{"id":9115,"date":"2017-08-19T15:00:54","date_gmt":"2017-08-19T18:00:54","guid":{"rendered":"http:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/?p=9115"},"modified":"2017-08-19T15:00:54","modified_gmt":"2017-08-19T18:00:54","slug":"ser-policia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/2017\/08\/19\/ser-policia\/","title":{"rendered":"Ser pol\u00edcia"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/delegado-valdir-barbosa.jpg\" class=\"gallery_colorbox\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-2121\" src=\"http:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/delegado-valdir-barbosa.jpg\"  alt=\"delegado valdir barbosa\" width=\"400\" height=\"265\" srcset=\"https:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/delegado-valdir-barbosa.jpg 600w, https:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/delegado-valdir-barbosa-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Por Valdir Barbosa\u00a0<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dia destes, meu querido neto, Gabriel, em cujas veias corre o sangue das duas institui\u00e7\u00f5es policiais que honram a Bahia &#8211; o av\u00f4 \u00e9 este calejado homem de pol\u00edcia civil e o pai, oficial da briosa corpora\u00e7\u00e3o coirm\u00e3 &#8211; me perguntou, do alto da sua santa inoc\u00eancia e sapiente curiosidade infantil. Vov\u00f4, o que \u00e9 ser policial.<br \/>\nAdmirou-me a cobran\u00e7a, muito embora, por obvio, tenha agu\u00e7ado seu interesse, a pugna permanente do pai, integrante de equipe especializada da Pol\u00edcia Militar, com atua\u00e7\u00e3o nas terras do cacau e entorno, ausente de casa por longos dias, a enfrentar os desafios todos, conhecidos das mulheres e homens de pol\u00edcia, id\u00eanticos em todo pa\u00eds e porque n\u00e3o dizer mundo afora.<br \/>\nTamb\u00e9m, qui\u00e7\u00e1, seu questionamento guarde motivos, mesmo sendo ainda pequeno, em face das hist\u00f3rias hoje contadas pelo pai de sua genitora, pois a vida nos reserva momentos de fazer hist\u00f3ria e ao final cont\u00e1-las. Vivo hoje o privil\u00e9gio do doce momento de rememorar.<br \/>\nPensei em come\u00e7ar dizendo, o quanto ser pol\u00edcia exige grande dose de vigil\u00e2ncia, ao lembrar frase que alguns atribuem a Shakespeare: \u201cA eterna vigil\u00e2ncia \u00e9 o pre\u00e7o da seguran\u00e7a. Pois, alguns devem velar enquanto outros dormem\u201d. Todavia, acreditei devesse ser o mais simples poss\u00edvel, para tentar explicar aquela crian\u00e7a, por mais complexa seja a atividade policial, por mais que sejam enormes os desafios e riscos dela inerentes e pretendi, na fra\u00e7\u00e3o de segundos respons\u00e1veis por separar a indaga\u00e7\u00e3o do resultado esperado, falar da beleza escondida no ato de fazer pol\u00edcia.<!--more--><br \/>\nE respondi. Meu filho: ser policia \u00e9 ter um cora\u00e7\u00e3o bom, assim como \u00e9 o cora\u00e7\u00e3o de seu pai, todos os colegas dele e tamb\u00e9m deste teu av\u00f4. Ao contr\u00e1rio do que muitos pensam, ou divulgam, o verdadeiro policial \u00e9 sens\u00edvel, cuidadoso, terno, preocupado com o outro e v\u00ea, nas pessoas a quem defende, a fam\u00edlia que tanto ama, mas, na maioria das vezes \u00e9 deixada em segundo plano, posto sua obriga\u00e7\u00e3o lhe afasta por horas, dias, semanas, at\u00e9 meses, do conv\u00edvio com os entes mais amados.<br \/>\nSer pol\u00edcia \u00e9 estar disposto a servir, sobretudo aos mais humildes, \u00e9 n\u00e3o temer buscando for\u00e7as, no sentido de enfrentar quaisquer perigos objetivando atender ocorr\u00eancias, das mais simples, a casos de extremo perigo, onde a vida, o bem mais precioso que recebemos todos, se acha em risco.<br \/>\nSer policial obriga aquele que abra\u00e7a o of\u00edcio, a privar pela retid\u00e3o de car\u00e1ter, por estar permanentemente sobre o estribo da honestidade, em quaisquer que sejam as circunst\u00e2ncias. O homem de pol\u00edcia deve ser o exemplo e n\u00e3o pode se deixar envolver por maus modelos, a pontuar tantos comportamentos de homens p\u00fablicos, respons\u00e1veis, na esteira de seus atos \u00edmprobos, pelos grandes despaut\u00e9rios da atualidade.<br \/>\nClaro, as palavras escutadas com avidez e assistidas com entusiasmo, por aqueles ouvidos atentos e olhos faiscantes reservavam sin\u00f4nimos mais simples, afinal era uma crian\u00e7a quem ouvia aquelas assertivas.<br \/>\nContinuei. Ser pol\u00edcia \u00e9 estar em constante treinamento, para atuar de forma necess\u00e1ria, quando preciso for; \u00e9 perquirir ininterruptamente em busca verdade e t\u00e3o somente dela, a verdade, no objetivo de fazer justi\u00e7a; \u00e9 exercitar a paci\u00eancia, a persist\u00eancia, a intelig\u00eancia, no af\u00e3 de esclarecer os crimes; \u00e9 ser sagaz, cuidadoso, dissimulado, ardiloso, quando o objetivo for a captura do delinquente, a negocia\u00e7\u00e3o em momentos de crise, sem que isto implique em ato de covardia, entretanto, a\u00e7\u00f5es de alto risco merecem cuidados redobrados; \u00e9 ser en\u00e9rgico, duro, efetivo, respondendo no mesmo n\u00edvel de agressividade, \u00e0s rea\u00e7\u00f5es dos que decidem encarar agentes da lei, podendo chegar a quaisquer extremos necess\u00e1rios, sem que isto implique em postura excessiva e arbitraria, afinal, entre o representante do estado e o transgressor, que perca o transgressor. A op\u00e7\u00e3o \u00e9 dele.<br \/>\nGabriel apenas meneava a cabe\u00e7a e indicava se fazer entendido. Ent\u00e3o, para concluir lhe disse. Acima de tudo, o homem de pol\u00edcia precisa saber chorar e n\u00e3o deve ter vergonha de faz\u00ea-lo. N\u00e3o precisa corar por conta disto, se tratam todos, mulheres e homens dedicados a esta fun\u00e7\u00e3o espinhosa, de seres humanos como os demais, com suas vicissitudes, desejos, anseios, medos, duvidas, car\u00eancias, paix\u00f5es, amores, segredos e sonhos.<br \/>\nChorar, sobretudo, quando ao fim e ao cabo de miss\u00f5es ingratas, mas n\u00e3o ingl\u00f3rias, forem exitosos. Finalizei, contando como fui \u00e0s l\u00e1grimas, nos idos da d\u00e9cada de noventa, quando ap\u00f3s dias de tratativas com sequestradores, depois de prender em Aracaju o negociador dos fac\u00ednoras comandei a invas\u00e3o do cativeiro. Eu mesmo encontrei um garoto, assim como ele. Trazia na \u00e9poca a mesma idade sua, no agora. Estava acorrentado como um c\u00e3o, aos p\u00e9s da cama que lhe serviu de calv\u00e1rio por semanas. Arranquei-lhe os ferros, tomei-o no colo. Por um tempo esteve incr\u00e9dulo sem saber o que ocorria, mas aos pouco entendeu estar nos bra\u00e7os de quem teve o privilegio de libert\u00e1-lo.<br \/>\nN\u00e3o sei onde est\u00e1 agora dita figura, filho de advogado, o pai tinha, inclusive, tempos antes sido Delegado de Pol\u00edcia. Espero esteja bem e tenha superado os traumas que marcam indelevelmente estas vitimas. Lembro que as l\u00e1grimas rolavam em minhas faces com abund\u00e2ncia, molhando meu rosto quando agradeci a Deus pelo direito, o mesmo que tive, outras vezes tamb\u00e9m, de resgatar pessoas em id\u00eanticas circunst\u00e2ncias.<br \/>\nMeu pequeno neto havia adormecido e n\u00e3o notou, outra vez meus olhos marejaram, no dorso da lembran\u00e7a. Deixei de lhe dizer que esta \u00e9 a maior das recompensas do ser pol\u00edcia. Servir, em especial a sociedade e a justi\u00e7a. O prazer do policial n\u00e3o reside em ter autoridade, prender, usar a for\u00e7a, mesmo fazendo-o no exerc\u00edcio do estrito cumprimento de dever legal. A satisfa\u00e7\u00e3o destes abnegados, se esconde na emo\u00e7\u00e3o em cumprir seu dever. E nada mais.<br \/>\nO infante em meus bra\u00e7os devia estar sonhando com estes tantos homens e mulheres que s\u00e3o pol\u00edcia de verdade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Valdir Barbosa\u00a0 Dia destes, meu querido neto, Gabriel, em cujas veias corre o sangue das duas institui\u00e7\u00f5es policiais que honram a Bahia &#8211; o av\u00f4 \u00e9 este calejado homem de pol\u00edcia civil e o pai, oficial da briosa corpora\u00e7\u00e3o coirm\u00e3 &#8211; me perguntou, do alto da sua santa inoc\u00eancia e sapiente curiosidade infantil. 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