00e9m de n\u00e3o me agradar, em nenhum instante, estar enganando-a, n\u00e3o lhe contando a verdade.<br \/>\nFicava \u00e0 noite sem conseguir dormir, olhando para o telhado, pensando na alternativa de contar-lhe sobre a minha partida, pedir-lhe para que me esperasse, pois o meu amor resistiria \u00e0 dist\u00e2ncia e a certeza da sua espera me daria for\u00e7as para trabalhar dias a fio para conseguir os objetivos almejados, seja em que tempo fosse. Dormi. Quando acordei bem cedo, j\u00e1 n\u00e3o tinha a coragem de olhar aqueles olhos verdes que, certamente, se encheriam de l\u00e1grimas, ao receberem a not\u00edcia da minha partida. Portanto, n\u00e3o lhe contei.<br \/>\nEm meados de maio de 1961, na noite que antecedia \u00e0 minha partida, passei a noite em claro, com d\u00favidas, ansiedade, tristeza, l\u00e1grimas, mas, ao amanhecer, depois de um longo beijo e abra\u00e7o em minha mama, sa\u00ed com a pequena mala na m\u00e3o, olhando para tr\u00e1s. E a imagem da minha m\u00e3e na porta de nossa casa me acenando ficou para sempre na minha mente e em meu cora\u00e7\u00e3o.<br \/>\nSentado num banco solit\u00e1rio da esta\u00e7\u00e3o, n\u00e3o continha minhas l\u00e1grimas, minha saudade e, como um filme, passavam em minha mente os meus momentos com Nina. A lembran\u00e7a do seu sorriso, seus beijos, seus abra\u00e7os aqueciam a minha alma. Naquele momento t\u00e3o marcante em minha vida, t\u00e3o entregue em meus pensamentos que n\u00e3o notei a chegada e o embarque do trem em dire\u00e7\u00e3o a N\u00e1poles. A cada apito do trem, despertava-me dos meus pensamentos e a realidade naquele momento me do\u00eda muito.<br \/>\nParti para o Brasil num navio cargueiro em busca da realiza\u00e7\u00e3o dos meus sonhos, deixando para tr\u00e1s o meu pa\u00eds, minha fam\u00edlia e minha amada; tudo o que mais amava estava agora s\u00f3 no meu pensamento, nas lembran\u00e7as e em meu cora\u00e7\u00e3o.<br \/>\nDepois de uma longa viagem, recheada de todas as dificuldades, cheguei ao Brasil. Ap\u00f3s alguns percal\u00e7os, encontrei os meus parentes, que me receberam com muita alegria, hospedaram-me e me ajudaram a arrumar meu primeiro trabalho. Iniciava a minha luta para alcan\u00e7ar a realiza\u00e7\u00e3o dos meus sonhos, seria grande a minha luta, mas este seria o meu \u00fanico foco, todos os dias, todos os esfor\u00e7os, esqueceria da dor do cansa\u00e7o, da saudade, focaria todo o meu tempo em busca dessas realiza\u00e7\u00f5es.<br \/>\nE os anos se passaram&#8230; Minha mama foi para o outro lado da vida.<br \/>\nConsegui a minha reden\u00e7\u00e3o financeira, minhas empresas, meus neg\u00f3cios, bens, patrim\u00f4nio, namoradas, amantes, at\u00e9 quase me casei, tendo desistido, pois n\u00e3o esquecia minha amada italiana. Todos aqueles anos, foi o que mais tentei, n\u00e3o conseguindo; por mais que tentasse, era muito forte aquele sentimento. Naquele momento, voltei quase totalmente a pensar em Nina e resolvi tomar uma atitude, voltaria \u00e0 It\u00e1lia e tentaria encontr\u00e1-la.<br \/>\nUm amigo que ia para It\u00e1lia, conhecia minha hist\u00f3ria, levou uma carta para Nina e foi com a miss\u00e3o de encontr\u00e1-la. Na carta, disse a ela que gostaria de encontr\u00e1-la, conversar e, caso ela me quisesse de volta, colocasse uma grande fita amarela numa frondosa \u00e1rvore que existia perto da nossa cidade. Compraria a passagem de N\u00e1poles direto para Taranto. Passando pela nossa cidade Potenza, se a \u00e1rvore estivesse com a fita, desceria. Caso n\u00e3o tivesse, passaria direto e seguiria a minha vida sem a mulher que mais amei.<br \/>\nO trem se aproximava. Era grande a minha ansiedade, olhava ansioso, quando a velocidade diminui com a proximidade da cidade. Pedia a todos que olhassem, pois tinha medo de n\u00e3o ver a fita amarela, de n\u00e3o mais existir a \u00e1rvore e eis que, de repente, todos gritaram: Attenzione! Vedi!<br \/>\nTODAS AS \u00c1RVORES, DE TODOS OS LADOS, ESTAVAM COM GRANDES FITAS AMARELAS!!!!!<br \/>\n&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;..HOMENAGEM<br \/>\n<i>Este texto \u00e9 uma Homenagem a TIA NINA CHIARELLI, a quem tanto amamos! Jamais, em tempo algum, ser\u00e1 esquecida. A outra homenagem foi ao dar o seu nome a nossa neta LUA NINA, que herdou dela a sua beleza, serenidade e meiguice.<br \/>\nQue Deus a aben\u00e7oe sempre, TIA AMADA.<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Edvaldo Paulo de Ara\u00fajo Ano 1960, morava em Potenza, It\u00e1lia. 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