{"id":3348,"date":"2016-06-04T08:23:14","date_gmt":"2016-06-04T11:23:14","guid":{"rendered":"http:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/?p=3348"},"modified":"2016-06-04T08:23:14","modified_gmt":"2016-06-04T11:23:14","slug":"praca-do-gil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/2016\/06\/04\/praca-do-gil\/","title":{"rendered":"Pra\u00e7a do Gil"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-3351\" src=\"http:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/doutor-gil-pracinha.jpg\" alt=\"doutor gil pracinha\" width=\"500\" height=\"368\" srcset=\"https:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/doutor-gil-pracinha.jpg 500w, https:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/doutor-gil-pracinha-300x221.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/p>\n<p><em><strong><img loading=\"lazy\" class=\"alignright size-thumbnail wp-image-2596\" src=\"http:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/nando-da-costa-lima-150x150.jpg\" alt=\"nando da costa lima\" width=\"150\" height=\"150\" \/>Por Nando da Costa Lima<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Saudade \u00e9 uma palavra t\u00e3o po\u00e9tica que jamais um outro idioma poderia traduzi-la. Saudade, um estado de gra\u00e7a do esp\u00edrito, a lembran\u00e7a do que passou e marcou com alegria. O tempo parado numa \u00e9poca que amamos. Ter saudade \u00e9 sinal que viveu mais intensamente&#8230; Da\u00ed o ser humano ser um po\u00e7o intermin\u00e1vel de saudade. N\u00e3o t\u00ea-la \u00e9 morrer pela metade. A minha saudade est\u00e1 praticamente limitada a minha paix\u00e3o&#8230; Vit\u00f3ria da Conquista, ela pra mim \u00e9 tudo, o abrigo dos que superaram a barreira da \u201cmesmice\u201d e inocentemente s\u00e3o taxados de loucos, o habitat dos que transcendem as normas da dita raz\u00e3o. Aqui pisaram os personagens mais incr\u00edveis que se tem not\u00edcia&#8230; Bo\u00eamios, poetas, putas, todos eles com uma hist\u00f3ria riqu\u00edssima que gerariam v\u00e1rios romances. Hist\u00f3rias que s\u00f3 cabem na cabe\u00e7a de n\u00f3s conquistenses que somos naturalmente anarquistas em rela\u00e7\u00e3o a sociedade. N\u00e3o o conquistense metido \u00e0 merda que acha que evoluir \u00e9 acumular bens materiais para se sobressair. Essas pessoas que abusavam do med\u00edocre refr\u00e3o \u201cN\u00f3s temos um nome a zelar\u201d. Dava at\u00e9 vontade de falar: \u201cV\u00e3o zelar e lustrar estes nomes na casa do caralho, Conquista \u00e9 uma cidade surreal e n\u00e3o um santu\u00e1rio de nomes ditos \u2018ilustres\u2019 \u201c. Estou falando de gente&#8230;<\/p>\n<p><!--more-->Aqueles que sabem que somos todos iguais! Que metemos o p\u00e9 na jaca, chutamos o pau da barraca. \u00c9ramos os donos de uma pra\u00e7a. Uma pra\u00e7a que era ponto da passarada que fugiu das badocadas e escapou dos al\u00e7ap\u00f5es!.. Um lugar diferente onde as pessoas se igualavam, o quintal da casa de todo conquistense de minha gera\u00e7\u00e3o, o \u201ccovil\u201d dos loucos. N\u00e3o se conhecia Conquista sem beber a Pra\u00e7a do Gil, ali as coisas aconteciam naturalmente. Am\u00e1vamos, brinc\u00e1vamos, brind\u00e1vamos, brig\u00e1vamos, abra\u00e7\u00e1vamos. Al\u00e9m do astral alt\u00edssimo nossa pra\u00e7a era cheia de exclusividades e habitada por almas nobres como seu Wellington Prado, Tia Alzira (nossa m\u00e3ezona). L\u00e1 morava tamb\u00e9m Dona Dalva Flores, uma santa a servi\u00e7o dos idosos! Tinha Elvira, minha paix\u00e3o enrustida. Tinha Sabino queixando da vida e vendendo fiado pra todo mundo. Hoje ela est\u00e1 mudada, talvez um pouco triste depois que Dr. Gil e Tia Alzira partiram para outras paragens, mas linda como sempre, um lugar incrivelmente bem humorado que me lembrava um filme de Felline, um palco de hist\u00f3rias inacredit\u00e1veis&#8230;<\/p>\n<p>Quando chegou a not\u00edcia na Pra\u00e7a do Gil que no Alto Maron estava aparecendo uma assombra\u00e7\u00e3o, o consumo de birita do bar de Sabino dobrou, uns bebiam criando coragem para ir embora, outros j\u00e1 na inten\u00e7\u00e3o de ir ca\u00e7ar a \u201capari\u00e7\u00e3o\u201d. Foi numa dessas farras que um grupo de biriteiros resolveu decifrar o mist\u00e9rio do monstro do Alto Maron, subiram dez pra conferir, quando chegaram no local o organizador da ca\u00e7ada (Professor Neri) mandou o pessoal ficar em fila e entraram no lugar assombrado rezando um \u201cPai Nosso\u201d, o bafo de pinga era tanto que mesmo se houvesse alguma \u201calma penada\u201d n\u00e3o iria suportar chegar perto. Depois de muito procurar e nada encontrar eles resolveram se espalhar. A\u00ed ent\u00e3o n\u00e3o sei se foi por medo de ficar s\u00f3, mas uma coisa foi certa, dos dez ca\u00e7adores de assombra\u00e7\u00e3o que subiram, nove viram o \u201cbicho\u201d e todos chegaram a dar um chute ou um murro no \u201cmonstro\u201d. S\u00f3 quem n\u00e3o viu nada foi Juruna&#8230;, mas tamb\u00e9m nem podia, toda hora que tentava ficar em p\u00e9 aparecia um b\u00eabado, dava um murro ou um chute e sa\u00eda gritando socorro&#8230;<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 que a bebida vendida da Pra\u00e7a do Gil era diferente, \u00e9 o pessoal que bebia l\u00e1 que era diferente at\u00e9 nos porres! Teve um cidad\u00e3o que depois de beber a pra\u00e7a quase toda montou numa lambreta e ao chegar em casa em vez de guarda-la na garagem, estacionou no quarto. No dia seguinte tiveram que desmontar a lambreta pra passar pela porta e descer do terceiro andar. Teve outro que aproveitou uma folga da mulher, tomou uma cacha\u00e7a alegre e resolveu levar umas amigas pra dan\u00e7ar em sua casa. Como o sof\u00e1 tava incomodando ele lan\u00e7ar uns passos novos, resolveu coloca-lo no quarto, isso ele fez em segundos, n\u00e3o largou nem a parceira. Empurrou o bicho com o p\u00e9! No outro dia foram necess\u00e1rios seis homens pra retirar aquele sof\u00e1 colonial de tr\u00eas metros do quarto das crian\u00e7as, tiveram que destelhar a casa! Nossa pra\u00e7a tamb\u00e9m j\u00e1 viu grandes discuss\u00f5es, como aquela entre dois b\u00eabados&#8230; no auge do bate-boca teve um que se sentiu muito ofendido e amea\u00e7ou o advers\u00e1rio: \u201cVou lhe dar um tiro de 45\u201d-\u00a0 e mostrou a pistola autom\u00e1tica. O outro respondeu no mesmo tom: \u201cPois eu vou lhe pegar com o meu 38\u201d \u2013 e quando todos do bar olharam procurando o rev\u00f3lver, ele tirou o sapato (cal\u00e7ava 38) e arremessou no inimigo, o salto pegou no meio da testa. Ainda bem que o inimigo n\u00e3o era inimigo!..<\/p>\n<p>O tempo passa&#8230; E n\u00f3s que j\u00e1 voamos alto sem tirar os p\u00e9s do ch\u00e3o permanecemos escondidos pelos cantos da cidade, apoiados no bra\u00e7o amigo da saudade, um pouco distante daquela gente alegre que enfeitava os bares, mas satisfeitos em saber que a pra\u00e7a nunca envelhecer\u00e1, ter\u00e1 sempre esse ar de adolescente provinciana pronta a se soltar ao primeiro acorde de um trio el\u00e9trico.<\/p>\n<p>\u00c0 mem\u00f3ria de Dr. Gil, o Rei da Pra\u00e7a.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Nando da Costa Lima Saudade \u00e9 uma palavra t\u00e3o po\u00e9tica que jamais um outro idioma poderia traduzi-la. 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