{"id":54963,"date":"2026-02-02T14:09:18","date_gmt":"2026-02-02T17:09:18","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/?p=54963"},"modified":"2026-02-02T14:09:18","modified_gmt":"2026-02-02T17:09:18","slug":"medonho-quem-lembra-uma-das-figuras-mais-exoticas-que-vitoria-da-conquista-ja-conheceu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/2026\/02\/02\/medonho-quem-lembra-uma-das-figuras-mais-exoticas-que-vitoria-da-conquista-ja-conheceu\/","title":{"rendered":"Medonho, quem lembra? Uma das figuras mais ex\u00f3ticas que Vit\u00f3ria da Conquista j\u00e1 conheceu."},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\"><span class=\"s1\"><img loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-54964 alignleft\" src=\"https:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/74cf4b0b-7653-4152-af9d-302b809e87c4-300x300.jpeg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/74cf4b0b-7653-4152-af9d-302b809e87c4-300x300.jpeg 300w, https:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/74cf4b0b-7653-4152-af9d-302b809e87c4-150x150.jpeg 150w, https:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/74cf4b0b-7653-4152-af9d-302b809e87c4.jpeg 501w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><br \/>\nCada cidade tem seus personagens pitorescos, gente simples que, de um jeito ou de outro, tamb\u00e9m construiu a hist\u00f3ria do lugar. E n\u00e3o estamos falando apenas de catedr\u00e1ticos, literatos, advogados, empres\u00e1rios, professores, atletas, m\u00e9dicos ou artistas. Falamos tamb\u00e9m daqueles an\u00f4nimos que perambulavam pelas ruas e feiras, vivendo \u00e0 margem, mas presentes na mem\u00f3ria afetiva de todos n\u00f3s.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">Hoje muita gente reclama, critica, aponta erros. Mas, naquele tempo, tamb\u00e9m houve maldades. Maldades, inclusive, contra os esquecidos da sorte, pessoas que precisavam mais de cuidado do que de zombaria. E, quando lembramos disso, o arrependimento bate \u00e0 porta.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">Entre essas figuras que marcaram \u00e9poca, havia o Medonho.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">Quem viveu aqueles anos certamente se recorda. Ele andava pelas ruas, pelas avenidas, principalmente pelas feiras livres de Conquista. Vez ou outra, aparecia tamb\u00e9m em cidades vizinhas, como Conde\u00faba, sempre seguindo o movimento das feiras.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">N\u00e3o tinha casa, n\u00e3o tinha destino certo. Dormia onde dava, comia o que ganhava. Vivia de pequenas esmolas, de algumas moedas colocadas na latinha que carregava.<\/span><!--more--><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">Mas o que mais chama aten\u00e7\u00e3o, olhando hoje com o cora\u00e7\u00e3o mais maduro, \u00e9 a forma como muitos o tratavam.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">A meninada, os jovens, j\u00e1 sabiam: bastava jogar uma moeda e pedir: \u201cMedonho, bate a cabe\u00e7a na parede\u2026 bate no poste.\u201d E ele batia. Batida ap\u00f3s batida, at\u00e9 a moeda cair.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">Era quase um espet\u00e1culo triste, cruel, que naquela \u00e9poca passava como brincadeira, mas que hoje a gente entende como dor, abandono, falta de cuidado com um ser humano.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">Mesmo assim, Medonho fez parte do nosso cotidiano. Era uma presen\u00e7a constante, dessas que a cidade inteira conhece pelo apelido. Uma figura sofrida, mas que, de alguma forma, entrou para a mem\u00f3ria coletiva de Vit\u00f3ria da Conquista.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">E quando a gente fala dele, n\u00e3o \u00e9 para rir. \u00c9 para lembrar. Para refletir. Para aprender a ser mais humano.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">Medonho, onde quer que voc\u00ea esteja, que Deus lhe d\u00ea o descanso e a dignidade que talvez lhe tenham faltado por aqui, meu irm\u00e3o.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cada cidade tem seus personagens pitorescos, gente simples que, de um jeito ou de outro, tamb\u00e9m construiu a hist\u00f3ria do lugar. E n\u00e3o estamos falando apenas de catedr\u00e1ticos, literatos, advogados, empres\u00e1rios, professores, atletas, m\u00e9dicos ou artistas. 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