{"id":51627,"date":"2025-07-02T16:51:13","date_gmt":"2025-07-02T19:51:13","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/?p=51627"},"modified":"2025-07-02T17:55:07","modified_gmt":"2025-07-02T20:55:07","slug":"o-silencio-dos-paneleiros-um-texto-do-arquiteto-e-urbanista-oscar-barreto-sobre-a-vida-dos-descendentes-indigenas-que-vivem-em-vitoria-da-conquista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/2025\/07\/02\/o-silencio-dos-paneleiros-um-texto-do-arquiteto-e-urbanista-oscar-barreto-sobre-a-vida-dos-descendentes-indigenas-que-vivem-em-vitoria-da-conquista\/","title":{"rendered":"O Sil\u00eancio dos Paneleiros. Um texto do arquiteto e urbanista Oscar Barreto, sobre a vida dos descendentes ind\u00edgenas que vivem em Vit\u00f3ria da Conquista."},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\"><span class=\"s1\"><img loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-51628 alignleft\" src=\"https:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/232d7921-0530-464a-87cb-6996fb8e7bbd-169x300.jpeg\" alt=\"\" width=\"169\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/232d7921-0530-464a-87cb-6996fb8e7bbd-169x300.jpeg 169w, https:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/232d7921-0530-464a-87cb-6996fb8e7bbd.jpeg 281w\" sizes=\"(max-width: 169px) 100vw, 169px\" \/><br \/>\nTivemos a oportunidade de entrevistar uma figura ilustre, descendente de ind\u00edgenas, que realiza um trabalho not\u00e1vel junto \u00e0s comunidades origin\u00e1rias. Ele percorre diversas regi\u00f5es do Brasil, conhecendo de forma direta e presencial a realidade dos povos ind\u00edgenas e de seus descendentes. Ludwig conversou conosco durante o programa <\/span><span class=\"s2\">Agito Geral<\/span><span class=\"s1\"> \u2014 e, sem d\u00favida alguma, despertou em mim uma grande curiosidade sobre os povos que vivem t\u00e3o pr\u00f3ximos de n\u00f3s, aqui em Vit\u00f3ria da Conquista, mas que muitas vezes passam despercebidos.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">A poucos quil\u00f4metros da sede municipal, encontramos comunidades compostas por descendentes ind\u00edgenas, cuja vida cotidiana \u00e9 invisibilizada. Em Salvador, conhecemos, ainda que virtualmente, o arquiteto e urbanista Oscar Barreto, defensor da causa ind\u00edgena, que reconhece nesses povos uma forma de resist\u00eancia hist\u00f3rica, cultural e humana que precisa ser compreendida e respeitada.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">Oscar nos enviou uma reflex\u00e3o sens\u00edvel e potente \u2014 um texto que fala sobre os \u201cpaneleiros\u201d, grupo que reside na zona rural de Vit\u00f3ria da Conquista e que preserva, por meio da confec\u00e7\u00e3o de panelas de barro, um saber ancestral que vai al\u00e9m da sobreviv\u00eancia econ\u00f4mica: \u00e9 heran\u00e7a cultural viva.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">Publicamos agora, na \u00edntegra, o texto de Oscar Barreto, intitulado <\/span><span class=\"s3\">\u201cO Sil\u00eancio dos Paneleiros\u201d<\/span><span class=\"s1\">, com o compromisso de ampliar esse debate e trazer \u00e0 luz a realidade dos povos origin\u00e1rios que vivem entre n\u00f3s.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">Em breve, traremos aqui ao blog moradores da comunidade do Panela, para que possam compartilhar conosco manifesta\u00e7\u00f5es culturais e experi\u00eancias que mostram a for\u00e7a da identidade ind\u00edgena em nosso munic\u00edpio.<\/span><!--more--><\/p>\n<p class=\"p1\"><strong><span class=\"s1\">O despertar no sil\u00eancio dos paneleiros<\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">Inspirou-me escrever esse texto, por gratid\u00e3o aos meus amigos que fiz a partir do grupo \u201cPensando Bem\u00a8, nesse caso em especial, aos amigos F\u00e1bio Sena, Pedro Massinha, Jos\u00e9 Carlos e Cl\u00e1udio Sena, que juntos a outras pessoas de Vit\u00f3ria da Conquista, deram todo apoio \u00e0 presen\u00e7a do ativista e estudioso Ludwig Reveste e a companheira Vera nessa cidade.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">Ludwig \u00e9 um ind\u00edgena da etnia Mapuche que significa na sua l\u00edngua original, Povos da Terra, que vivem no centro-sul do Chile e Sudoeste da Argentina e sua hist\u00f3ria \u00e9 conhecida por n\u00f3s, por ser um povo que conteve o avan\u00e7o do imp\u00e9rio Inca e que tamb\u00e9m nunca fora conquistado pelo Imp\u00e9rio Espanhol e somente tiveram seus territ\u00f3rios invadidos, quando do advento das rep\u00fablicas no cone sul da Am\u00e9rica, sendo a popula\u00e7\u00e3o Mapuche confinada em &#8220;redu\u00e7\u00f5es&#8221; no Chile e reservas ind\u00edgenas na Argentina.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">A visita de Ludwig \u00e1 cidade de Vit\u00f3ria da Conquista tem um significado especial, pois desperta em n\u00f3s, percebermos em comunidades muitas vezes isoladas, as quais a coloniza\u00e7\u00e3o tentou apagar, quem s\u00e3o aqueles povos que herdamos no DNA a nossa verdadeira hist\u00f3ria e como fomos surpreendidos, eu em particular, nas visitas aos povos da comunidade de Ribeir\u00e3o dos Paneleiros em Batalha, com a for\u00e7a da sua Cacica e artes\u00e3 Elza, o talento na lideran\u00e7a do jovem Artista Vando Oliveira e a comunidade da aldeia do alto da Abobreira no Ribeir\u00e3o do lago do Rio Pardo, com sua Cacica Tanara e a lideran\u00e7a de seu atencioso marido Rhaonny, todos da etnia dos povos Kamac\u00e2s, que juntos com os Tupinamb\u00e1s s\u00e3o os \u00fanicos que regem a ancestralidade e est\u00e3o localizados do Rio de Contas, na Bahia, at\u00e9 o Rio Doce em Minas Gerais, onde vive o povo Krenak, do ativista ind\u00edgena Ailton krenak, um grande expoente de todos os povos ind\u00edgenas de Pindorama, que \u00e9 o nome verdadeiro para os ind\u00edgenas, do territ\u00f3rio que chamamos de Brasil.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">\u00c0 medida que assistia aos v\u00eddeos que eram enviados pelo Canal abyayala 473 e a entrevista que foi concedida a r\u00e1dio upconquista a Pedro Massinha, eu me encantava ao ver uma tradi\u00e7\u00e3o de um trabalho magn\u00edfico, que n\u00e3o se perdeu, representadas na arte daquelas panelas de barro e me perguntava, o porqu\u00ea em uma cidade t\u00e3o importante n\u00e3o estava incorporada aquela rica cultura. <\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">Recordo-me que j\u00e1 viajei para o nordeste brasileiro visitando cidades como Aquiraz no Cear\u00e1, em busca de redes, rendas e outros artesanatos nordestinos, como j\u00e1 estive na Serra da Capivara em S\u00e3o Raimundo do Donato no Piau\u00ed para conhecer as cer\u00e2micas grafadas com imagens deixadas pelos povos pr\u00e9-hist\u00f3ricos, regi\u00e3o ainda em luto pelo falecimento da importante arque\u00f3loga Ni\u00e8de Guidon, como j\u00e1 estive no norte do pa\u00eds atr\u00e1s da cer\u00e2mica marajoara, da ilha de Maraj\u00f3, no Estado do Par\u00e1. Na Bahia, por diversas vezes fui apreciar a cer\u00e2mica artesanal em Maragogipinho ou comprar panelas de barros em Nazar\u00e9 das Farinhas na famosa feira dos Caxixis. <\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">No caso, da comunidade Ribeir\u00e3o dos Paneleiros, tem algo muito especial que os acompanham, al\u00e9m dessa arte particular, que est\u00e1 descrito no excelente livro da estudiosa Professora Renata Oliveira, \u201c\u00cdndios Paneleiros do Planalto da Conquista\u201d, que trata da resist\u00eancia dos povos Botocudos, povos do tronco J\u00ea, no processo de coloniza\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o, ocorrido entre o s\u00e9culo XVIII e o s\u00e9culo XIX, que tr\u00e1s a tona uma tentativa de apagamento hist\u00f3rico geogr\u00e1fico de um povo e a apropria\u00e7\u00e3o das terras na regi\u00e3o de Batalha.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">Est\u00e1 descrito acima o potencial cultural de mais essas comunidades de ind\u00edgenas e tamb\u00e9m dos quilombolas presentes na regi\u00e3o, que nos ensinam que essa uni\u00e3o \u00e9 a grande demonstra\u00e7\u00e3o de resist\u00eancia de povos unidos por uma sobreviv\u00eancia, diante de uma pot\u00eancia que desejava aniquila-los e parabenizo o nosso Ludwig, por apresentar a todos atrav\u00e9s do seu canal, mais essa saga t\u00e3o rica guardada em um cantinho de Abya Yala, que \u00e9 como os ind\u00edgenas<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>conhecem o que chamamos de continente Americano, que vai da terra do fogo ao estreito de Bering.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">Pe\u00e7o aos leitores desse importante blog de Massinha, que se inscrevam no \u201ccanalabyayala 473\u201d e incentivem essa luta dos povos origin\u00e1rios, por suas legitimas terras, sua cultura, sua arte, sua hist\u00f3ria e tradi\u00e7\u00f5es, desfrutando e se renovando nessa linhagem rica e ancestral.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tivemos a oportunidade de entrevistar uma figura ilustre, descendente de ind\u00edgenas, que realiza um trabalho not\u00e1vel junto \u00e0s comunidades origin\u00e1rias. 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