{"id":59610,"date":"2026-09-25T09:05:47","date_gmt":"2026-09-25T12:05:47","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/?p=59610"},"modified":"2026-09-25T09:05:47","modified_gmt":"2026-09-25T12:05:47","slug":"acumulando-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/2026\/09\/25\/acumulando-2\/","title":{"rendered":"Acumulando"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\"><strong><span class=\"s1\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignright size-medium wp-image-59611\" src=\"https:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/ae825776-28c1-40e7-97bf-7c9442331f97-240x300.jpeg\" alt=\"\" width=\"240\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/ae825776-28c1-40e7-97bf-7c9442331f97-240x300.jpeg 240w, https:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/ae825776-28c1-40e7-97bf-7c9442331f97.jpeg 400w\" sizes=\"(max-width: 240px) 100vw, 240px\" \/><br \/>\nPor Edvaldo Paulo de Ara\u00fajo<\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s2\">A<\/span><span class=\"s3\"> hist\u00f3ria humana remonta a milhares e milhares de anos. Desde todos os tempos, o homem vem aprendendo, desaprendendo, apanhando, ao longo do tempo, por sua falta de consci\u00eancia, por seu esp\u00edrito destrutivo e ainda muito brutal.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s3\">Desde tempos remotos, o homem adquiriu uma forma de autoprote\u00e7\u00e3o: acumular alimentos e reservas, prevendo a escassez, os dias dif\u00edceis, as secas, as doen\u00e7as e a imprevisibilidade dos tempos. Esse h\u00e1bito foi se tornando maior, ficando cada vez mais amplo e, \u00e0s vezes, incontrol\u00e1vel.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s3\">O que mais me chama a aten\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, n\u00e3o \u00e9 apenas o ac\u00famulo de riquezas ou de bens materiais, mas um ac\u00famulo \u00edntimo de diferen\u00e7as destrutivas. Vejo fam\u00edlias sendo destru\u00eddas por diferen\u00e7as guardadas, raivas, ci\u00fames, malqueren\u00e7as, tudo acumulado no \u00edntimo de cada pessoa.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s4\">Quando o amor come\u00e7a a acumular feridas<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s3\">Numa rela\u00e7\u00e3o de amor, vejo casais que v\u00e3o acumulando diferen\u00e7as, pequenos desgostos, palavras ditas em momentos dif\u00edceis, gestos mal interpretados. Mas o pior \u00e9 o seu ac\u00famulo. \u00c9 guardar esses sentimentos negativos como se fossem um bem precioso, quando, na verdade, produzem infelicidades e destroem rela\u00e7\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s3\">Simplesmente porque se guardou, ressentiu, n\u00e3o perdoou, n\u00e3o esclareceu. E, quando o casal acorda, o que existe s\u00e3o duas pessoas para as quais a derrota de uma parece significar a vit\u00f3ria da outra, como quem diz, num jarg\u00e3o popular: \u201cToma! Coisa boa!\u201d.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">Isso \u00e9 amor? O que fizeram do amor que existia? Deixaram o ac\u00famulo de diferen\u00e7as transformar-se em embate e apagar o companheirismo que o amor deveria fazer existir.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s4\">O sentido da vida e o estoque mental<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s3\">Como sou estudioso da ci\u00eancia da Logoterapia \u2014 o sentido da vida \u2014, cujo pai e criador \u00e9 o mestre e doutor Viktor Frankl, sempre me deparo, nas minhas amizades, com casos interessantes que, para as pessoas envolvidas, parecem intimamente intranspon\u00edveis e imensos. Quando, na realidade, com um olhar de consci\u00eancia e conhecimento ampliado, percebe-se como determinadas quest\u00f5es podem ser encaradas de maneira diferente.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s5\">\u201cDesde que se retire do estoque mental aquilo que foi acumulado e se resolva, de uma vez por todas.\u201d<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s4\">As dores que permanecem guardadas<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s3\">Uma mo\u00e7a amiga minha, em diversos di\u00e1logos comigo, fez-me perceber o quanto sua autoestima era baixa e o quanto isso a fazia infeliz, por n\u00e3o se sentir amada por ningu\u00e9m. A origem desse sentimento estava profundamente ligada a fatos de seu passado.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s3\">Ainda crian\u00e7a, sua m\u00e3e a enviou para morar com a av\u00f3, uma senhora idosa que vivia sozinha na zona rural. Durante a inf\u00e2ncia, quando tinha sete anos, ela sofreu viol\u00eancia sexual praticada por um adulto. Foi um epis\u00f3dio terr\u00edvel, que produziu desdobramentos profundos em sua vida.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s3\">Anos depois, sua av\u00f3 faleceu e a fam\u00edlia a levou de volta. Inicialmente, em vez de retornar diretamente \u00e0 casa dos pais, ela foi morar com uma irm\u00e3 e, somente depois de algum tempo, passou a viver novamente com os pais.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s3\">Ao longo de muitos anos, permaneceu dentro dela o sentimento de rejei\u00e7\u00e3o e uma pergunta insistente: por que sua fam\u00edlia a colocou para morar com a av\u00f3? Por qu\u00ea? Por qu\u00ea?<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s3\">Dentro do seu cora\u00e7\u00e3o e do seu \u00edntimo, ela nunca conseguiu superar completamente esse fato, carregando uma profunda tristeza.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s3\">Sugeri que o in\u00edcio de uma poss\u00edvel resolu\u00e7\u00e3o passaria pelo enfrentamento dessa situa\u00e7\u00e3o com sua m\u00e3e e seu pai: questionar, colocar seus sentimentos diante deles, abrir o cora\u00e7\u00e3o, contar o que viveu e estar preparada tamb\u00e9m para ouvir as explica\u00e7\u00f5es deles. Depois disso, haveria ainda o dif\u00edcil caminho do perd\u00e3o, para que pudesse seguir mais livre, deixando para tr\u00e1s o peso de um passado traum\u00e1tico.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s3\">O sofrimento \u00e9 inevit\u00e1vel em muitos momentos. Se for evit\u00e1vel, faz sentido remover sua causa, porque o sofrimento desnecess\u00e1rio n\u00e3o precisa ser transformado em ato heroico. E, mesmo quando a pessoa n\u00e3o consegue mudar a situa\u00e7\u00e3o que provoca sofrimento, pode escolher a atitude com que ir\u00e1 enfrent\u00e1-la. \u00c9 importante n\u00e3o permitir que acontecimentos passados continuem quebrando o nosso presente.<\/span><!--more--><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">\u201cAffectus, qui passio est, desinit esse passio, simulatque eius claram et distinctam formamus ideam.\u201d<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s3\">\u201cA emo\u00e7\u00e3o que \u00e9 sofrimento deixa de ser sofrimento no momento em que dela formamos uma ideia clara e n\u00edtida.\u201d \u2014 Baruch de Espinosa, <\/span><span class=\"s1\">\u00c9tica<\/span><span class=\"s3\">, quinta parte, proposi\u00e7\u00e3o III.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s4\">Amar tamb\u00e9m \u00e9 libertar<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s3\">Na Carta de S\u00e3o Paulo aos Cor\u00edntios, o amor aparece como aquilo que h\u00e1 de mais sublime entre n\u00f3s, seres humanos. O amor \u00e9 uma das maneiras mais profundas de alcan\u00e7ar outro ser humano na intimidade de sua personalidade.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s3\">Por meio do amor, uma pessoa se torna capaz de perceber os tra\u00e7os, as caracter\u00edsticas e as potencialidades do ser amado. Mais ainda: consegue enxergar aquilo que ainda n\u00e3o foi realizado, mas que existe como possibilidade.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s3\">Atrav\u00e9s do amor, aquele que ama pode ajudar a pessoa amada a tomar consci\u00eancia do que pode ser e do que pode vir a realizar. Quando amamos, portanto, n\u00e3o \u00e9 inteligente acumular diferen\u00e7as, deixar di\u00e1logos pela metade, recusar o pedido de perd\u00e3o ou negar-se a perdoar.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s3\">Mais do que tudo, precisamos aprender a ser livres em nosso estado \u00edntimo.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s4\">A felicidade n\u00e3o pode depender de outro<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s3\">Todos os seres humanos dependem de um sentido para viver e buscar, al\u00e9m do bem-estar \u00edntimo, a t\u00e3o sonhada felicidade. N\u00e3o acumular diferen\u00e7as negativas com ningu\u00e9m deveria ser uma escolha permanente. Para sermos felizes, h\u00e1 uma s\u00e9rie de condi\u00e7\u00f5es, imensas para alguns e simples para outros.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s3\">Se quisermos manter nossa liberdade, felicidade e alegria, precisamos preservar algumas condi\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas no nosso \u00edntimo: sentir-nos livres, evitar alimentar \u00f3dios e malqueren\u00e7as e n\u00e3o transformar diferen\u00e7as em doen\u00e7as da alma.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s3\">Numa sess\u00e3o de grupo de casais, perguntaram a uma senhora se seu marido a fazia feliz. Prontamente ela respondeu:<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s2\">\u201cN\u00e3o, n\u00e3o faz. Eu sou feliz.\u201d<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s3\">Ao tomar conhecimento dessas palavras, fiquei a pensar e meditar sobre a quest\u00e3o: eu sou feliz. Por qu\u00ea?<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s3\">Porque me amo, me respeito, tenho liberdade \u00edntima, procuro n\u00e3o guardar diferen\u00e7as com ningu\u00e9m, digo, com voz calma e pausada, aquilo que penso. N\u00e3o quero mudar ningu\u00e9m. Sou o que sou sem exigir que as pessoas pensem como eu.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s3\">E sigo buscando sempre o lado bom das coisas. Encaro o sofrimento, quando ele chega, como algo que pode me fortalecer. N\u00e3o o busco e procuro evit\u00e1-lo, mas, diante das fatalidades, busco dentro de mim, atrav\u00e9s do agradecimento di\u00e1rio, for\u00e7a e supera\u00e7\u00e3o, seguindo sempre em busca do melhor, da luz, do amor e da divindade do maior mestre, o Mestre Jesus.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s4\">Escolha bem aquilo que voc\u00ea acumula<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s3\">N\u00e3o acumule, n\u00e3o guarde diferen\u00e7as, \u00f3dios, raivas e sentimentos negativos. Deixe seu cora\u00e7\u00e3o dispon\u00edvel para amar, para ser feliz, para emo\u00e7\u00f5es verdadeiramente humanas e grandiosas.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s3\">Acumule momentos de felicidade, a beleza dos encontros, as lembran\u00e7as de lugares inesquec\u00edveis, as viagens maravilhosas, as pessoas lindas e as emo\u00e7\u00f5es que fizeram sua exist\u00eancia valer a pena. \u00c9 para isso que voc\u00ea tem sua mente e seu cora\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s4\">Precisamos urgentemente saber o que estamos fazendo e como estamos vivendo.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s3\">Para isso, podemos nos inspirar em seres humanos que deixaram marcas profundas de servi\u00e7o, espiritualidade, resist\u00eancia, solidariedade e dedica\u00e7\u00e3o ao pr\u00f3ximo. Ouso citar Francisco de Assis, Nelson Mandela, Madre Teresa de Calcut\u00e1, Albert Schweitzer, Dalai Lama,<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Edvaldo Paulo de Ara\u00fajo A hist\u00f3ria humana remonta a milhares e milhares de anos. Desde todos os tempos, o homem vem aprendendo, desaprendendo, apanhando, ao longo do tempo, por sua falta de consci\u00eancia, por seu esp\u00edrito destrutivo e ainda muito brutal. 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