{"id":58425,"date":"2026-08-11T18:50:53","date_gmt":"2026-08-11T21:50:53","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/?p=58425"},"modified":"2026-08-11T18:51:24","modified_gmt":"2026-08-11T21:51:24","slug":"mais-um-belissimo-texto-da-nossa-querida-amiga-tia-nem-de-itabuna","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/2026\/08\/11\/mais-um-belissimo-texto-da-nossa-querida-amiga-tia-nem-de-itabuna\/","title":{"rendered":"Mais um bel\u00edssimo texto da nossa querida amiga, Tia Nem, de Itabuna"},"content":{"rendered":"<p class=\"p2\"><span class=\"s1\"><img loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-57568 alignleft\" src=\"https:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/04275622-3818-4e4b-a9f8-7b5ca76462d7-300x201.jpeg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"201\" srcset=\"https:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/04275622-3818-4e4b-a9f8-7b5ca76462d7-300x201.jpeg 300w, https:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/04275622-3818-4e4b-a9f8-7b5ca76462d7.jpeg 600w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><br \/>\nMeus amigos, minhas amigas, caros leitores do Blog do Agito Geral, eu cometi um erro ao n\u00e3o fazer um coment\u00e1rio sobre o texto que a minha querida Tia Nem nos encaminhou na ter\u00e7a-feira passada. Deixei passar, n\u00e3o comentei, mas j\u00e1 pedi desculpas a ela por essa omiss\u00e3o. Hoje, n\u00e3o poderia deixar de escrever algumas palavras sobre o que ela nos traz e que publicaremos em nosso blog.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\"><span class=\"s1\">Eu sempre sou chamado \u00e0 aten\u00e7\u00e3o pela minha fam\u00edlia, at\u00e9 pela ca\u00e7ula de quinze anos, de que a gente n\u00e3o precisa dar tantas explica\u00e7\u00f5es. E o tempo passa, a vida segue, e vamos descobrindo que isso \u00e9 verdade.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\"><span class=\"s1\">A nossa intimidade, o nosso \u00edntimo, aquilo que carregamos dentro de n\u00f3s, nos pertence. Ningu\u00e9m sabe exatamente o que se passa no interior de outra pessoa. Quantas vezes tentamos explicar aquilo que sentimos, aquilo que fazemos, quando, na verdade, determinadas coisas pertencem somente a n\u00f3s?<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\"><span class=\"s1\">E quero dizer \u00e0 Tia Nem que aprendi mais um pouco com a vida depois de ler esse texto maravilhoso. \u00c9 exatamente isso que uma boa leitura faz: provoca, ensina, desperta uma reflex\u00e3o e, muitas vezes, nos faz enxergar algo que estava diante dos nossos olhos, mas que ainda n\u00e3o hav\u00edamos percebido.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\"><span class=\"s1\">Aproveito, Tia Nem, para repetir algo que j\u00e1 lhe disse: tenho uma admira\u00e7\u00e3o muito especial pelo que voc\u00ea escreve. Seus textos t\u00eam sensibilidade, experi\u00eancia e essa capacidade t\u00e3o bonita de fazer o leitor pensar sobre a vida.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\"><span class=\"s1\">Voc\u00ea \u00e9 um verdadeiro brinde para os seus leitores a\u00ed do Centro-Sul e, agora, tamb\u00e9m para n\u00f3s aqui no Sudoeste da Bahia, atrav\u00e9s do Blog do Agito Geral.<\/span><!--more--><\/p>\n<p class=\"p2\"><span class=\"s1\">Grande abra\u00e7o, Tia Nem. Um \u00f3timo dia e que Deus te aben\u00e7oe.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\"><em><strong><span class=\"s1\">A dignidade de existir sem pedir desculpas. <\/span><\/strong><\/em><\/p>\n<p class=\"p2\"><em><span class=\"s1\">Por Maria Reis Gon\u00e7alves<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>(Tia Nem)<\/span><\/em><\/p>\n<p class=\"p2\"><em><span class=\"s1\">H\u00e1 um lugar dentro de n\u00f3s onde mora o que \u00e9 inegoci\u00e1vel. Um territ\u00f3rio \u00edntimo, silencioso, que n\u00e3o se curva \u00e0s expectativas, nem \u00e0s exig\u00eancias dos que querem moldar a alma alheia. Esse lugar se chama dignidade.<\/span><\/em><\/p>\n<p class=\"p2\"><em><span class=\"s1\">A dignidade humana n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o direito de viver \u2014 \u00e9 o direito de ser. Ser quem se \u00e9, sem precisar se justificar o tempo todo. Sem precisar pedir desculpas por existir. Sem ter que encolher a pr\u00f3pria luz para caber no mundo estreito dos outros.<\/span><\/em><\/p>\n<p class=\"p2\"><em><span class=\"s1\">Desde cedo, aprendemos a nos adaptar. A sorrir quando quer\u00edamos chorar. <\/span><\/em><\/p>\n<p class=\"p2\"><em><span class=\"s1\">A obedecer para sermos amados. A nos silenciar para evitar rejei\u00e7\u00f5es. <\/span><\/em><\/p>\n<p class=\"p2\"><em><span class=\"s1\">Muitos de n\u00f3s, ao longo da vida, fomos cedendo pequenos peda\u00e7os de n\u00f3s mesmos \u2014 por medo, por necessidade, por sobreviv\u00eancia. <\/span><\/em><\/p>\n<p class=\"p2\"><em><span class=\"s1\">E cada peda\u00e7o cedido nos custou caro. Custou presen\u00e7a, verdade, paz interior.<\/span><\/em><\/p>\n<p class=\"p2\"><em><span class=\"s1\">Dignidade \u00e9 quando, mesmo ferido, algu\u00e9m ainda consegue manter o olhar firme. \u00c9 quando o corpo traz cicatrizes, mas a alma continua inteira. <\/span><\/em><\/p>\n<p class=\"p2\"><em><span class=\"s1\">\u00c9 quando uma mulher que foi humilhada encontra dentro de si a coragem de recome\u00e7ar. \u00c9 quando um homem que perdeu tudo n\u00e3o perde o respeito por si. \u00c9 quando um idoso com passos lentos exige ser escutado. \u00c9 quando uma crian\u00e7a diz \u201cn\u00e3o\u201d pela primeira vez e \u00e9 acolhida. Dignidade \u00e9 resist\u00eancia. <\/span><\/em><\/p>\n<p class=\"p2\"><em><span class=\"s1\">\u00c9 afirma\u00e7\u00e3o. \u00c9 liberdade.<\/span><\/em><\/p>\n<p class=\"p2\"><em><span class=\"s1\">Mas, infelizmente, o mundo n\u00e3o est\u00e1 acostumado a respeitar o que \u00e9 essencial. Quantas vezes confundem humildade com submiss\u00e3o? Quantas vezes exigem que algu\u00e9m seja \u201cgrato\u201d por receber o m\u00ednimo? Quantas vezes silenciamos o grito do outro dizendo que ele est\u00e1 exagerando, que est\u00e1 sens\u00edvel demais?<\/span><\/em><\/p>\n<p class=\"p2\"><em><span class=\"s1\">H\u00e1 uma viol\u00eancia que n\u00e3o grita, mas vai matando em sil\u00eancio: a viol\u00eancia da indiferen\u00e7a, da desumaniza\u00e7\u00e3o, da invalida\u00e7\u00e3o constante. <\/span><\/em><\/p>\n<p class=\"p2\"><em><span class=\"s1\">E essa viol\u00eancia rouba mais do que autoestima \u2014 ela rouba o senso de merecimento.<\/span><\/em><\/p>\n<p class=\"p2\"><em><span class=\"s1\">Quando algu\u00e9m come\u00e7a a achar que n\u00e3o merece ser tratado com respeito, \u00e9 porque a dignidade j\u00e1 foi ferida muitas vezes. <\/span><\/em><\/p>\n<p class=\"p2\"><em><span class=\"s1\">E recuperar isso n\u00e3o \u00e9 simples. \u00c9 um processo lento, quase cir\u00fargico. <\/span><\/em><\/p>\n<p class=\"p2\"><em><span class=\"s1\">Exige reaprender a se ver com olhos amorosos. <\/span><\/em><\/p>\n<p class=\"p2\"><em><span class=\"s1\">Exige escolher a si mesma, a si mesmo, mesmo quando ningu\u00e9m mais escolhe. Exige coragem para colocar limites, para dizer n\u00e3o, para se afastar de onde o amor virou moeda de troca.<\/span><\/em><\/p>\n<p class=\"p2\"><em><span class=\"s1\">Dignidade tamb\u00e9m \u00e9 espiritualidade. N\u00e3o no sentido religioso, mas na experi\u00eancia profunda de saber que h\u00e1 algo sagrado em cada ser humano \u2014 algo que ningu\u00e9m pode tocar ou roubar. Mesmo que te arranquem os t\u00edtulos, a casa, a sa\u00fade, a companhia \u2014 h\u00e1 um n\u00facleo inviol\u00e1vel em ti que continua vivo. <\/span><\/em><\/p>\n<p class=\"p2\"><em><span class=\"s1\">E esse n\u00facleo \u00e9 tua dignidade.<\/span><\/em><\/p>\n<p class=\"p2\"><em><span class=\"s1\">Por isso, \u00e9 preciso lembrar: ningu\u00e9m precisa implorar por respeito. Ningu\u00e9m precisa pedir licen\u00e7a para existir. O valor de uma vida n\u00e3o se mede pela opini\u00e3o dos outros, mas pelo amor que ela carrega dentro. <\/span><\/em><\/p>\n<p class=\"p2\"><em><span class=\"s1\">E se o mundo n\u00e3o te reconhece, reconhe\u00e7a-se. Se o mundo n\u00e3o te valoriza, valorize-se. Se o mundo te vira as costas, vire-se para si mesma. Ainda h\u00e1 vida em ti. Ainda h\u00e1 dignidade em teus passos, mesmo que o caminho tenha sido duro.<\/span><\/em><\/p>\n<p class=\"p2\"><em><span class=\"s1\">A dignidade humana \u00e9, no fim das contas, a \u00faltima coisa que nos resta quando tudo parece perdido. <\/span><\/em><\/p>\n<p class=\"p2\"><em><span class=\"s1\">E, ironicamente, \u00e9 ela quem nos devolve o ch\u00e3o, o f\u00f4lego e o direito de continuar.<\/span><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Meus amigos, minhas amigas, caros leitores do Blog do Agito Geral, eu cometi um erro ao n\u00e3o fazer um coment\u00e1rio sobre o texto que a minha querida Tia Nem nos encaminhou na ter\u00e7a-feira passada. Deixei passar, n\u00e3o comentei, mas j\u00e1 pedi desculpas a ela por essa omiss\u00e3o. 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