{"id":3379,"date":"2016-06-06T09:14:31","date_gmt":"2016-06-06T12:14:31","guid":{"rendered":"http:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/?p=3379"},"modified":"2016-06-06T09:14:31","modified_gmt":"2016-06-06T12:14:31","slug":"a-dignidade-estava-ali","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/2016\/06\/06\/a-dignidade-estava-ali\/","title":{"rendered":"A dignidade estava Ali"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-3381\" src=\"http:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/muhammad-ali-e1465215230646.jpg\" alt=\"muhammad ali\" width=\"525\" height=\"296\" \/><\/p>\n<p><strong><img loading=\"lazy\" class=\"alignright size-medium wp-image-3380\" src=\"http:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/haroldo_lima-300x188.jpg\" alt=\"haroldo_lima\" width=\"300\" height=\"188\" srcset=\"https:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/haroldo_lima-300x188.jpg 300w, https:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/haroldo_lima.jpg 483w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>Por Haroldo Lima*<\/strong><\/p>\n<p>Muhammad Ali foi her\u00f3i dos esportes, do boxe, \u00fanico tri-campe\u00e3o mundial dos pesos pesados. Mas Ali foi tamb\u00e9m uma personalidade de destaque no atribulado fim da d\u00e9cada de sessenta do s\u00e9culo passado. Marcou com nitidez epis\u00f3dios que projetavam altivez e dignidade, fazendo cora\u00e7\u00f5es oprimidos exultarem de alegria e esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>Descendente de escravos, foi-lhe dado o nome de Cassius Marcellus Clay, Jr.<\/p>\n<p>Em 1960, conquistou a medalha de ouro nos Jogos Ol\u00edmpicos de Roma e, pouco depois, ao ser barrado em um restaurante s\u00f3 para bancos, no estado americano de Ohio, ati\u00e7ou sua medalha em um rio. Mais de trinta anos depois, em 1996, j\u00e1 consagrado como \u00eddolo mundial, recebeu de volta essa medalha, na abertura dos Jogos Ol\u00edmpicos de Atlanta, uma das primeiras cidades americanas a eleger, em 1973, um prefeito negro, Maynard Jackson.<\/p>\n<p><!--more-->Sua primeira grande vit\u00f3ria no boxe foi em 1964, contra Sonny Liston. Sagrou-se campe\u00e3o mundial dos pesos pesados. Tinha 22 anos.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, rec\u00e9m sa\u00eddo da adolesc\u00eancia, rec\u00e9m chegado ao topo da carreira de lutador, anunciou que mudara de nome, passara a ser Muhammad Ali. Com altivez explicou: &#8220;Era duro ter o nome que tinha porque era o nome de um branco que dava seu nome aos escravos. Agora pelo contr\u00e1rio, tenho o nome de Deus. Muhammad Ali, que lindo nome!&#8221;<\/p>\n<p>Em 1965, concedeu revanche a Sonny Liston e o nocauteou no primeiro round, confirmando sua condi\u00e7\u00e3o de campe\u00e3o. Pouco depois, em 1967, protagonizou gesto eloq\u00fcente, desassombrado, de sentido hist\u00f3rico.<\/p>\n<p>O mundo assistia at\u00f4nito a um dos maiores esfor\u00e7os de guerra de todos os tempos, promovido pelo Ex\u00e9rcito americano, contra um pa\u00eds do tamanho de Pernambuco, o Vietnam, habitado por um povo pobre e desamparado. Ao mesmo tempo, via comovido a resist\u00eancia fant\u00e1stica daquela gente humilde, que terminou levando a mais poderosa m\u00e1quina de guerra do mundo a amargar derrota humilhante.<\/p>\n<p>Em 1967, o esfor\u00e7o de guerra americano era crescente, e a pretens\u00e3o era massacrar o Vietnam. Eis que Muhammad Ali \u00e9 convocado para integrar o Ex\u00e9rcito americano e ir \u00e0 guerra do Vietnam. Ent\u00e3o, o inesperado aconteceu: Muhammad disse n\u00e3o.<\/p>\n<p>A cena da recusa de Muhammad a ir \u00e0 guerra tem aspectos dram\u00e1ticos. Havia um ato formal: os recrutas ficavam perfilados; um oficial dizia o nome do recruta convocado; o recruta dava um passo \u00e0 frente. O nome Classius Clay foi chamado. N\u00e3o houve passo \u00e0 frente. O oficial concedeu: Muhammad Ali. E tamb\u00e9m ningu\u00e9m se moveu.<\/p>\n<p>Pris\u00e3o por cinco anos, perda do t\u00edtulo mundial, pesada multa. Nada abateu Ali. Ao contr\u00e1rio, pelo vern\u00e1culo, desfechou um cruzado fulminante: &#8220;Nunca vi nenhum vietcongue me desrespeitando. \u00c9 na Am\u00e9rica que sou insultado&#8221;.<\/p>\n<p>Recordo essas passagens porque as vivi no per\u00edodo da ditadura militar no Brasil. Torc\u00edamos pelo Vietnam, vibr\u00e1vamos com essas atitudes irreverentes, corajosas, independentes. Imaginar um jovem, negro, nos Estados Unidos, ante o Ex\u00e9rcito mais poderoso do mundo, portar-se com tal bravura, nos deixava empolgados.<\/p>\n<p>Ao reverenciar a dignidade de Ali nesses epis\u00f3dios marcantes, simbolicamente o homenageamos com as palavras de outro \u00eddolo do boxe, Myke Tyson: &#8220;Deus veio buscar seu campe\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p><em><strong>*Haroldo Lima &#8211; \u00e9 engenheiro, <\/strong><\/em><em><strong>resistente da luta contra a ditadura <\/strong><\/em><em><strong>no Brasil.<\/strong><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Haroldo Lima* Muhammad Ali foi her\u00f3i dos esportes, do boxe, \u00fanico tri-campe\u00e3o mundial dos pesos pesados. Mas Ali foi tamb\u00e9m uma personalidade de destaque no atribulado fim da d\u00e9cada de sessenta do s\u00e9culo passado. Marcou com nitidez epis\u00f3dios que projetavam altivez e dignidade, fazendo cora\u00e7\u00f5es oprimidos exultarem de alegria e esperan\u00e7a. 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