{"id":54539,"date":"2025-12-27T12:27:45","date_gmt":"2025-12-27T15:27:45","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/?p=54539"},"modified":"2025-12-27T12:27:45","modified_gmt":"2025-12-27T15:27:45","slug":"o-abismo-entre-a-toga-o-plenario-e-a-rua-a-reflexao-de-gilberto-luna-sobre-o-brasil-contemporaneo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/2025\/12\/27\/o-abismo-entre-a-toga-o-plenario-e-a-rua-a-reflexao-de-gilberto-luna-sobre-o-brasil-contemporaneo\/","title":{"rendered":"O Abismo entre a Toga, o Plen\u00e1rio e a Rua: a reflex\u00e3o de Gilberto Luna sobre o Brasil contempor\u00e2neo"},"content":{"rendered":"<p class=\"p2\"><span class=\"s1\"><img loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-54540 alignleft\" src=\"https:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/IMG_3264-211x300.jpeg\" alt=\"\" width=\"211\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/IMG_3264-211x300.jpeg 211w, https:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/IMG_3264.jpeg 278w\" sizes=\"(max-width: 211px) 100vw, 211px\" \/><br \/>\nEu conhe\u00e7o Gilberto Luna h\u00e1 muito tempo. Sempre desfrutei da sua amizade e sempre nos relacionamos muito bem, fruto de um conhecimento que vem de l\u00e1 de tr\u00e1s, a partir do meu irm\u00e3o, Izalviro, o Massa Bruta, que Deus j\u00e1 levou. Massa era um irm\u00e3o de Gilberto e, evidentemente, nas minhas companhias com meu querido irm\u00e3o, fui adquirindo tamb\u00e9m essas conviv\u00eancias sadias que preservo at\u00e9 hoje.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\"><span class=\"s1\">Gilberto \u00e9 uma pessoa de fino trato, de vis\u00e3o consciente, integrante de uma fam\u00edlia tradicional aqui da nossa cidade, comerciantes e empres\u00e1rios. Ele mant\u00e9m rela\u00e7\u00f5es estreitas com o Sudoeste do estado, com Itapetinga em especial, terra natal de sua querida esposa, Am\u00e9lia. Sempre vi Gilberto como um empres\u00e1rio progressista, vision\u00e1rio, e fa\u00e7o quest\u00e3o de lembrar que foi meu apoiador nos primeiros carnavais aqui em Vit\u00f3ria da Conquista.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\"><span class=\"s1\">Al\u00e9m disso, foi Gilberto quem nos apoiou por meio da empresa Ecosane, construtora da qual era s\u00f3cio-propriet\u00e1rio, juntamente com Z\u00e9 Cl\u00ednio Almeida. Foi a Ecosane que nos levou a Salvador para disputar e conquistar o t\u00edtulo do primeiro torneio de v\u00f4lei de praia da Bahia.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\"><span class=\"s1\">Depois, seguimos tamb\u00e9m para Salvador, no Farol, para disputar o Torneio de Clubes Campe\u00f5es da Bahia, de onde trouxemos t\u00edtulos importantes. Gilberto \u00e9 uma pessoa politizada, humanista, consciente, equilibrada em todos os sentidos.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\"><span class=\"s1\">Por isso, fa\u00e7o quest\u00e3o de trazer mais um texto bel\u00edssimo de sua autoria, que passo agora para a leitura e reflex\u00e3o de voc\u00eas.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\"><span class=\"s1\">Gilberto, voc\u00ea continua sendo a mesma pessoa que conheci l\u00e1 atr\u00e1s, nos anos setenta. Um grande abra\u00e7o para voc\u00ea e para sua fam\u00edlia. Que possamos ver Vit\u00f3ria da Conquista cada vez mais desenvolvida, pois sei que \u00e9 exatamente isso que voc\u00ea deseja.<\/span><!--more--><\/p>\n<p class=\"p2\"><span class=\"s1\">Segue o texto do nosso amigo:<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\"><span class=\"s1\">\u201cO Abismo entre a Toga, o Plen\u00e1rio e a Rua: Li\u00e7\u00f5es da Hist\u00f3ria para o Brasil Contempor\u00e2neo<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\"><span class=\"s1\">Quando as institui\u00e7\u00f5es \u2014 Executivo, Legislativo e Judici\u00e1rio \u2014 passam a agir em causa pr\u00f3pria, elas perdem sua fun\u00e7\u00e3o primordial de representar a vontade popular, tornando-se &#8220;corpos estranhos&#8221; \u00e0 na\u00e7\u00e3o. Esse fen\u00f4meno marca a fal\u00eancia do &#8220;Contrato Social&#8221; de Jean-Jacques Rousseau. Segundo o fil\u00f3sofo, o povo det\u00e9m o direito inalien\u00e1vel de retomar o poder quando o Estado deixa de servir ao interesse comum para servir a si mesmo.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\"><span class=\"s1\">O Brasil de 2025 parece viver o fen\u00f4meno do \u201cEstado dentro do Estado\u201d. Guardadas as propor\u00e7\u00f5es temporais, o cen\u00e1rio remete \u00e0 Fran\u00e7a de 1789: uma nobreza e um clero que viviam em uma realidade paralela de privil\u00e9gios e impunidade, sustentados por uma popula\u00e7\u00e3o exausta. Hoje, o pa\u00eds divide-se entre uma elite burocr\u00e1tica-jur\u00eddica e os pagadores de impostos. Historicamente, foi essa desconex\u00e3o, somada \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o sist\u00eamica, que levou \u00e0 queda da monarquia absolutista francesa.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\"><span class=\"s1\">A hist\u00f3ria recente refor\u00e7a que o ponto de satura\u00e7\u00e3o social atravessa fronteiras e gera\u00e7\u00f5es. A Primavera \u00c1rabe (2010-2011)mostrou que o ac\u00famulo de autoritarismo, viol\u00eancia policial e corrup\u00e7\u00e3o pode derrubar regimes que pareciam inabal\u00e1veis. Mais recentemente, em 2025, vimos os protestos no Nepal, onde a &#8220;Gera\u00e7\u00e3o Z&#8221; \u2014 movida pela insatisfa\u00e7\u00e3o extrema com o sistema pol\u00edtico \u2014 ocupou a Suprema Corte e o Parlamento, for\u00e7ando a ren\u00fancia do gabinete ministerial.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\"><span class=\"s1\">No Brasil atual, assistimos \u00e0 perda da sacralidade das institui\u00e7\u00f5es. Epis\u00f3dios recentes de suposto lobby envolvendo ministros de cortes superiores em favor de interesses privados, somados \u00e0 apreens\u00e3o de vultosas quantias em esp\u00e9cie na resid\u00eancia de parlamentares, aprofundam a crise de credibilidade. Quando um magistrado julga causas ligadas a interesses pessoais ou um representante do povo \u00e9 flagrado em atos de improbidade, eles &#8220;rasgam&#8221; a Constitui\u00e7\u00e3o de 1988. A revolta latente na sociedade n\u00e3o \u00e9 contra as institui\u00e7\u00f5es em si, mas contra a degrada\u00e7\u00e3o promovida por aqueles que as ocupam.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\"><span class=\"s1\">O despertar da consci\u00eancia popular, impulsionado pela rapidez das redes sociais e pela exposi\u00e7\u00e3o de esc\u00e2ndalos na imprensa, atua como o pavio de uma indigna\u00e7\u00e3o crescente. O pa\u00eds aproxima-se de um ponto de satura\u00e7\u00e3o onde a paz social \u00e9 amea\u00e7ada n\u00e3o pela milit\u00e2ncia, mas pela aus\u00eancia de justi\u00e7a equ\u00e2nime.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\"><span class=\"s1\">O Brasil encontra-se em uma encruzilhada hist\u00f3rica. Ou as institui\u00e7\u00f5es iniciam um processo rigoroso de autorreforma e puni\u00e7\u00e3o de seus pr\u00f3prios desvios, ou a hist\u00f3ria ensina que o povo encontrar\u00e1 meios \u2014 dentro ou fora dos ritos tradicionais \u2014 de restabelecer o equil\u00edbrio. Como bem alertou Thomas Jefferson: &#8220;Quando o governo teme o povo, h\u00e1 liberdade; quando o povo teme o governo, h\u00e1 tirania&#8221;. Governos sem sustenta\u00e7\u00e3o moral s\u00e3o, afinal, castelos de cartas.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\"><span class=\"s1\">Gilberto F. Luna\u201d<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eu conhe\u00e7o Gilberto Luna h\u00e1 muito tempo. Sempre desfrutei da sua amizade e sempre nos relacionamos muito bem, fruto de um conhecimento que vem de l\u00e1 de tr\u00e1s, a partir do meu irm\u00e3o, Izalviro, o Massa Bruta, que Deus j\u00e1 levou. 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