{"id":54455,"date":"2025-12-20T15:02:12","date_gmt":"2025-12-20T18:02:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/?p=54455"},"modified":"2025-12-20T15:02:12","modified_gmt":"2025-12-20T18:02:12","slug":"o-cristo-de-mario-cravo-a-obra-que-assustou-dividiu-opinioes-e-hoje-e-simbolo-de-vitoria-da-conquista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/2025\/12\/20\/o-cristo-de-mario-cravo-a-obra-que-assustou-dividiu-opinioes-e-hoje-e-simbolo-de-vitoria-da-conquista\/","title":{"rendered":"O Cristo de M\u00e1rio Cravo: a obra que assustou, dividiu opini\u00f5es e hoje \u00e9 s\u00edmbolo de Vit\u00f3ria da Conquista"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\"><span class=\"s1\"><img loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-54456 alignleft\" src=\"https:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/IMG_3103-300x225.jpeg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/IMG_3103-300x225.jpeg 300w, https:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/IMG_3103.jpeg 600w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><br \/>\nMeu caro F\u00e1bio Sena, fico sempre muito feliz quando voc\u00ea me aborda para conversarmos sobre o Cristo de M\u00e1rio Cravo, edificado na Serra do Piripiri por iniciativa de um dos maiores l\u00edderes da nossa hist\u00f3ria, Jos\u00e9 Pedral Sampaio, que hoje \u00e9 homenageado com as celebra\u00e7\u00f5es do seu centen\u00e1rio de nascimento.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">Pedral foi um l\u00edder inconteste, apaixonado por Vit\u00f3ria da Conquista. Sempre quis ver a cidade no alto, projetada, respeitada. Para isso, contou tamb\u00e9m com a sensibilidade e a boa vontade do ent\u00e3o prefeito Raul Ferraz, seu companheiro de pol\u00edtica, de amizade e de juventude. Dois homens que pensaram Conquista de forma generosa, ampla e vision\u00e1ria.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">Pedral carregava essa ideia h\u00e1 muito tempo. Raul, como prefeito, acolheu o projeto. E assim foi erguido o Cristo. Mas o impacto foi imediato e, para muitos, assustador. A imagem n\u00e3o correspondia ao Cristo \u201ctradicional\u201d ao qual as pessoas estavam acostumadas: cabelos longos, tra\u00e7os suaves, olhos serenos. O Cristo de M\u00e1rio Cravo trazia sofrimento expl\u00edcito, tra\u00e7os fortes, express\u00e3o dura. Para muitos, causava medo. Para outros, verdadeiro pavor.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">Pedral morava ali perto, na Pra\u00e7a S\u00e1 Barreto, na esquina da antiga Rua do Cruzeiro, uma via marcada pela religiosidade popular. No alto da serra havia uma cruz, destino de penit\u00eancia dos moradores, que subiam em sacrif\u00edcio para pedir a clem\u00eancia dos c\u00e9us, especialmente a chuva para o sert\u00e3o. Foi dessa viv\u00eancia que nasceu o sonho de erguer o Cristo do outro lado da serra.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">Quando a obra foi instalada, a rea\u00e7\u00e3o foi intensa. As pessoas subiam para ver aquela figura que lhes parecia estranha. Houve rejei\u00e7\u00e3o, temor e at\u00e9 epis\u00f3dios de apedrejamento da imagem. Missas no local eram impens\u00e1veis. Cat\u00f3licos fervorosos n\u00e3o aceitavam a ideia. Muitos n\u00e3o compreendiam o simbolismo profundo daquela obra, que representava n\u00e3o apenas a f\u00e9 crist\u00e3, mas tamb\u00e9m o sofrimento do povo nordestino.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">Com o tempo, Pedral explicava, insistia, defendia. O Cristo n\u00e3o era apenas religioso, era cultural, art\u00edstico, identit\u00e1rio. Segundo informa\u00e7\u00f5es da \u00e9poca, tratava-se do maior Cristo crucificado do mundo. Mesmo assim, levou anos at\u00e9 ser aceito.<\/span><!--more--><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">Quando fui vereador e l\u00edder de Pedral na C\u00e2mara, propus algo que poderia ajudar a cidade a compreender melhor o espa\u00e7o: a cria\u00e7\u00e3o de uma \u00e1rea de conviv\u00eancia no entorno do Cristo. Um local para contempla\u00e7\u00e3o, encontro e perman\u00eancia. Sugeri a instala\u00e7\u00e3o de um restaurante panor\u00e2mico, todo em vidro, que permitiria \u00e0 popula\u00e7\u00e3o frequentar o local e se apropriar daquele s\u00edmbolo.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">Pedral aceitou a ideia. O empres\u00e1rio Walmir, da Brahma e da Disvab, demonstrou interesse. Chegamos a conversar sobre uma concess\u00e3o com isen\u00e7\u00e3o de impostos por vinte anos. Tudo estava encaminhado. Walmir tinha estrutura, era um dos maiores distribuidores da regi\u00e3o, e o projeto avan\u00e7ava.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">At\u00e9 que um dia Pedral me chamou e pediu para suspender tudo. A not\u00edcia havia vazado, e come\u00e7aram os pedidos para barracas, com\u00e9rcio informal, feira livre. Pedral temeu que o espa\u00e7o se descaracterizasse e decidiu interromper o projeto.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">E assim, ficamos sem o restaurante no alto do Cristo. At\u00e9 hoje, muitos lamentam. Talvez ali tivesse se formado um grande polo de conviv\u00eancia e turismo.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">Fica esse registro hist\u00f3rico e curioso. Um Cristo que fez muita gente chorar. Uns choravam pedindo perd\u00e3o. Outros choravam porque ele estava ali. Durante muito tempo, foi chamado de \u201co Cristo mais feio do mundo\u201d pelos conquistenses. Hoje, \u00e9 um dos maiores s\u00edmbolos da cidade, um cart\u00e3o-postal respeitado, visitado e finalmente compreendido.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">O tempo, como sempre, colocou tudo no seu devido lugar.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Meu caro F\u00e1bio Sena, fico sempre muito feliz quando voc\u00ea me aborda para conversarmos sobre o Cristo de M\u00e1rio Cravo, edificado na Serra do Piripiri por iniciativa de um dos maiores l\u00edderes da nossa hist\u00f3ria, Jos\u00e9 Pedral Sampaio, que hoje \u00e9 homenageado com as celebra\u00e7\u00f5es do seu centen\u00e1rio de nascimento. 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