{"id":29022,"date":"2021-08-11T00:49:22","date_gmt":"2021-08-11T03:49:22","guid":{"rendered":"http:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/?p=29022"},"modified":"2021-08-11T00:49:22","modified_gmt":"2021-08-11T03:49:22","slug":"ouro-tupiniquim","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/2021\/08\/11\/ouro-tupiniquim\/","title":{"rendered":"Ouro Tupiniquim"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/34C04ED6-362D-4DCF-AC6F-1D05227449C8.jpeg\" class=\"gallery_colorbox\"><img loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-29023 alignright\" src=\"http:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/34C04ED6-362D-4DCF-AC6F-1D05227449C8-204x300.jpeg\"  alt=\"34C04ED6-362D-4DCF-AC6F-1D05227449C8\" width=\"204\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/34C04ED6-362D-4DCF-AC6F-1D05227449C8-204x300.jpeg 204w, https:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/34C04ED6-362D-4DCF-AC6F-1D05227449C8.jpeg 638w\" sizes=\"(max-width: 204px) 100vw, 204px\" \/><\/a><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong><span class=\"s1\">Por Oscar Barreto*<\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\">Vivi certo amor e \u00f3dio com os jogos ol\u00edmpicos, durante toda minha vida.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\">Quando muito jovem adorava contar as medalhas de pa\u00edses e teorizar sobre as contagens de pontos, at\u00e9 descobrir que competi\u00e7\u00e3o era muito injusta com a dimens\u00e3o dos pa\u00edses e do poder econ\u00f4mico de potencias e dessa forma me desestimulei. <\/span><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\">Logo depois foi vencido pela beleza pl\u00e1stica das Romenas, Sovi\u00e9ticas, pela for\u00e7a de Cuba, pelos fundistas Africanos e pela rapidez dos negros caribenhos e voltei a curtir os jogos at\u00e9 2008, quando li uma cr\u00f4nica \u201cT\u00eanis X Frescobol\u201d de Rubem Alves que dizia \u201cO t\u00eanis \u00e9 um jogo feroz. Seu objetivo \u00e9 derrotar o advers\u00e1rio. E a sua derrota se revela no seu erro: o outro foi incapaz de devolver a bola. Joga-se t\u00eanis para fazer o outro errar\u2019 na continuidade do texto, o autor faz refer\u00eancia ao frescobol\u201d se parece muito com o t\u00eanis: dois jogadores, duas raquetes e uma bola. S\u00f3 que, para o jogo ser bom, \u00e9 preciso que nenhum dos dois perca. Se a bola veio meio torta, a gente sabe que n\u00e3o foi de prop\u00f3sito e faz o maior esfor\u00e7o do mundo para devolv\u00ea-la e n\u00e3o h\u00e1 ningu\u00e9m derrotado. Aqui ou os dois ganham ou ningu\u00e9m ganha. \u201cE ningu\u00e9m fica feliz quando o outro erra\u201d.<\/span><!--more--><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\">Na cr\u00f4nica acima entendia que na disputa ol\u00edmpica era um derrotando o outro e eu me preocupava mais em sentir a dor do perdedor do que a vit\u00f3ria do melhor atleta e me afastei dos jogos, at\u00e9 que veio Atenas 2004 com seu grande atleta, o nadador Michael Phelps e seus fabulosos recordes e vi que a magia da competi\u00e7\u00e3o poderia ser a pr\u00f3pria supera\u00e7\u00e3o dos atletas e dos seus limites, nunca a valoriza\u00e7\u00e3o dos seus pa\u00edses como n\u00f3s somos naturalmente induzidos a competir uns contra os outros e assim passar se preocupar com quadros, estat\u00edsticas e torcer belo erro ou derrota de uma atleta ou equipe que se preparou a exaust\u00e3o para estar na competi\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\">Votei ent\u00e3o a me interessar, mas a torcer logicamente por atletas sempre de pa\u00edses menos expressivos nas olimp\u00edadas, como pa\u00edses<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>latino americanos, caribenhos, apesar de torcer por Cuba, pa\u00eds que sempre se destaca, pa\u00edses africanos, da Oceania exceto os dois da Austral\u00e1sia, alguns pa\u00edses da \u00c1sia e um n\u00famero reduzido de na\u00e7\u00f5es do Leste Europeu. Como foi na lembran\u00e7a da Medalha de Prata para Tonga em Atlanta em 1996. Mas o que \u00e9 Tonga? Ou para a medalha de Bronze da Eritreia em 2004 em Antenas. Eritreia, onde fica isso? Ou as fant\u00e1sticas negras corredoras das ilhas da Bahamas e Jamaica, a nossa Og\u00edgia da Abya Yala. Qual a origem dessas Nereidas caribenhas?<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\">Uma observa\u00e7\u00e3o, no poema \u00e9pico da \u201cOdisseia\u201d de Homero, \u201cOg\u00eddia\u2019 era a ilha a qual Ulisses ficou aprisionado com as \u201cNereidas\u201d, que s\u00e3o as cinquenta filhas de Nereu e de D\u00f3ris, entre elas Cal\u00edpso que compartilhava com todos as \u00e1guas do mar.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\">\u201cAbya Yala\u201d \u00e9 como os \u00edndios Kuna da Col\u00f4mbia se referem a grande terra, que \u00e9 o nosso continente americano.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\">Percebi que a olimp\u00edada tinha coisas bem mais importantes que o atrativo do quadro das medalhas, pois s\u00e3o encontros de culturas se alinhando e se diversificando.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\">E tem para tudo: atletas fundistas magros, judocas pesados, ginastas baixas e basqueteiros altos, t\u00eam ainda os negros dominando no atletismo, brancos vencendo quase tudo na nata\u00e7\u00e3o, asi\u00e1ticos supremos no Badminton e no t\u00eanis de mesa.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\">Quem sabe um dia ter\u00e1 nas olimp\u00edadas provas da nossa express\u00e3o cultural afro-brasileira, que \u00e9 a Roda de Capoeira angola ou Regional, surgida na Capitania de Pernambuco, possivelmente em fins do s\u00e9culo XVI no Quilombo dos Palmares ou o Huka-Huka uma luta tradicional brasileira dos \u00edndios Bakairi, que s\u00e3o dos povos ind\u00edgenas do Xingu no estado de Matogrosso, praticado durante o Quarup.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\">Entendi que para mim, o que encantava na olimp\u00edada era o que estava por tr\u00e1s dos atletas: que era o seu povo, a sua hist\u00f3ria, a sua geografia e seus costumes.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\">Lembro em 1971, com um gibi da Disney &#8220;Pateta nas Olimp\u00edadas&#8221; nas m\u00e3os, que eu tinha comprado em uma banca de revistas na rotineira caminhada rumo \u00e0 biblioteca Monteiro Lobato no bairro de Nazar\u00e9 em Salvador, que aprendi sobre a cidade de Monique, suas caracter\u00edsticas, sua gastronomia, roupas, monumentos e at\u00e9 algumas palavras em alem\u00e3o. Quando do in\u00edcio dos jogos ol\u00edmpicos de 1972, aprendi sobre a causa Palestina, o Muro de Berlim e o que era a Cortina de ferro, algo que tinha me assustado anos antes, quando ouvir sobre ela, como advers\u00e1rios fortes e pavorosos do Brasil na copa J\u00falio Renner em 1970.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\">Ouvia os hinos e prestava aten\u00e7\u00e3o nas bandeiras e principalmente me inteirava sobre algum personagem que me transportava para algum lugar do mundo.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\">Por tr\u00e1s do atleta na TV tinha uma vida, um lugar, uma fam\u00edlia e eu estava l\u00e1, atr\u00e1s dessa historia. Todavia, como as informa\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o presentes como nesse mundo de agora, minha imagina\u00e7\u00e3o flu\u00eda e criava as minhas pr\u00f3prias est\u00f3rias que tentavam casar com o que eu podia saber sobre certos povos, seus h\u00e1bitos e comportamentos. Ent\u00e3o essa era a verdadeira motiva\u00e7\u00e3o encontrada para apreciar as olimp\u00edadas, pois essa intera\u00e7\u00e3o cultural justificava as competi\u00e7\u00f5es. <\/span><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\">Mas at\u00e9 que veio Rio 2016 e com ele um golpe fatal da corrup\u00e7\u00e3o que desviou milh\u00f5es que faltaram na mesa de pobres miser\u00e1veis brasileiros com suas fraudes fara\u00f4nicas. O meu nojo era tanto, que n\u00e3o medi consequ\u00eancias daquilo, imputando aos inocentes atletas o meu desinteresse e tudo isso fez que n\u00e3o visse nada desse evento t\u00e3o esperado no meu imagin\u00e1rio, que um dia aconteceria no Brasil. N\u00e3o sei at\u00e9 hoje, por raras exce\u00e7\u00f5es quais brasileiros brilharam tamanha a minha tristeza com aquele tipo de gente que n\u00e3o entende de medalhas e sim dos cifr\u00f5es roubados e ainda para o pior desfecho, trouxeram das trevas para o cen\u00e1rio politico j\u00e1 tanto maculado em todos os governos sem nenhuma exce\u00e7\u00e3o, a nume Jurupari, que \u00e9 a besta que junto a Xandor\u00e9, divindade do \u00f3dio, ambas deidades do pante\u00e3o Tupi, expressa a c\u00f3lera \u00e1s minorias, que est\u00e3o representadas aqui pelos povos aut\u00f3ctones sempre indesejados e agora mais ainda, al\u00e9m de massacrados por esse nefasto governo. <\/span><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\">Em contrapartida, em todas as minorias atacadas ocorrem uma rea\u00e7\u00e3o, respondendo nessa olimp\u00edada com toda sua for\u00e7a e isso fez que eu voltasse o meu olhar para esses atletas que agem espontaneamente sem ve\u00edculos, como exemplo de supera\u00e7\u00e3o em uma sociedade claramente discriminat\u00f3ria e patriarcal.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\">Que lindo foi ver uma menina skatista nordestina do Maranh\u00e3o Rayssa Leal, de 13 anos, com apenas 38 quilos, bailando no inconsciente do Tambor de Crioula, na Dan\u00e7a do Caro\u00e7o, na Dan\u00e7a do Lel\u00ea, na Dan\u00e7a do Coco e no Cacuri\u00e1. <\/span><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\">As mulheres uma p\u00e1gina sempre importante de se destacar pela beleza e o emocional que tr\u00e1s a olimp\u00edada. Mulher na l\u00edngua Ioruba, onde por tanto tempo viveram uma sociedade matriarcal, se chama \u201cobinirin, onde Obi \u00e9 Cora\u00e7\u00e3o e Nrin, andando\u201d. A mulher \u00e9 o cora\u00e7\u00e3o que anda. E s\u00e3o elas t\u00e3o sutilmente retalhadas nesse pa\u00eds machista, as grandes medalhistas e s\u00e3o tantas e est\u00e3o t\u00e3o bem diversificadas em todo Brasil. Poderia destacar a judoca ga\u00facha Maysa Aguiar pela supera\u00e7\u00e3o de v\u00e1rias cirurgias, assim como as iatistas Marina Grael e Kahena Kunze, as tenistas Luisa Stefani e Laura Pigossi, mas o destaque \u00e9 Carol Gattaz, a medalhista brasileira com mais idade em todas as Olimp\u00edadas, com seus 40 anos.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\">Nas minorias religiosas, temos Paulo Henrique, jogador que \u00e9 ouro no futebol e comemorou um gol sobre a Alemanha com um gesto de Of\u00e1 Ox\u00f3ssi, que \u00e9 de um ca\u00e7ador de uma s\u00f3 flecha e escreveu \u201cOke Ar\u00f4, sarava meu Pai\u201d. Of\u00e1 significa o objeto, \u201cOf\u00e1 Od\u00e9 \u00d2soos\u00ec, Oni Ar\u00e1aiy\u00e9\u201d.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\">Da favela dos livros \u201cOs sert\u00f5es\u201d de Euclides da Cunha, ao \u201cBaile de favela\u201d chegamos a nossa principal representante Negra, Rebeca Andrade com os seus 1,51m de altura, filha de m\u00e3e solo e empregada dom\u00e9stica com mais sete filhos para criar e que dela brotou essa orqu\u00eddea negra, que parece estar em um xir\u00ea de maracatus de baque virado e com sua roupa Rosa, incorpora a Orix\u00e1 Ob\u00e1, dona dos ventos e Redemoinhos. Est\u00e1 explicado. \u201cAkir\u00f4 Oba Y\u00ea\u201d. Sem esquecermo-nos de mencionar da sua heran\u00e7a na lembran\u00e7a sempre presente da encantadora negra Daiane dos Santos, que dona de si disse, do orgulho de ter suas ra\u00edzes africanas e passar isso para os seus filhos.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\">Temos Ana Patr\u00edcia do V\u00f4lei de Praia com 1,94 metros e Darlan Romani atleta do Arremesso de Peso com 157 Kg, ambos brilharam em um maravilhoso quarto lugar.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\">Mas \u00e9 de Salvador terra da ginga do Il\u00ea, que temos a for\u00e7a do boxe na fala livre e da espontaneamente baiana de Herbert Concei\u00e7\u00e3o, ajudado pela vaquinha de uma fam\u00edlia pobre e rebento de Luiz D\u00f3rea que j\u00e1 treinou o baiano campe\u00e3o mundial Pop\u00f3 m\u00e3o de pedra, que do seu sparing Raimundo Ferreira, o \u201dSergipe\u201d, saiu o pai de Beatriz Ferreira, campe\u00e3 mundial e mais uma medalha para as meninas baianas que tem um santo que s\u00f3 Deus d\u00e1, como Deus deu essa pugilista pegando pesado no peso leve do boxe soteropolitano. Mas a Bahia j\u00e1 deu a r\u00e9gua e compasso a outro Concei\u00e7\u00e3o, esse o Robson, o terror do bairro de Boa Vista de S\u00e3o Caetano em Salvador, medalha de Ouro no Rio 2016, essa eu tinha de lembrar!<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\">E o surf descriminado como esporte de jovens vagais nos deu o atleta \u00cdtalo Ferreira, um nordestino aut\u00eantico de toda alegria que ardia sempre a primeira, festa do interior. Interior l\u00e1 do mar de barra do Cear\u00e1 e junto com a baiana l\u00e9sbica, a nossa Electra uma oce\u00e2nide amancebada com Harpia, que \u00e9 a nossa medalhista Ana Marcela representante LGBT no mar aberto, ambos com a for\u00e7a que vem do fundo do mar de \u201cOdo Iy\u00e1 Iemanj\u00e1\u201d.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\">Restou a Canoagem da aguas de Oxum, \u201c\u00d2\u00f3r\u00e9 Y\u00e9y\u00e9\u201d ou de Yara, deusa dos lagos dos Tupis e na l\u00edngua Tupi, y-\u00eeara, &#8220;senhora das \u00e1guas\u201d e \u00e9 agora para Isaquias Queiroz, nossa derradeira aten\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\">Qual a hist\u00f3ria que levaria o meu imagin\u00e1rio a criar a nova est\u00f3ria nessa olimp\u00edada se n\u00e3o ele, um atleta de fam\u00edlia pobre<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>de sete irm\u00e3os entre adotados e biol\u00f3gicos, na for\u00e7a da m\u00e3e Dilma, vi\u00fava<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>que<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>trabalhava na rodovi\u00e1ria da cidade para sustentar sozinha os seus filhos. <\/span><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\">Isaquias, com tr\u00eas anos de idade sofreu queimaduras graves e foi salvo pela for\u00e7a de xang\u00f4 &#8220;Ka\u00f4 Kabecil\u00ea&#8221;. Com cinco anos foi roubado da sua m\u00e3e e encontrado perdido na Rua, com pela for\u00e7a dos intermedi\u00e1rios Er\u00eas e do orix\u00e1 Ibeji \u201cOni Beijada\u201d (Ele \u00e9 dois!). Com dez anos, foi enfeiti\u00e7ado pela cobra de Oxumar\u00e9 \u201cArroboboi\u201d e curioso subiu, mas caiu de uma arvore, batendo suas costas em uma pedra, perdendo seu o rim e ganhando alcunha de \u201cSem Rim\u201d e \u00e9 o nosso representante com uma esp\u00e9cie de defici\u00eancia. <\/span><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\">E \u00e9 prov\u00e1vel que o nome Isaquias vem de Ezequias um not\u00e1vel rei de Jud\u00e1 que governou entre aproximadamente 715 e 686 a.C. e ficou conhecido justamente por ter sua vida prolongada milagrosamente por Deus ap\u00f3s uma grave doen\u00e7a.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\">Mas ainda falta algo, pois olhando para Isaquias, ele tem a face e forma\u00e7\u00e3o corp\u00f3rea dos ind\u00edgenas tupiniquins e j\u00e1 que ele nasceu em Ubaitaba, sendo essa cidade o lar reminiscente dos Tupiniquins, podemos chegar ao nosso representante Ind\u00edgena, j\u00e1 que Ubaitaba foi uma regi\u00e3o habitada justamente pelos \u00edndios tupiniquins e que foi a sua maioria at\u00e9 os anos de 1930 quando Ubaitaba se torna munic\u00edpio.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\">Uma breve lembran\u00e7a do povo tupiniquim que habita hoje as tr\u00eas Terras Ind\u00edgenas no norte do Esp\u00edrito Santo na cidade chamada Aracruz e o quanto ouvimos a palavra \u201cTupiniquim\u201d \u00e9 para desqualificar a condi\u00e7\u00e3o de ser um brasileiro tosco, matuto, jeca, tabar\u00e9u e n\u00e3o para simplesmente contar de nossa ancestralidade. Comparamos depreciativamente essa etnia como algo chocho e burlesco, como ao termo que referimos ao comportamental brasileiro do \u201ccomplexo de vira lata\u201d, al\u00e9m de conter um sentido estupidanente preconceituoso, inclusive com os animais n\u00e3o humanos.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\">Tupiniquim ou tupin-i-ki, quer dizer tupi que vive ao lado ou tupis que vivem &#8220;-i-\u201d, (rio) da outra margem do rio.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\">Foram esses mesmos ind\u00edgenas que receberam as Caravelas de Pedro Alvares Cabral, quando eram de 85 mil ind\u00edgenas e, no s\u00e9culo XVI, ocupavam quase todo o litoral do Brasil junto com o 109 mil Tupinamb\u00e1s e 30 mil n\u00f4mades Aimor\u00e9s ou Botocudos que foram expulsos do litoral at\u00e9 chegar aos seus vizinhos, os ind\u00edgenas Goitac\u00e1s, que se espalhavam mais ao sul do Esp\u00edrito Santo at\u00e9 as atuais cidades de Campos e Cabo Frio, no Rio de Janeiro.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\">Assim os Tupiniquins que foram aliados dos portugueses na Confedera\u00e7\u00e3o Tamoio, entre 1554 e 1567, derrotando os franceses coligados aos Tamoios (Tupinamb\u00e1s mais velhos), junto com os Aimor\u00e9s, Temimin\u00f3s, Guainases e Goiatacases. <\/span><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\">A situa\u00e7\u00e3o ind\u00edgena j\u00e1 era ca\u00f3tica em todo pa\u00eds, mas se agravou ap\u00f3s o decreto aos presidentes de prov\u00edncia em 1850 ainda no imp\u00e9rio que pela carta circular ordenava-lhes obter esclarecimentos a respeito dos aldeamentos dos \u00edndios, declarando as altera\u00e7\u00f5es dessas aldeias atrav\u00e9s de documentos evidenciando o interesse do Estado para justificar a extin\u00e7\u00e3o das aldeias, agora conforme a lei.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\">Quanto a cidade de Ubaitaba, ela foi aos meados do S\u00e9culo XVIII um arraial de Tapocas que \u00e9 o mesmo que Tapi&#8217;oka que em Tupi quer dizer p\u00e3o feito na aldeia, \u2018Tapi\u2019 \u00e9 p\u00e3o e \u2018Oca\u2019 \u00e9 casa, que era margeada pelo Rio de Contas, ap\u00f3s a capitania de S\u00e3o Jorge de Ilh\u00e9us iniciar o processo de ocupa\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s de fazendas para extra\u00e7\u00e3o de madeiras na regi\u00e3o, come\u00e7ando um ciclo migrat\u00f3rio continuo junto ao outro Arraial de Faisqueira, at\u00e9 esses arraiais deixarem de existir em 1913 por causa de uma enchente.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\">Ubaitaba \u00e9 uma palavra do tupi, \u2018Ub\u00e1\u2019 que \u00e9 canoa pequena, \u2018y\u2019 significa rio e \u2018taba\u2019 \u00e9 aldeia.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\">Sobre esse rio de Contas que chega \u00e0 regi\u00e3o, ele divide as cidades de Ubaitaba e Aurelino Leal, no sul da Bahia e se torna uma avenida fluvial que marcou um modo de vida na regi\u00e3o, onde jovens remavam em canoas fazendo a travessia do rio.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\">N\u00e3o era s\u00f3 os povos do Araguaia da bacia dos Tocantins os Av\u00e1-Canoeiros, como os karaj\u00e1s e Java\u00e9s os grandes canoeiros a fazer as embarca\u00e7\u00f5es com a casca do jatob\u00e1 muito antes da chegada dos \u201cCara\u00edbas\u201d (homens brancos), essa pratica de navega\u00e7\u00e3o era comum em todo territ\u00f3rio Pindorama que em l\u00edngua tupi-guarani significa terra de palmeiras&#8230; \u201donde canta o sabi\u00e1\u201d&#8230; \u201dtenha pena d\u2019eu&#8230; sabi\u00e1\u201d. <\/span><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\">Tinha de dar Ouro e Yorixiriamori, a divindade dos Ianom\u00e2mis pode voltar e encantar as mulheres, pois enfim o Ouro \u00e9 Tupiniquim.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><em><span class=\"s1\">*Oscar Barreto \u00e9 a Arquiteto, Urban\u00edstica e Paisag\u00edsta e trabalha com povos Aut\u00f3ctones.<\/span><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Oscar Barreto* Vivi certo amor e \u00f3dio com os jogos ol\u00edmpicos, durante toda minha vida. 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