{"id":57936,"date":"2026-07-21T08:24:08","date_gmt":"2026-07-21T11:24:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/?p=57936"},"modified":"2026-07-21T08:24:08","modified_gmt":"2026-07-21T11:24:08","slug":"milton-nascimento-o-texto-a-seguir-e-de-autoria-do-ilustre-professor-joilson-bergher-e-primoroso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/2026\/07\/21\/milton-nascimento-o-texto-a-seguir-e-de-autoria-do-ilustre-professor-joilson-bergher-e-primoroso\/","title":{"rendered":"Milton Nascimento: o texto a seguir \u00e9 de autoria do ilustre professor Joilson Bergher. \u00c9 primoroso!"},"content":{"rendered":"<p class=\"p2\"><span class=\"s1\"><img loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-57937 alignleft\" src=\"https:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/IMG_9937-300x200.jpeg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/IMG_9937-300x200.jpeg 300w, https:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/IMG_9937.jpeg 600w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><br \/>\n\u00c9 com muita alegria que trago aqui para os nossos leitores uma verdadeira obra-prima. Trata-se de um di\u00e1logo entre um grande artista, Milton Nascimento, e a voz. Somente algu\u00e9m com a sensibilidade de um erudito, de um intelectual, de um acad\u00eamico e de um fil\u00f3sofo poderia buscar, dentro da pr\u00f3pria alma e de uma mente t\u00e3o f\u00e9rtil, a inspira\u00e7\u00e3o para construir um di\u00e1logo t\u00e3o extraordin\u00e1rio entre o grande cantador Milton Nascimento e a voz.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\"><span class=\"s1\">\u00c9 maravilhoso, \u00e9 primoroso e, de certa forma, nos deixa impressionados diante da capacidade de cria\u00e7\u00e3o e da sensibilidade que a academia pode proporcionar ao ser humano. Mas observem, meus amigos, e reflitam sobre este ensaio, ao qual fa\u00e7o quest\u00e3o de registrar o meu agradecimento ao ilustre professor Joilson Bergher, pela gentileza e pela defer\u00eancia de permitir que n\u00f3s o transcrev\u00eassemos aqui no nosso blog para a leitura dos nossos seguidores.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\"><span class=\"s1\">Vejam que coisa maravilhosa:<\/span><!--more--><\/p>\n<p class=\"p2\"><em><span class=\"s1\">POR Joilson Bergher. A voz que cura o mundo. Di\u00e1logo com Milton Nascimento. Homenagem ao homem em movimento que se recupera<\/span><\/em><\/p>\n<p class=\"p2\"><em><span class=\"s1\">Milton Nascimento, 83 anos, cantor e compositor mineiro, encontra-se em processo de recupera\u00e7\u00e3o ap\u00f3s interna\u00e7\u00e3o por pneumonia. Mais do que uma not\u00edcia de sa\u00fade, este momento convoca a mem\u00f3ria afetiva de um pa\u00eds e do mundo. Este texto prop\u00f5e um di\u00e1logo abstrato entre &#8220;A Voz&#8221; \u2014 aqui tratada como met\u00e1fora de uma divindade na m\u00fasica \u2014 e Milton, o homem que carrega essa voz pelo mundo. O objetivo \u00e9 analisar a obra de Milton Nascimento como patrim\u00f4nio imaterial da humanidade e refletir sobre o que significa um artista que, mesmo em repouso, continua a mover gera\u00e7\u00f5es.<\/span><\/em><\/p>\n<p class=\"p2\"><em><span class=\"s1\">Cena: Um terreiro sem tempo. Cheiro de caf\u00e9, ch\u00e3o de terra, viol\u00e3o encostado na parede. L\u00e1 fora o vento passa pelas serras de Minas. Milton est\u00e1 sentado, com um cobertor nos ombros. A VOZ n\u00e3o tem rosto. Tem som.<\/span><\/em><\/p>\n<p class=\"p2\"><em><span class=\"s1\">A VOZ: Milton.<\/span><\/em><\/p>\n<p class=\"p2\"><em><span class=\"s1\">MILTON: sorri fraco_ T\u00f4 te ouvindo&#8230; Demorou pra me chamar.<\/span><\/em><\/p>\n<p class=\"p2\"><em><span class=\"s1\">A VOZ: Eu nunca parei de te chamar. Voc\u00ea \u00e9 quem saiu cantando por a\u00ed e esqueceu de voltar pra casa um pouco.<\/span><\/em><\/p>\n<p class=\"p2\"><em><span class=\"s1\">MILTON: Casa&#8230; Tr\u00eas Pontas. A cozinha da minha m\u00e3e. O r\u00e1dio ligado cedo. Eu era menino e j\u00e1 sabia que som cura. N\u00e3o sabia o nome disso ainda.<\/span><\/em><\/p>\n<p class=\"p2\"><em><span class=\"s1\">A VOZ: Voc\u00ea batizou. Chamou de Travessia. Chamou de Clube da Esquina. Pegou dor de um povo e transformou em acorde maior.<\/span><\/em><\/p>\n<p class=\"p2\"><em><span class=\"s1\">MILTON: Eu n\u00e3o fiz sozinho, n\u00e3o. Tinha o L\u00f4, o M\u00e1rcio, o Fernando&#8230; A gente era muito novo e muito sonhador. A gente achava que podia mudar o mundo com 4 acordes e uma letra torta.<\/span><\/em><\/p>\n<p class=\"p2\"><em><span class=\"s1\">A VOZ: E mudou. Voc\u00ea correu o mundo, Milton. Cantou em Nova York, em Paris, em aldeia, em favela. Levou Minas pro mundo e trouxe o mundo pra Minas. Homem em movimento.<\/span><\/em><\/p>\n<p class=\"p2\"><em><span class=\"s1\">MILTON: _tosse baixo_ O corpo agora pede parada. Pneumonia d\u00e1 um susto, n\u00e9? 83 anos avisam: &#8220;Ei, desacelera&#8221;.<\/span><\/em><\/p>\n<p class=\"p2\"><em><span class=\"s1\">A VOZ: E voc\u00ea vai desacelerar. Vai ficar quieto. Vai ouvir. Porque quem canta a vida inteira tamb\u00e9m precisa escutar o sil\u00eancio.<\/span><\/em><\/p>\n<p class=\"p2\"><em><span class=\"s1\">MILTON: Tenho medo do sil\u00eancio \u00e0s vezes. Medo de que quando eu calar, as pessoas esque\u00e7am.<\/span><\/em><\/p>\n<p class=\"p2\"><em><span class=\"s1\">A VOZ: Esquecer voc\u00ea? Imposs\u00edvel. Cora\u00e7\u00e3o de Estudante toca em formatura at\u00e9 hoje. Maria Maria levanta mulher do ch\u00e3o. Nos Bailes da Vida embala neto no colo. Voc\u00ea virou ora\u00e7\u00e3o sem pedir.<\/span><\/em><\/p>\n<p class=\"p2\"><em><span class=\"s1\">MILTON: Se eu fui ora\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o que eu sirva. Que minha voz, mesmo baixa agora, lembre algu\u00e9m de ter esperan\u00e7a.<\/span><\/em><\/p>\n<p class=\"p2\"><em><span class=\"s1\">A VOZ: \u00c9 isso. Voc\u00ea n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 cantor. Voc\u00ea \u00e9 morada. E morada a gente visita quando precisa de colo. O Brasil inteiro t\u00e1 te visitando agora, em pensamento.<\/span><\/em><\/p>\n<p class=\"p2\"><em><span class=\"s1\">MILTON: _fecha os olhos_ Ent\u00e3o me deixa dormir um pouco. Mas antes&#8230; canta comigo baixinho?<\/span><\/em><\/p>\n<p class=\"p2\"><em><span class=\"s1\">A VOZ: _come\u00e7a suave_ &#8220;Ai, se eu te pego&#8230; n\u00e3o, essa n\u00e3o&#8221; _risos_ &#8220;Can\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica, m\u00e3e&#8230;&#8221; <\/span><\/em><\/p>\n<p class=\"p2\"><em><span class=\"s1\">MILTON: _completa_ &#8220;&#8230;dos meninos cansados&#8230;&#8221;<\/span><\/em><\/p>\n<p class=\"p2\"><em><span class=\"s1\">_Os dois cantam juntos. O viol\u00e3o sozinho acompanha._<\/span><\/em><\/p>\n<p class=\"p2\"><em><span class=\"s1\">A VOZ: Descansa, Bituca. Quando voc\u00ea voltar, o mundo vai estar aqui. E a m\u00fasica tamb\u00e9m.<\/span><\/em><\/p>\n<p class=\"p2\"><em><span class=\"s1\">MILTON: Obrigado por me lembrar que voz n\u00e3o adoece. S\u00f3 o corpo. E corpo a gente cuida._Luz baixa. S\u00f3 fica o som do vento e um acorde que n\u00e3o termina._<\/span><\/em><\/p>\n<p class=\"p2\"><em><span class=\"s1\">Importante eu assinalar que <\/span><\/em><\/p>\n<p class=\"p2\"><em><span class=\"s1\">Esse di\u00e1logo trabalha a figura presente de Milton como &#8220;voz-arquivo&#8221; do Brasil: mem\u00f3ria, afeto e resist\u00eancia. Ele nos ensina que arte \u00e9 cuidado. E que cuidar do artista tamb\u00e9m \u00e9 parte da cultura.<\/span><\/em><\/p>\n<p class=\"p2\"><em><span class=\"s1\">For\u00e7a na recupera\u00e7\u00e3o, mestre<\/span><\/em><\/p>\n<p class=\"p2\"><em><span class=\"s1\">Joilson Bergher.<\/span><\/em><\/p>\n<p class=\"p2\"><em><span class=\"s1\">An\u00e1lises, Debates e Ideias.<\/span><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 com muita alegria que trago aqui para os nossos leitores uma verdadeira obra-prima. Trata-se de um di\u00e1logo entre um grande artista, Milton Nascimento, e a voz. 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