{"id":4100,"date":"2016-07-20T18:12:15","date_gmt":"2016-07-20T21:12:15","guid":{"rendered":"http:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/?p=4100"},"modified":"2016-07-20T18:12:15","modified_gmt":"2016-07-20T21:12:15","slug":"ao-pastor-de-estrelas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/2016\/07\/20\/ao-pastor-de-estrelas\/","title":{"rendered":"Ao Pastor de Estrelas"},"content":{"rendered":"<p><em><strong><img loading=\"lazy\" class=\"alignright size-medium wp-image-2596\" src=\"http:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/nando-da-costa-lima-300x253.jpg\" alt=\"nando da costa lima\" width=\"300\" height=\"253\" srcset=\"https:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/nando-da-costa-lima-300x253.jpg 300w, https:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/nando-da-costa-lima.jpg 540w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>Por Nando da Costa Lima<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Vejo a vida como um imenso carnaval. Desde que haja entu\u00adsiasmo, n\u00e3o \u00e9 preciso muita habilidade para entrar no ritmo. Os menos habilidosos nascem e morrem, s\u00f3 vivem! Os mais habilidosos continuam vivos mesmos depois da partida, s\u00e3o os p\u00e9s de vailsa da vida, os que participam desse carnaval com tanta harmo\u00adnia que acabam marcando, pessoas como \u00cdris Geraldo Silveira, o pastor de estrelas, um homem que em 1933 j\u00e1 fazia jornalismo e poesia numa cidade que at\u00e9 hoje n\u00e3o assimila bem este tipo de coisa. Seu \u00cdris era poesia vinte e quatro horas por dia, sua figura era a poesia materializada. Mas venho falar do contador de &#8220;causos&#8221; \u00cdris Silveira, aquele que se sentia bem em fazer rir, e isto ele conseguia facilmente com hist\u00f3rias bem humoradas como esta que eu ainda menino escutei na casa do tamb\u00e9m jornalista e historiador An\u00edbal Lopes Viana.<\/p>\n<p><!--more-->Aconteceu numa cidadezinha perto da divisa de Minas, Genaro era filho \u00fanico de um pr\u00f3spero casal de fazendeiros tipi\u00adcamente mineiro. A m\u00e3e criou o menino de um jeito muito es\u00adquisito, o pai era t\u00e3o desligado que s\u00f3 veio desconfiar da in\u00adgenuidade daquele homem de 23 anos depois que enviuvou, a mulher tinha inibido todos os instintos sexuais do rapaz, pra ele sexo n\u00e3o existia, era coisa do capeta. Depois que o velho notou a passividade do filho, passou a dedicar todo seu tempo ao rapaz, ele tinha que arrumar uma maneira de despert\u00e1-lo para o sexo. Come\u00e7ou contratando mo\u00e7as para dar em cima dele, mas de nada adiantou, toda hora que uma chamava Genaro pra dar uma ro\u00e7adinha, ele corria em casa pegava a enxa\u00adda e ro\u00e7ava todo o terreno. Geralmente as mo\u00e7as faziam estas propostas em terrenos baldios, ele j\u00e1 tinha ro\u00e7ado vinte e um, fora os jardins. O pai sentindo que daquele jeito n\u00e3o ia conse\u00adguir nada, achou melhor tentar despertar o filho atrav\u00e9s do ca\u00adsamento, casando ele ia ter que &#8220;afogar o ganso&#8221; de qualquer maneira, era s\u00f3 enfiar em sua cabe\u00e7a que depois de casado ti\u00adnha que procriar sen\u00e3o ficava mau com Deus. O velho anali\u00adsou bem todas as possfveis futuras noras, as candidatas tinham que perder no \u201cteste da farinha\u201d, queria uma mulher experiente. Depois de muitos testes, optou pela mais safada da terra, Migd\u00f4nia j\u00e1 tinha servido de cobertor de orelha pra toda cidade, isso sem contar o pessoal que passava em viagem, seu pai ti\u00adnha um &#8220;Dormit\u00f3rio Familiar&#8221; no ponto de \u00f4nibus. Mas era disso que Genaro tava precisando, al\u00e9m do mais, depois de ca\u00adsada toda mulher conserta, ou pelo menos faz de conta. Antes do velho terminar de fazer a proposta ela j\u00e1 tinha aceitado, a primeira coisa que fez depois que o futuro sogro saiu foi desenforcar o S. Ant\u00f3nio que h\u00e1 mais de dez anos estava pen\u00addurado. Aquele casamento foi um verdadeiro milagre, logo ela, mais rodada que a Rio-Bahia na safra do boi, arrumar um ho\u00admem, rico e inocente, puro como uma crian\u00e7a. Com sua expe\u00adri\u00eancia de cama ele logo se tornaria um garanh\u00e3o. O cas\u00f3rio foi r\u00e1pido, o velho tinha pressa de um neto. O casal mal teve tempo de se conhecer e foi essa a causa daquela trag\u00e9dia que marcou a regi\u00e3o, faz dez anos que isto aconteceu e at\u00e9 hoje Migd\u00f4nia n\u00e3o se lembra nem do pr\u00f3prio nome, mas tamb\u00e9m n\u00e3o era pra menos, aquela cacetada dava pra matar um boi, n\u00e3o se sabe como ela resistiu. E o pobre do Genaro ficou sem entender nada quando o levaram preso, foi ela mesmo que implorou por aquilo, na hora que ficaram sozinhos no quarto a primeira coisa que fez foi ficar pelada e pedir insistentemente \u2013 \u201cMe mata com aquele neg\u00f3cio de fazer xixi!\u201d &#8211; ele n\u00e3o pensou duas vezes, meteu a m\u00e3o em baixo da cama, pe\u00adgou o pinico e deu uma cacetada t\u00e3o violenta na cabe\u00e7a da noiva que a piranha s\u00f3 foi acordar quatro dias depois, e olha que pinico de mineiro naquela \u00e9poca era de barro.<\/p>\n<p>Tenho certeza que esse caso lhe agradaria bem mais se narrado pelo pr\u00f3prio \u00cdris Silveira, mas como ele se foi, resta a mim lembr\u00e1-lo e aproveitar para mandar um recado: &#8211; Seu \u00edris, o mundo est\u00e1 cada dia mais safado, e aquela tua B\u00edblia &#8220;envolta pela beleza eterna do perd\u00e3o&#8221; nos faz muita falta. Quanto \u00e0 justi\u00e7a! Esta continua sendo aranha.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Nando da Costa Lima Vejo a vida como um imenso carnaval. Desde que haja entu\u00adsiasmo, n\u00e3o \u00e9 preciso muita habilidade para entrar no ritmo. Os menos habilidosos nascem e morrem, s\u00f3 vivem! 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